São Paulo, 17 de dezembro de 2024 – Líderes chineses decidiram aumentar o déficitorçamentário para 4% do PIB em 2025, o mais alto já registrado, enquanto mantêm a meta decrescimento econômico em cerca de 5%, segundo fontes próximas ao assunto conversaram com aagência Reuters. A decisão, tomada durante a Conferência Central de Trabalho Econômico (CEWC) ea reunião do Politburo em dezembro, reflete uma política fiscal mais proativa para enfrentar asameaças econômicas, incluindo tarifas mais altas dos Estados Unidos. O aumento de um pontopercentual no déficit representa cerca de 1,3 trilhão de iuanes (US$ 179,4 bilhões), financiadosprincipalmente pela emissão de títulos especiais fora do orçamento.
A mudança visa impulsionar a economia chinesa em meio a desafios como a crise imobiliária,dívidas governamentais locais e demanda interna fraca. Especialistas acreditam que o estímulofiscal será ampliado, somado à emissão de mais títulos fora do orçamento. O banco MorganStanley estima que a expansão fiscal total poderá atingir 2 trilhões de iuanes (US$ 274,56bilhões), mas avalia que a meta de 5% de crescimento serve mais para guiar as expectativas erestaurar a confiança do mercado do que como uma meta rígida.
Os impactos das possíveis tarifas adicionais dos EUA, caso Donald Trump reassuma apresidência, preocupam o governo chinês. Se concretizadas, essas tarifas, que poderiam superar60%, afetariam mais de US$ 400 bilhões em exportações anuais para os Estados Unidos, prejudicandolucros, empregos e investimentos no setor industrial chinês. Para mitigar os efeitos, háexpectativas de um afrouxamento monetário, com possíveis cortes nas taxas de juros e injeções deliquidez pelo banco central, além de medidas adicionais, como a possível desvalorização doiuane.
O governo chinês reafirmou a necessidade de manter a estabilidade do câmbio em níveisrazoáveis, estratégia que tem sido repetida em anos anteriores. A economia chinesa, embora tenhatriplicado de tamanho nos últimos 14 anos, acumula um aumento de mais de cinco vezes noendividamento público, privado e corporativo. Esse contexto pressiona as autoridades a adotarem umacombinação de estímulo fiscal e monetário para sustentar o crescimento e lidar com os desafiosexternos.
A política econômica para 2025 será marcada por uma abordagem mais expansiva, com maiordependência de estímulos fiscais e esforços para enfrentar pressões deflacionárias e excesso decapacidade industrial. A China também planeja enfrentar a instabilidade comercial impulsionando aconfiança doméstica e investindo em setores-chave, buscando equilibrar suas vulnerabilidadeseconômicas e resistir às possíveis sanções comerciais dos Estados Unidos.
Vanessa Zampronho / Safras News
Copyright 2024 – Grupo CMA