Blocos do Continente negam apoio a Dilma

Com o Mercosul dividido sobre tomar partido a favor do PT, no caso do impeachment, parlamentares do bloco também racharam nesta segunda (25/04) em Montevidéu

João Batista Natali
25/Abr/2016
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Blocos do Continente negam apoio a Dilma

Dilma Rousseff e o Partido dos Trabalhadores malograram nas três iniciativas internacionais que planejavam para obter apoio contra o afastamento da presidente.

Nesta segunda-feira (25/04), 17 dos 20 parlamentares brasileiros reunidos pelo Parlasul – um parlamento consultivo do Mercosul – abandonaram o plenário, durante encontro realizado em Montevidéu.

O órgão, que comemorava 25 anos, é presidido pelo deputado argentino Jorge Taiana, que qualificou o impeachment de “golpe parlamentar” e pediu sanções contra o Brasil.

O episódio se soma à reunião, no sábado (23/04) da Unasul, conjunto de 12 países do continente que se reuniu no Equador e não conseguiu aprovar moção em defesa do mandato de Dilma.

A ideia partiu da Venezuela e da Bolívia, mas esbarrou no Paraguai e Argentina, e ainda no Chile, Colômbia e Peru.

A Unasul é um preâmbulo do que pode acontecer com o próprio Mercosul, do qual paraguaios e argentinos também são membros. O plano do governo brasileiro era o de isolar o futuro governo de Michel Temer de seus parceiros do bloco.

Seria, segundo o roteiro petista, a repetição do que ocorreu em 2012, quando o então presidente paraguaio, Fernando Lugo, foi julgado e afastado num processo de impeachment que durou apenas dois dias.

O Paraguai foi suspenso com base na “cláusula democrática” – pela qual não podem participar do bloco países que contrariem a democracia.

Com o governo de Assunção provisoriamente fora do Mercosul, os países membros aprovaram o ingresso da Venezuela de Hugo Chávez. O Paraguai se opunha na época a esse ingresso.

O fato é que a aplicação agora do mesmo roteiro não funcionou. As decisões do Mercosul devem ser tomadas por unanimidade. Ao menos Paraguai e Argentina se opõem a qualquer gesto inamistoso para com o Brasil pós-Dilma.

A ainda presidente da República discursou nas Nações Unidas na última sexta-feira, tomando o cuidado para não pronunciar da tribuna a palavra “golpe”, que ela emprega como sinônimo do impeachment.

Mas horas depois, em conversas com jornalistas, Dilma voltou a usar a palavra “golpe” e a insinuar que ela obteria a solidariedade da Unasul e do Mercosul.

Há algumas semanas a ameaça chegou a ser abertamente formulada pelo presidente venezuelano, Nicolas Maduro, em gesto que a oposição considerou, no Brasil, como uma tentativa de ingerência nas questões internas.

No caso do Parlasul, em Montevideo, os três únicos parlamentares brasileiros que permaneceram em plenário foram Benedita da Silva (PT-RJ), Ságua Moares (PT-MT) e Jean Willys (Psol-RJ).

O suposto “gesto de resistência” que os três demonstraram não influi em absolutamente nada na decisão do Senado, com o qual está agora o processo contra Dilma Rousseff.

A ainda presidente da República voltou-se para o plano internacional depois de sua derrota na Câmara dos Deputados, com a abertura do impeachment autorizada (17/04) por bem mais que dois terços dos votos.

No Senado, onde basta a maioria simples, as previsões são de que o impeachment será apoiado por 50 dos 81 senadores. Apenas 20 se opõem.

A ofensiva externa de Dilma se centrou na mídia. Ela deu duas entrevistas coletivas a correspondentes brasileiros e, na sexta-feira, falou a jornalistas em Nova York.

Essa iniciativa, segundo blogs ligados ao governo e simpatizantes do PT nas redes sociais, criou a impressão de que a mídia estrangeira adotava a tese do “golpe”, rejeitada pela mídia brasileira.

Mas não foi bem assim. Tanto que o New York Times, que estaria em oposição ao impeachment, publicou declarações de um ex-embaixador norte-americano em Brasília, para quem o Congresso analisa livremente o processo, sobre o qual nenhuma pressão externa poderia determinar mudanças de rumo.

FOTO: Agência Brasil

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