As vendas em Holambra não murcharam com a crise
Mesmo em meio à instabilidade econômica, os produtores de flores e plantas do interior paulista preveem fechar 2015 com crescimento de 8%, graças ao mercado de eventos

Não fosse a 2º Guerra Mundial, talvez a cidade de Holambra, a 134 quilômetros da capital paulista, não teria primavera o ano todo. Foi ela quem abrigou parte das recém-chegadas famílias holandesas após a grande destruição causada pela guerra, na década de 1940.
Usando a experiência trazida da Holanda, a atividade rural se tornou a base econômica da cidade, em especial, no segmento da floricultura.
Impulsionados pelo mercado de festas que movimenta R$ 15 bilhões por ano no país, o mercado de flores de Holambra reage bem à crise e prevê crescimento de vendas de cerca de 8% em 2015 –pouco abaixo da média anual de 12%. Mesmo assim, os produtores apostam em inovações para manter a progressão no atual momento econômico.
Como terceiro produtor mundial de flores e plantas ornamentais, o Brasil ostenta um consumo per capita em torno de R$ 26 e em 2014, a cadeia produtiva do Brasil encerrou o ano com um movimento de R$ 5,6 bilhões. De acordo com a previsão, o mercado brasileiro de flores e plantas manterá o ritmo de crescimento que vem registrando desde 2006 e fechará 2015 com faturamento de R$ 5,7 bilhões.
A principal atividade econômica de Holambra é o que desencadeia o turismo, também responsável por uma boa fatia da renda da cidade. De acordo com Suzi Celegatti, gerente da ACE Holambra (Associação Comercial e Empresarial de Holambra), os eventos ligados ao setor de flores e também ao agronegócio em geral têm influência direta em hotéis, restaurantes, garden center e agências de turismo receptivo, que se tornaram os segmentos mais beneficiados pelo cultivo de flores na cidade.
MAIOR PRODUTORA DE FLORES DA AMÉRICA
Fonte de 45% do mercado nacional de flores, a Veiling Holambra - um dos centros de comercialização de plantas da cidade - recebe, por dia, 250 clientes em busca de melhor preço para atender a demanda constante do mercado.
“A maior região consumidora, sem dúvida, é o Sudeste, e a de menor representatividade, o Nordeste, inclusive pela distância”, diz Rachel Osório, 36 anos, gerente comercial da Veiling – que projeta faturar R$ 550 milhões em 2015 --crescimento entre 8% e 12%.
Com 360 associados, e 500 clientes ativos, a cooperativa também abastece as principais redes de autosserviço, como Carrefour e Pão de Açúcar, que representam 30% do faturamento da cooperativa.
Outros 32% provêm de atacadistas e varejistas de flores, e os 38% restantes são consumidos pelo ramo de decoração, que segundo Rachel, é o único que ainda não apresentou queda nesta fase recessiva da economia.
Devido à alta demanda interna, a cooperativa deixou de exportar há seis anos para atender exclusivamente aos compradores brasileiros, abrindo exceções apenas para pequenos compradores na Argentina, Paraguai e Uruguai.
“E mesmo assim, sendo a maior produtora de flores da América, tudo o que é produzido em Holambra ainda não é suficiente. Nossos produtores estão sempre viajando em busca de novidades para serem lançadas em setembro, na Expoflora.”
SEMESTRE INDEFINIDO
Com uma produção semanal de 2 milhões de hastes, a Cooperflora – também em Holambra, compreende 52 produtores e atende de forma fixa a 400 clientes. Milton Hummel, 46 anos, diretor geral da cooperativa, viu o ramo se modificar nos últimos 15 anos.
“As floriculturas perderam espaço para os supermercados, e tiveram que se reinventar para lucrar. Porém com o ramo de eventos, e principalmente, casamentos elas (floriculturas) conseguiram enxugar a estrutura física e aumentar o volume de contratos fechados”, diz Hummel.
Mesmo com as vendas em um bom patamar até o momento, Hummel prefere conter a expectativa de crescimento entre 7% e 10%. “Numa comparação com julho de 2014, estamos melhor em 2015 porque a Copa em 2014 congelou os casamentos nesse período”, diz. “No entanto, a informação é de que o mercado vai enfraquecer nos próximos meses, por isso estamos com o semestre indefinido.”
FLORES PARA OLÍMPIADAS
Dentre as novidades preparadas para todos os anos, algumas foram apresentadas no 24º Enflor (Encontro Nacional de Floristas, Atacadistas e Empresas de Acessórios) e na 12ª Garden Fair - feira de tecnologia em jardinagem e paisagismo, em Holambra.
Entre os destaques, um é especial para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, a cróton samba - variedade genuinamente brasileira, que recebeu o nome por conta do movimento das folhas onduladas e de suas cores.
A nova planta, que deve ser lançada somente após o carnaval de 2016, surgiu de uma variedade que já existia de cores vermelha e laranja – num processo que durou cinco anos. A ideia é que a planta se torne a decoração oficial durante o evento por ter as cores verde e amarela.
PROVA DE FOGO
Dono do maior e-commerce de flores do Brasil, a Giuliana Flores, Clóvis Souza, 45 anos, prevê crescimento 30% nas vendas este ano, e dribla a crise negociando com fornecedores e lançando promoções no site, como o festival de orquídeas por R$ 69,90. Outra estratégia foi aumentar a possibilidade de pagamento pelo site para seis parcelas.
No e-commerce há 16 anos, Souza mantém duas lojas físicas em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, e ainda um canal de televendas – responsável por 27% do faturamento da marca. “As pessoas se sentem mais seguras com todos esses canais. Sentem confiança em poder ligar para tirar dúvidas e conhecer nossas lojas físicas que representam apenas 6% de nossa receita, enquanto o virtual gera 67%”, diz.
Atender a todo o país obrigou Souza a fechar inúmeras parcerias para que todos os seus pedidos sejam atendidos dentro do prazo. A marca passou a trabalhar com uma plataforma própria para não se limitar ao código fonte que já havia no mercado, e que não atendia especificamente as necessidades da Giuliana Flores.
Seja lá qual for o destino, todos os produtos saem do centro de distribuição de São Caetano para que o processo de entrega que acontece durante a manhã, tarde e noite com distribuidores terceirizados seja eficiente.
*Foto: Jonne Roriz/Estadão Conteúdo
ENTRADA DE HOLAMBRA/FOTO: THINKSTOCK
MERCADO DE FLORES DE HOLAMBRA ESPERA CRESCER ENTRE 8% E 10% EM 2015
MERCADO DE FLORES DE HOLAMBRA ESPERA CRESCER ENTRE 8% E 10% EM 2015
MERCADO DE FLORES DE HOLAMBRA ESPERA CRESCER ENTRE 8% E 10% EM 2015
MERCADO DE FLORES DE HOLAMBRA ESPERA CRESCER ENTRE 8% E 10% EM 2015
MERCADO DE FLORES DE HOLAMBRA ESPERA CRESCER ENTRE 8% E 10% EM 2015
MERCADO DE FLORES DE HOLAMBRA ESPERA CRESCER ENTRE 8% E 10% EM 2015
MERCADO DE FLORES DE HOLAMBRA ESPERA CRESCER ENTRE 8% E 10% EM 2015





