São Paulo, 18 de dezembro de 2024 – A Organização dos Países Exportadores de Petróleo eAliados (Opep+) demonstrou preocupação com a possibilidade de um aumento na produção depetróleo dos Estados Unidos após o retorno de Donald Trump à presidência. Delegados do grupoinformaram à agência Reuters que temem que esse crescimento prejudique seus esforços parasustentar os preços e reduzir ainda mais a participação de mercado da organização. Atualmente,a Opep+ é responsável por cerca de metade da produção mundial de petróleo, mas enfrentadesafios devido ao aumento da produção americana e de outros países fora do grupo, além dademanda global enfraquecida.
Com políticas menos rígidas no setor ambiental prometidas por Trump, delegados acreditam que aprodução de petróleo dos EUA pode crescer, o que seria desfavorável para a Opep+. O grupoplaneja aumentar sua produção somente a partir de abril de 2025, mas teme que o excesso de ofertapressione os preços para baixo, prejudicando economias dependentes da receita do petróleo. Segundoa Agência Internacional de Energia (AIE), a participação da Opep+ no mercado caiu para 48%, omenor nível desde 2016.
A produção americana de petróleo cresceu 11% entre 2022 e 2024, atingindo 21,6 milhões debarris por dia, enquanto a Opep+ mantém cortes de 5,85 milhões de barris diários. Analistasapontam que as políticas de Trump podem beneficiar a demanda por petróleo, mas ressaltam que osprodutores de xisto dos EUA só aumentarão a produção se for economicamente viável. Além disso,a falta de capacidade ociosa e o longo prazo necessário para desenvolver novos campos limitam opotencial de expansão imediata.
Embora alguns especialistas vejam um crescimento modesto da produção americana, outrosacreditam que a influência da Opep+ dependerá das decisões tomadas em Viena, sede do grupo, emvez de políticas estabelecidas em Washington. Relatórios recentes mostram que a produção dos EUAdeve crescer mais rapidamente que a da Opep+, mas a viabilidade desse cenário dependerá dospreços globais e das condições econômicas do setor.
Vanessa Zampronho / Safras News
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