São Paulo, 12 de dezembro de 2024 – O relatório mensal de energia da Agência Internacional de
Energia (AIE), divulgado hoje, informa que a demanda por petróleo deverá subir em 1,1 milhão de
barris de petróleo por dia (bpd), elevando o consumo para 103,9 milhões de bpd. Neste ano, o
aumento da demanda será em 840 mil bpd. Segundo o documento, os aumentos serão dominados por
matérias-primas petroquímicas, enquanto a demanda por combustíveis para transporte continuará a
ser restringida pelo progresso comportamental e tecnológico. “Embora o crescimento da demanda não
pertencente à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), principalmente
na China, tenha desacelerado significativamente, a Ásia emergente continuará a liderar os ganhos
em 2024 e 2025”, diz o documento.
Já a oferta vem aumentando ao longo dos meses, em 130 mil bpd mês a mês, chegando a 103,4
milhões de bpd em novembro, em uma recuperação contínua na produção da Líbia e do
Cazaquistão. O fornecimento total de petróleo está a caminho de aumentar em 630 mil bpd este ano
e 1,9 milhão de bpd em 2025, para 104,8 milhões de bpd, mesmo na ausência de reversão dos cortes
da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados (Opep+). “O fornecimento não-Opep+
aumenta em cerca de 1,5 milhão de bpd em ambos os anos, liderado pelos Estados Unidos, Brasil,
Guiana, Canadá e Argentina”.
Para a AIE, a decisão da Opep+ de adiar o desenrolar de seus cortes voluntários adicionais de
produção por mais três meses e estender o período de aceleração por nove meses até setembro
de 2026 reduziu materialmente o potencial excesso de oferta que estava definido para surgir no ano
que vem. “Mesmo assim, a superprodução persistente de alguns membros da Opep+, o crescimento
robusto da oferta de países não pertencentes ao cartel e o crescimento relativamente modesto da
demanda global por petróleo deixam o mercado parecendo confortavelmente abastecido em 2025”,
continua o relatório.
No entanto, a decisão mais recente da Opep+ não remove a incerteza sobre quando a suspensão
dos cortes realmente começará. Nesse contexto, os especialistas da AIE excluem um retorno a cotas
de produção mais altas até que um cronograma final de eliminação seja confirmado.
“Com base nisso, nossos balanços de mercado atuais ainda indicam um excesso de oferta de 950
mil bpd em 2025. Se a Opep+ começar a desfazer os cortes voluntários a partir do final de março
de 2025, esse excesso aumentaria para 1,4 milhão de bpd. Uma incerteza fundamental para a
trajetória do fornecimento de petróleo bruto da Opep+ continua sendo o nível de conformidade com
as metas acordadas, com nossas estimativas mostrando uma produção coletiva 680 mil bpd acima das
metas em novembro”, completa a AIE.
Vanessa Zampronho / Safras News
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