Comércio reage na 1ª quinzena de novembro
Efeito-calendário ajudou a aumentar as vendas no início do mês, que registraram alta média de 2,05% na comparação com igual período de 2015, segundo balanço da ACSP

As vendas no varejo da cidade de São Paulo esboçaram uma leve reação na primeira quinzena de novembro.
De acordo com os dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), na comparação com igual período de 2015, a alta foi de 2,05%, considerando a média das vendas à vista e a prazo.
O resultado, entretanto, está longe de representar uma trégua na crise do varejo paulistano. A alta foi impulsionada por fatores pontuais, como o efeito-calendário, já que a primeira quinzena de novembro teve um dia útil a mais do que em outubro, e pelos dias nublados e com chuva, no feriado prolongado da Proclamação da República.
Emílio Alfieri, economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da ACSP, explica que, o movimento foi parecido com o registrado no início de junho, quando o frio estimulou as vendas de aquecedores, chuveiros elétricos, roupas e calçados.
“Sem sol, as pessoas deixaram de viajar no feriado, e os shoppings ficaram lotados”.
Fragmentando a queda de 5,2% na comparação entre meses observa-se que as vendas a prazo caíram 1,6% e aquelas à vista caíram 8,7%.
Já na comparação entre a primeira quinzena de novembro deste ano com igual período do ano passado, houve crescimento de 2,05%. A alta foi puxada pelo crescimento de 4,6% nas vendas a prazo. Já nas vendas à vista, houve recuo de 0,5%.
“É um bom resultado, mas circunstancial. Apesar do saldo positivo no início de novembro, não podemos projetá-lo para o mês completo, nem para o fechamento do ano”, diz Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).
Segundo ele, ainda há incertezas no cenário macroeconômico e só a recuperação do emprego, da renda e da confiança pode influenciar positivamente esse indicador.
QUEDA NO VAREJO FOI DE 6% EM OUTUBRO, SEGUNDO A CIELO
As vendas do varejo caíram 6% em outubro, na comparação com igual período de 2015, segundo índice medido pela operadora de cartões de pagamento Cielo com base nas vendas em mais de 1,7 milhão de pontos credenciados à companhia.
O desempenho segue a queda de 4,9% registrada em setembro. A variação desconta a inflação da cesta de setores do varejo ampliado.
Em termos nominais - ou seja, sem descontar a inflação -, o indicador marcou alta de 2,1% em outubro, ainda na comparação anual.
Segundo a Cielo, o resultado foi prejudicado por um efeito negativo de calendário, já que outubro teve um dia útil a menos. Sem esse efeito, a queda do índice seria de 5,1%, já descontada a inflação de 8,7% dos últimos 12 meses.
Praticamente todos os setores do varejo tiveram queda no mês passado, exceção feita aos segmentos de turismo e drogarias, que tiveram crescimento, na comparação com outubro de 2015, mesmo após o desconto da inflação.
Na análise do desempenho das regiões, houve queda de 9,6% na receita do varejo no Norte e de 6,3% no Nordeste.
No Centro-Oeste, a queda foi de 6% na comparação com outubro do ano passado. Já no Sudeste, onde estão os maiores mercados do País, houve redução de 5,6% nas vendas, enquanto no Sul a queda foi de 4,5%.
*FOTO: Thinkstock
*Com informações de Estadão Conteúdo


