São Paulo, 11 de dezembro de 2024 – O Copom elevou a taxa Selic em 1 p.p. para 12,25%, conforme
esperávamos. A decisão foi unânime e consideravelmente dura, não apenas porque parte do mercado
esperava um aumento de 0,75 p.p., mas também porque sinalizou mais dois aumentos de 1 p.p. nas
próximas reuniões.
O comunicado pós-reunião argumentou que o ambiente global permanece desafiador e que os riscos
inflacionários domésticos se materializaram. Concluiu ainda que o cenário se mostra menos incerto
e mais adverso do que na reunião anterior.
Consequentemente, a projeção do comitê para o IPCA no horizonte relevante (2T26) subiu para 4,0%,
afastando-se ainda mais da meta de 3,0%, enfatizando que persiste uma uma assimetria altista no
balanço de riscos para os cenários prospectivos para a inflação
Diante desse cenário, segundo o comunicado, é necessária uma política monetária ainda mais
contracionista. Concordamos plenamente. De fato, nossas projeções para a inflação estão se
aproximando de 6,0% para 2025, o dobro da meta. Conforme detalhamos em nossas publicações recentes
(ver nosso Esquenta do Copom publicado na segunda-feira), a inflação elevada é generalizada nos
componentes, e seus fundamentos apontam para mais pressões adiante.
Nesse contexto, o Copom sinalizou mais dois aumentos de 1 p.p. em janeiro e março, mas evitou
fornecer orientação sobre a taxa terminal. Se o cenário permanecer desfavorável, o ciclo de
aperto monetário provavelmente continuará após isso.
Nosso cenário base, antes da reunião de hoje, previa outro aumento de 1 p.p. em janeiro e dois
aumentos de 0,50 p.p. posteriormente, com uma taxa Selic terminal de 14,25%. A mensagem dura de hoje
sugere que o plano de voo do Copom considera juros para além disso. Ainda acreditamos, porém, que,
com essa estratégia mais concentrada no curto prazo, a política monetária ajudará a esfriar a
economia e estabilizar o câmbio, o que provavelmente ficará evidente até maio do próximo ano.
Assim, não vemos necessidade de uma taxa terminal muito acima do nosso cenário atual.
Tudo considerado, projetamos agora dois aumentos adicionais de 1 p.p., seguidos de um aumento final
de 0,75 p.p. em maio, levando a taxa Selic a 15,00%. Se necessário, o Copom pode optar por uma
elevação adicional em junho para concluir o ciclo. Ainda refinaremos nossas outras projeções
macroeconômicas para incorporar essa política monetária mais restritiva, mas nossa previsão para
o IPCA de 2026 atualmente em 4,5% agora apresenta um claro viés de baixa.
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