Agro é trunfo do Brasil na geopolítica global

Setor é principal ativo estratégico do Brasil no cenário global e tem papel ativo na segurança alimentar, energética e territorial, ao mesmo tempo em que enfrenta desafios como dependência de fertilizantes e pressão sobre as margens do produtor

Cesario Ramalho
13/Abr/2026
Produtor rural, coordenador do Conselho do Agro da ACSP e ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira
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Agro é trunfo do Brasil na geopolítica global

No mais recente encontro do Conselho do Agronegócio da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o professor do Insper, Alberto Pfeifer, foi categórico ao enfatizar que no xadrez geopolítico global, o agronegócio é a mais forte peça do Brasil. 

Outros países têm a bomba atômica; nós temos a força do agro, que oferece alimentos, fibras e energia limpa e renovável ao mundo, além do domínio da tecnologia de agricultura tropical, acentuou Pfeifer, acrescentando que o agro é poder para o Brasil, é um trunfo nosso, nosso melhor instrumento de dissuasão, que nos assegura, por exemplo, pela sua presença em todo  território, a nossa segurança territorial.

Tomemos o exemplo da Embrapa. Não podemos "entregar" todo o conhecimento acumulado em Ciências Agrárias e pesquisa agrícola. O mais certo a se fazer é exportar sim, mas negociando, com contrapartidas.

O fato é que a conjuntura marcada por guerras regionais - em particular a no Oriente Médio - mostra a importância do setor agro para a economia nacional. Sem falar na autossuficiência alimentar que o segmento entrega a nós brasileiros - com exceção apenas do trigo, mas com dependência do grão importado cada vez menor -, a indústria nacional de biocombustíveis - do etanol ao biodiesel - vem amortecendo impactos da alta do petróleo e derivados.

Isso porque se não fossem as políticas de adição de biodiesel ao diesel e de etanol anidro na gasolina, os preços dos combustíveis no mercado doméstico estariam ainda mais altos. Neste aspecto, o que o Brasil fez a partir do agro deve servir de exemplo para o mundo.

Por outro lado, o imbróglio no Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do comércio internacional de petróleo, tem impacto direto no mercado de adubos nitrogenados - este sim um calcanhar de Aquiles para o agro brasileiro, devido à dependência do setor da importação de matérias-primas para fabricação de fertilizantes.

Neste tema, é fundamental o desenvolvimento de uma agenda de produção nacional, bem como o estímulo a novas tecnologias, como os bioinsumos. De maneira geral, os embarques do agro brasileiro apresentam tendência de bom desempenho em volume este ano, mas com a ressalva de preços mais acomodados e alta dos custos, tanto de produção, quanto logísticos, o que acarreta em um cenário de margens mais pressionadas para o produtor rural.

Encerro este artigo registrando o sucesso da gestão do presidente Roberto Ordine e saudando o retorno do Alfredo Cotait ao comando da ACSP.


IMAGEM: Freepik

 

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