Conheça os principais pontos para entender melhor o PIU Arco Leste

Plano urbanístico da Prefeitura prevê uma série de melhorias para a região. Oficinas públicas têm identificado oportunidades de melhorias em habitação, mobilidade, desenvolvimento econômico e meio ambiente

Mariana Missiaggia
24/Ago/2023
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Conheça os principais pontos para entender melhor o PIU Arco Leste

Com o objetivo de reorganizar o território de grande parte da Zona Leste, o Projeto de Intervenção Urbana (PIU) Arco Leste está sendo objeto de contribuições da sociedade civil em oficinas e em consulta pública que estará aberta até o dia 8 de setembro.

Com o envolvimento de 13 secretarias, o projeto visa qualificar a região do ponto de vista de habitação, mobilidade, rede de equipamentos públicos, meio ambiente e drenagem, desenvolvimento econômico, entre outros.

De acordo com Cesar Azevedo, presidente da SP Urbanismo, esses encontros são uma oportunidade para os moradores sinalizarem ao município os problemas que poderiam ser solucionados e as propostas que gostariam de ver priorizadas pelo Arco Leste.

Nesta quarta-feira (23/8), Azevedo se reuniu com o Conselho de Política Urbana (CPU) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), e falou sobre a importância de suscitar a discussão e colher contribuições da sociedade, de modo a permitir uma construção coletiva do PIU Arco Leste.

Desde o dia 14 de julho, há uma consulta pública on-line aberta no site Participe+ em que a população pode conhecer os detalhes e opinar sobre o projeto, além das reuniões presenciais programadas em cada subprefeitura envolvida (São Miguel Paulista, Itaim Paulista, Penha, Ermelino Matarazzo, Vila Guilherme/Vila Maria e Mooca) para que finalmente, seja elaborada uma versão consolidada.

Dentre os objetivos estão a redução da precariedade habitacional, a ampliação do acesso da população à rede de serviços públicos, o equilíbrio entre empregos e moradias, fortalecimento e expansão de novas centralidades locais, e o incentivo aos modos de transporte não motorizados e aqueles associados ao transporte coletivo em uma região onde moram pouco mais de 10% da população da cidade de São Paulo.

Veja a seguir alguns pontos importantes diagnosticados por esse trabalho:

1 - PERÍMETROS DE INTERVENÇÃO

Abrangendo uma área de quase cinco mil hectares, o Arco Leste corta onze distritos da cidade: Belém, Tatuapé, Vila Maria, Penha, Ponte Rasa, Cangaíba, Ermelino Matarazzo, Vila Jacuí, São Miguel, Vila Curuçá e Itaim Paulista.

Por essa razão, o trecho foi demarcado em três perímetros de intervenção:

Perímetro Ermelino Matarazzo e Itaim Paulista: composta pelos núcleos Avenida São Miguel e Ermelino Matarazzo, a predominância é de prédios de médio padrão e baixo índice de empregos por habitantes.

Perímetro Entreorlas: área que possui maior precariedade habitacional e pouca oferta de vagas de trabalho formal.

Perímetro Parque Novo Mundo: formada pelos núcleos Tatuapé, Penha, Vila Maria e Cangaíba, é onde se observa o maior desenvolvimento da região, com a presença de usos diversificados (prédios de alto e médio padrão, indústrias, armazéns), mas que ainda assim necessita de mais opções de empregos. 

2 - EXPANSÃO DAS CENTRALIDADES LOCAIS

Com a intenção de prover maior equilíbrio na relação entre emprego e moradia, propõe-se o fortalecimento e expansão das centralidades locais na direção das áreas mais densamente povoadas e menos providas de empregos.

Nas palavras de Azevedo, o incremento de postos de trabalho deve ser pensado em escala compatível, sendo preciso reunir esforços entre as secretariais para a promoção de novos empregos - já articulados a rede de centralidades existente.

Neste sentido, foram analisados o perfil da produção imobiliária na última década, as principais mudanças de uso e ocupação do solo e a distribuição do emprego, de forma a caracterizar os desequilíbrios e oportunidades, sobretudo em relação aos núcleos comerciais e de serviços, essenciais para dinamizar o cotidiano dos bairros.

3 - MOBILIDADE

O território em questão é atendido por uma linha de metrô e três linhas de trem, terminais de ônibus, uma rede de faixas exclusivas e várias vias estruturais. Entretanto, o atendimento dessa infraestrutura é desigual entre os bairros do Arco.

A maior parte dos deslocamentos acontece por modos de transporte coletivo mas, internamente, há uma grande discrepância no modo de viagem entre os distritos. Dados da Prefeitura mostram, por exemplo, que no Brás, 53% das viagens são por modos coletivos, enquanto no distrito Jardim Helena esse percentual é de apenas 24%.

Das viagens geradas nos distritos Tatuapé e Vila Maria, 33% ocorrem por modos individuais, enquanto no distrito Brás esse percentual é de apenas 20%.

De modo geral, as propostas do Arco Leste deverão se pautar pela melhoria das condições de mobilidade local, privilegiando os modos de transporte não motorizados (pedestres e ciclistas) e os modos não poluentes.

4 - MEIO AMBIENTE

Entram, também, como ponto central, a mitigação dos alagamentos na várzea do Rio Tietê nos distritos lindeiros ao Parque Ecológico do Tietê.

De acordo com Rita Gonçalves, gerente de projetos da SP Urbanismo, também presente na reunião do CPU, a requalificação de orlas fluviais requer a combinação de atendimento habitacional e intervenções de saneamento e drenagem, assim como programas de educação ambiental e a gestão eficiente da destinação de resíduos sólidos.

Outro elemento importante é a extensão da arborização urbana que deve atuar como elemento integrador de parques e áreas verdes, contribuindo para redução da temperatura aparente, especialmente, nos distritos do Tatuapé, Penha, Ponte Rasa e Vila Matilde.

MELHORES CONDIÇÕES

Conforme citado durante a reunião, Antonio Carlos Pela, vice-presidente da ACSP e coordenador do CPU, destacou que as três centralidades apresentam histórico industrial e muitas transformações para o uso comercial e de serviços na última década.

Seguindo por esse raciocínio, Pela avalia que esse movimento se dá junto à vias estruturais importantes e que promovem, por exemplo, boa articulação com as centralidades de Ermelino Matarazzo.

Entretanto, em outras regiões, faltam vias de circulação para veículos pesados - por isso, seria válido considerar a criação de novas vias para que outros eixos de ligação surjam e atraiam mais empresas e indústrias ao trecho.

"É preciso melhorar as condições de deslocamento dessa região. Temos aspectos territoriais frágeis em cada uma das centralidades, porém com boas condições para incentivar a expansão das atividades econômicas", diz.

IMAGEM: Divulgação

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