São Paulo, 3 de outubro de 2024 – O risco fiscal mantém câmbio R$/US$ acima de 6 e acende alertapara patamar superior a R$ 7,00. A avaliação faz parte de relatório divulgado hoje pelo bancoBTG. “Diante da deterioração das expectativas em relação ao quadro fiscal do País, revisamosnossa projeção de taxa de câmbio para R$6,25/US$ ao final de 2025 e para R$6,35/US$ ao final de2026”.
Segundo o boletim, o câmbio mais depreciado, conjuntamente com a desaceleração da demandadoméstica, contribuirá para aumentar o superávit comercial nos próximos anos e reduzir odéficit em transações correntes para patamar próximo a 2% do PIB em 2025 e 2026. “Ações dogoverno que contornem o Orçamento, intensifiquem mecanismos parafiscais, minem a credibilidade dapolítica monetária ou envolvam intervenções no mercado cambial teriam potencial de levar ocâmbio a ultrapassar a barreira de R$7,00/US$ no próximo ano”, alerta.
A atividade econômica segue aquecida no 4T24, impulsionada pela disponibilidade de crédito e pelasurpreendente geração de ocupações no 2S24, “o que nos levou a revisar a projeção decrescimento do PIB em 2024, de 3,3% para 3,5%”.
No momento, a equipe de economistas do BTG vê poucos fatores capazes de acelerar a atividade namargem, mas o elevado carrego estatístico (+1,0%) deve garantir um crescimento de 1,5% em 2025(revisado de 1,6%). Para 2026, as perspectivas para o crescimento do PIB pioraram de formasignificativa, com a forte elevação das taxas de juros de longo prazo afetando os investimentos eos setores mais cíclicos da economia, levando a uma revisão baixista de 2,0% para 1,4%.
“Revisamos nossas projeções para o IPCA de 2025 e 2026 de 4,8% e 4,0% para 5,5% e 4,3%respectivamente. A estimativa para 2024 segue em 5,1%. As revisões de 2025 e 2026 foram puxadas portrês principais fatores: uma taxa de câmbio mais depreciada, aumento acentuado (ainda emandamento) das expectativas de inflação e resiliência da demanda doméstica, com um hiato do PIBmaior (mais positivo)”.
Segundo o boletim, as medidas de contenção de despesas ficaram aquém do esperado pelo BTG e pelomercado. “Estimamos um impacto fiscal de R$46 bilhões em dois anos e R$242 bilhões até 2030,valores inferiores às projeções do governo, que calcula R$71,9 bilhões e R$327 bilhões no mesmoperíodo”.
Com um conjunto de medidas tímidas, o governo não conseguiu afastar o risco de alterações noarcabouço fiscal nos próximos dois anos.
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