Cai a participação da China nas exportações e aumenta nas importações

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Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

São Paulo, 17 de dezembro de 2024 – A China permanece na liderança como principal mercado dasexportações e importações brasileiras. O superávit com o país foi de US$ 31,0 bilhões, o querepresenta 44,3% do saldo acumulado da balança comercial até novembro de 2024. No entanto, aparticipação da China nas exportações cai de 30,7% para 28,6% e aumenta de 21,9% para 24,1% nasimportações, na comparação entre os acumulado do ano até novembro de 2023 e 2024. EstadosUnidos e União Europeia ganham participação nas exportações e perdem nas importações. Mesmonum cenário de recessão de nosso vizinho, o comércio com a Argentina cresceu em termos de volumetanto para as exportações quanto para as importações, liderado pelo setor automotivo.

O saldo total da balança comercial até novembro de 2024 foi de US$ 69,9 bilhões, inferior em US$19,4 bilhões em igual período do ano anterior. A corrente de comércio, porém, foi maior,impulsionada principalmente pelo aumento das importações. No acumulado até novembro de 2024 foide US$ 554,7 bilhões, superior em US$ 22,8 bilhões a de 2023. Não se esperam fatos novos quepossam alterar as principais conclusões e características da balança comercial de 2024. Asprojeções para o superávit variam entre US$ 74 e US$ 78 bilhões. Na edição de janeiro de 2025iremos detalhar os resultados para o ano de 2024.

Nesta edição ressaltamos os principais resultados para o mês de novembro e do acumulado do anoaté novembro.A variação em valor dos valores exportados entre o acumulado de novembro de 2022/2023 e doacumulado no mesmo período entre 2023 e 2024 foram muito próximas, +0,5% e +0,4%, respectivamente.A queda no superávit de 2024 em relação ao de 2023 é explicada, portanto, pelo aumento navariação do valor importado, +9,5%, enquanto a variação em jan-nov (2022/2023) foi negativa,-12,1%.

“Até novembro, o volume exportado aumentou +4,2% e o das importações, +16,5%. A queda de preçosnas importações (-5,9%) foi maior que o das exportações (-3,5%). Os resultados na comparaçãoentre os meses de novembro mostram comportamento similar, aumento no volume importado (+14,5%)superior ao das exportações (+5,1%), mas a queda nos preços das exportações (-4,3%) foi maiordo que nas importações (-3,9%).

No mês de novembro, o aumento das exportações foi liderado pelas não commodities (+14,2%), emcomparação com a variação das commodities (+1,1%). Na comparação do acumulado do ano, noentanto, a liderança é das commodities (+6,4%), enquanto houve recuo nas vendas das nãocommodities (-0,7%). Os preços aumentam para as não commodities e caem para as commodities, nasduas bases de comparação.

A análise por setor de atividade mostra que a indústria extrativa liderou a variação no volumeexportado (+10,5%), seguida da transformação (+3,8%), enquanto a agropecuária registrou recuou de-0,1%, na comparação do acumulado do ano entre 2023 e 2024 (Gráfico 3). Os preços caem para aextrativa e a agropecuária, mas nesse último caso a queda foi de -12,7%. Com esses resultados, ovalor exportado da agropecuária recuou em -10,2% e a participação do setor nas exportaçõestotais passou de 23,8% para 20,6%, entre 2023 e 2024. A participação da indústria extrativa, comcrescimento em valor de +6,5%, passou de 23% para 24,3% e da transformação passou de 53% para 55%.

O melhor desempenho da transformação está associado às commodities que fazem parte do setor eexplicam 49,5% das suas exportações. A variação em volume das commodities da transformação foide +9,4% e das não commodities, uma queda de -1,3%.

Na comparação interanual do mês de novembro, o comportamento do volume se repete: recuo naagropecuária (-26,4%); aumento na extrativa (+21,9%); e, na transformação (+9,5%).

Há variação das importações por setor de atividade. Em todos os 3 setores, a variação dovolume é positiva na comparação interanual do acumulado do ano até novembro. Chama atenção aagropecuária, +33,1%, mas lembra-se que esse setor explica apenas 2,1% das importações totais daeconomia. Na comparação entre os meses de novembro, todas as variações são também positivas enovamente lideradas pela agropecuária.

Os 5 principais produtos importados em novembro somam 82,6% das importações totais da agro.Registraram variação positiva em toneladas: trigo (+33%); frutas e nozes (+24,3%); milho (+42,7%)e latex (+28%).

É a indústria de transformação, com participação de 91,1%, que explica as variações dosfluxos importados. A análise por categoria de uso das importações da indústria detransformação mostra a liderança na variação por volume dos bens duráveis de consumo (+53,4%),seguido dos bens semiduráveis (+27,7%), capital (+23,8%), intermediários (+14,5%) e não duráveis(+10,0%).

O aumento dos bens duráveis foi explicado ao longo de 2024 pelo crescimento das importaçõesoriundas da China de carros elétricos. O pico foi em junho, quando foi registrada uma variação de+320% em relação a junho de 2023.

É preciso, porém, discriminar as participações das categorias de uso para avaliar acontribuição de cada uma no aumento das importações. A Tabela 1 mostra a participação de cadacategoria e a contribuição para o aumento das importações entre os acumulados do ano de 2023 e2024 até novembro.A maior participação é dos bens intermediários (65,4%), que registraram contribuição de 34,0%para o aumento das importações entre os acumulados do ano até novembro. Em seguida, os bens decapital, com participação menor em 52 pontos percentuais do que a dos bens intermediários, mascom uma contribuição de 31,3%, próxima a dos bens intermediários. Os bens duráveis de consumo,embora com participação de 4,9%, ficaram em terceiro lugar em termos de contribuição para oaumento das importações, 16,5%.

Variações positivas nas importações de máquinas e equipamentos para a transformação e recuopara a agropecuária sinalizam investimentos na primeira e expectativas não favoráveis e/ouestoque de capital considerado satisfatório. “Ressalta-se que na comparação entre o acumulado doano de 2023 e 2022, a variação para a agro, +31,9%, era superior a da transformação,+2,3%. Paraos bens intermediários, as variações são positivas para os dois setores, próximas em novembro,mas no acumulado do ano, a variação da transformação foi de +15,0% e da agro, 7,7%. Mais umsinal de um desempenho menos favorável da agro em relação à transformação.”

A China permanece na liderança como principal mercado das exportações e importaçõesbrasileiras. O superávit com o país foi de US$ 31,0 bilhões, o que representa 44,3% do saldoacumulado da balança comercial até novembro de 2024. O desempenho exportador para a China,entretanto, piorou em relação ao resultado entre 2022 e 2023. A variação entre os acumulados doano de 2022 e 2023 do volume exportado para o país foi de +29,3% e, na comparação de 2024 com2023, o percentual foi de +1,2%, O valor exportado entre 2022/2023 havia sido de +14,7% e nopresente ano foi registrada uma queda de -6,4%. No caso das importações, a China liderou o aumentodas importações, em 2024, +38,1%, enquanto em 2023, seguindo a tendência de retração nasimportações, o aumento havia sido de +0,1%.

Para os Estados Unidos, a situação entre 2023 e 2024 se inverteu. Em 2023, na comparação com2022, a variação do valor exportado foi negativa (-1,8%) e em 2024, passou para +9,3%. Em termosde volume, foi positiva nas duas bases de comparação, mas o percentual aumentou de +6,4% para+10,7%. Exceto a China, todos os mercados analisados registraram queda nas importações em 2023 eaumento em 2024, mas com um percentual de variação sempre inferior ao da China. Nos EstadosUnidos, a variação foi de +3,9% contra uma queda de -21,1%, em 2023.

Na Argentina, a queda do crescimento do país se refletiu esse ano com a retração no volumeexportado de -20,1% e, em valor de -21,4%. As importações aumentaram em volume +11,8%, sendo 40%explicadas por veículos de passageiros e para transporte de mercadorias.

Para a União Europeia, a variação no volume exportado ficou positiva em 2024, +5,7%, e o volumeimportado cresceu +0,9%. Em termos de valor, as variações dos fluxos comerciais que haviam sidonegativas, ficaram positivas, exportações (+6,5%) e importações (+5,1%). Com esses resultados osuperávit até novembro no valor de US$ 1,5 bilhões já havia superado o registrado no ano de2023, US$ 876 milhões.

A queda no valor exportado para a China e aumento para os outros principais mercados reduziu aparticipação do país nas exportações brasileiras de 31,0% para 29,1%, entre os acumulados doano até novembro de 2023 e 2024. Em contrapartida, ganharam participação a União Europeia, de13,6% para 14,4%, e os Estados Unidos, de 10,8% para 11,7%. No caso da Argentina, o percentual caiude 5,1% para 4,0%. Nas importações, a China avançou de 22,2% para 24,5%, enquanto Estados Unidose União Europeia perdem, mas diferenças são de um ponto percentual para a União Europeia (18,0%em 2024) e de 0,4 pontos para os Estados Unidos (15,4%, em 2024). No caso da Argentina não mudou,5,1%.

“No caso das exportações chama a atenção o recuo de -21,9% no volume exportado para a China e oaumento de +41,7% para a Argentina, na comparação mensal do mês de novembro. Nas importaçõesmensais, as principais variações positivas estão com a China (+33,4%) e a Argentina (+20,0%). Adinâmica do comércio com a Argentina está associada ao setor automotivo”, diz a FGV.

“Observa-se que a partir de maio, os termos de troca melhoram, com uma variação de +5,7%, entremaio e novembro. Esse resultado é explicado pela queda nos preços, -4,9%, nesse mesmo intervalo detempo, pois os preços exportados ficaram relativamente estáveis, +0,3%.”

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