Henrique Meirelles, sobre o Centro de São Paulo: "Causa está consolidada". Entidades pedem foco nos projetos

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Meirelles (1º à esq.): Centro de São Paulo se desenvolveu como polo histórico e econômico
(Cesar Bruneli/ACSP)
  • Fundador da Associação Viva o Centro, em 1991, ex-presidente do BC disse que a região central representa a "identidade cultural" da cidade
  • Projeto apresentado na ACSP prevê ações de governança e em defesa da segurança, do patrimônio e da vida urbana em São Paulo
Por Vitor Nuzzi

[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
Presidente do Banco Central durante oito anos (de 2003 a 2010, o mais longevo da instituição) e ex-ministro da Fazenda (2016-2018), Henrique Meirelles foi um dos fundadores da Associação Viva o Centro, em 1991. Hoje, é presidente de honra vitalício da entidade. Nessa condição, participou de reunião do Conselho de Política Urbana (CPU) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) que discutiu projetos de recuperação do Centro Histórico. Uma questão de identidade cultural, afirmou, além de polo de desenvolvimento econômico e potencial sede de startups. “O mais importante, o que é decisivo, é o interesse pelo Centro de São Paulo”, afirmou Meirelles. “A causa do Centro é uma causa consolidada.” Durante o encontro, vários representantes de entidades pediram foco entre os diversos projetos existentes. “É importante reunir todos os trabalhos em um só fórum”, afirmou o presidente da ACSP, Roberto Mateus Ordine.

Quando ajudou a criar a Viva o Centro, Meirelles – na época conhecido pela atuação como banqueiro – buscou reunir representantes do setor público e privado para reverter um processo, já em curso, de deterioração da região central. “Seria inconcebível a deterioração de Wall Street, em que as pessoas saíssem todas daquela região”, disse hoje o presidente de honra da associação, citando ainda áreas emblemáticas de Paris e Londres. Ele também comparou cidades norte-americanas: em Los Angeles, passava “o dia inteiro engarrafado” no trânsito. Em Nova York, eram meses sem usar automóvel, fazendo tudo a pé. “São Paulo oferece essa possibilidade”, afirmou. Segundo ele, a capital paulista se desenvolveu, ao longo do tempo, na direção de um Centro “não só histórico, mas econômico, dinâmico, da cidade”.

O atual presidente da associação (e também do instituto Bairro Vivo), Edison Nassif Farah, lembrou que os movimentos em defesa do Centro de São Paulo insistiam com o então governador Mário Covas, nos anos 1990, para que ele despachasse no Palácio dos Campos Elíseos em vez do Palácio dos Bandeirantes. E citou o projeto para criar um novo centro administrativo do governo estadual justamente nessa região. E afirmou que todas as entidades envolvidas precisam estar preparadas para o processo de modernização tecnológica em andamento. Durante o evento do CPU-ACSP, ele apresentou projetos, “em fase de implementação”, que prevê, por exemplo, a criação de um techub para reunir startups e grandes empresas de tecnologia. Outro projeto, de “restauro social e urbano”, envolve ainda outras entidades, como os institutos Sarasá e Criando para o Futuro. Sob ações de Governança Corporativa, Cuidado Territorial e Valorização Econômica, a chamada Aliança pelo Centro contém sete eixos: Beleza, Segurança, Governança, Vida, Respeito, Patrimônio e Vida Urbana.

INVESTIMENTOS – A presidente da São Paulo Negócios (agência de promoção de investimentos e exportações), Alessandra Andrade, defendeu a criação de um fórum para mapear todos os investimentos destinados à região central. “Projetos importantes sempre vão ter recursos, e o Centro de São Pauloé um projeto extremamente importante”, afirmou. O diretor de Relações Institucionais da Viva o Centro, Flávio Vital, disse que a associação poderia cumprir o papel de secretaria desse fórum. “Se você não tem foco, não tem viabilidade econômica, não consegue nada”, afirmou. “O que nós precisamos é consolidar as informações.”

O coordenador do CPU-ACSP, Antônio Carlos Pela, observou que ao longo do tempo houve problema de continuidade de ações devido às trocas de comando no poder público. “Quando mudava o prefeito, ele esquecia o que o outro tinha dito, e todos os projetos paravam.” Além das iniciativas de revitalização do Centro, outro desafio aguarda empresários e autoridades mais adiante: o novo Centro Administrativo do governo estadual deverá deslocar mais de 20 mil servidores para os Campos Elíseos e deixar vários prédios desocupados.

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