São Paulo, 17 de dezembro de 2024 – Após um corte de 0,25 ponto percentual (pp) na últimareunião, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) deve continuar com umcorte na mesma magnitude na taxa básica de juros para a faixa de 4,25% – 4,50%. Com o encerrar doano de 2024, os investidores irão monitorar as projeções do Fomc para verificar os rumos dapolítica monetária.
Segundo a ferramenta FedWatch do CME Group, os traders estão apostando em uma probabilidade de95,4% de um corte de 0,25 ponto percentual (pp), uma unanimidade praticamente constante desde aúltima reunião dos membros do Fed realizada nos dias 17 e 18 de setembro.
Para o economista-chefe para América do Norte da Capital Economics, Paul Ashworth, apesar docorte de 0,25 pp na taxa seja amplamente esperado e já esteja precificado, é provável que o Fomccontinue projetando que a taxa de juros acabará se aproximando de um nível neutro, ligeiramenteabaixo de 3%.
Por outro lado, suspeitamos que as tarifas planejadas e as restrições à imigração propostaspelo presidente eleito Donald Trump desencadearão um pequeno ressurgimento da inflação a partirde meados de 2025. Isso levará o Fed a encerrar seu ciclo de flexibilização mais cedo, com a taxados fed funds ainda entre 3,50% e 3,75%, afirma Ashworth.
O Ceo do deVere Group, Nigel Green, afirma que caso o Fed corte juros, será por pressão domercado – não por razões econômicas sólidas – e o que representaria que não haverá cortes naprimeira metade de 2025.
O aviso de Green ocorre após o Indice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) dosEstados Unidosregistrar uma taxa de inflação de 2,7% em 12 meses até novembro, levemente acima deoutubro. O núcleo do CPI permanece elevado, em 3,3%, indicando que as pressões inflacionáriassubjacentes estão longe de desaparecer.
“Essa decisão pode fornecer o impulso necessário para manter a economia nos trilhos, apesardos riscos iminentes da eleição, diz Green. “Os investidores globais parecem estar dando mais pesoà postura de apoio do banco central do que aos temores de um Congresso paralisado, com as açõeseuropeias registrando ganhos modestos e os futuros dos Estados Unidos se mantendo estáveis”,acrescenta ele.
O economista-chefe para Estados Unidos do ING, James Knightley, lembra que os dados deinflação não têm mostrado progresso real em direção à meta nos últimos meses, mas o duplomandato do Fed significa que ele também precisa prestar muita atenção ao que está acontecendo nomercado de trabalho.
Por isso, ele acredita que os sinais claros de arrefecimento, como a desaceleração nocrescimento do payroll e o aumento do desemprego, justificam o movimento do Fed em direção a umapolítica mais neutra.
Está claro que o ritmo dos cortes de juros diminuirá em 2025. Isso, a menos que a inflaçãocomece a progredir mais rapidamente em direção à meta de 2% ou que o mercado de trabalho sedeteriore significativamente, afirma Knightley.
Darlan de Azevedo – darlan.azevedo@cma.com.br (Safras News)
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