Consumidor paulista está menos confiante com o país em agosto
Demora no ajuste econômico e no processo de impeachment faz Índice de Confiança do Estado de São Paulo cair cinco pontos. Nível do índice no Brasil em agosto permanece estável, informa ACSP

A crise de confiança na economia continua a repercutir fortemente na intenção de compra dos consumidores. Apenas 14% se declarou à vontade para comprar eletrodomésticos (13% em julho) e 9%, para comprar carro ou casa (8% em julho).
Os dados foram captados no Índice de Confiança do Estado de São Paulo (IC-SP) e do Índice Nacional de Confiança (INC), ambos da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
“O consumidor continua avesso a comprar”, avalia Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).
De acordo com a pesquisa, a confiança do consumidor paulista caiu cinco pontos em agosto em relação a julho, e chegou a 64 pontos. Já a confiança do brasileiro ficou estável em 68 pontos - mesmo resultado de julho.
Na pesquisa, a escala de pontos varia entre zero e 200; o intervalo entre zero e 100 indica pessimismo e de 100 a 200, otimismo. Em julho, o IC-SP subiu quatro pontos sobre o mês anterior e o INC caiu dois pontos.
O maior pessimismo do paulista e a confiança estável em patamar baixo no Brasil podem ser explicados pelo entrave para aprovação do ajuste fiscal, resultante do desentendimento entre os poderes Executivo e Legislativo.
“O consumidor está vendo que a aprovação do ajuste vai demorar mais do que o esperado”, disse o presidente da ACSP. “E as causas são as questões políticas que emperram o processo.”
Burti ressalta que, de um lado, cabe ao governo apressar a negociação com o Congresso para aprovação de projetos já encaminhados, além de acelerar propostas faltantes.
De outro lado, o Congresso precisa apreciar e aprovar rapidamente as medidas. “Finalizado o processo de impeachment, cada um precisa fazer sua parte”, pondera. “Só assim, será possível implementar as mudanças mínimas necessárias para o ajuste, a viabilização de investimentos e o destravamento da roda da economia, o que trará a confiança de volta.”
PRESENTE E FUTURO
Entre os tópicos usados para compor o Índice Nacional de Confiança, a avaliação sobre a atual situação financeira piorou. Na pesquisa de agosto, 54% dos entrevistados a consideraram ruim contra 51% em julho.
Por outro lado, a esperança no futuro aumentou. Enquanto em julho, 31%, dos brasileiros avaliaram que sua situação financeira futura iria piorar, em agosto, o índice caiu para 27%. O dado sinaliza um primeiro dado de que a situação pode melhorar.
Os demais tópicos usados para calcular o INC ficaram praticamente estáveis. Em agosto, 54% dos consumidores estavam inseguros no emprego (56% em julho).
AVALIAÇÃO REGIONAL
Entre as regiões, a queda mais forte da confiança foi no Sul, por conta de problemas climáticos: o INC caiu sete pontos e chegou a 56 pontos em agosto.
Na contramão, a confiança do Nordeste subiu sete pontos na passagem de julho (66) para agosto (73), possivelmente pelo reajuste do Bolsa Família.
Por fim, no grupo de regiões Norte/Centro-Oeste o indicador ficou estável, com 72 pontos em agosto e 70 em julho. O mesmo ocorreu no Sudeste, com 69 em agosto e 71 em julho.
PERCEPÇÃO DE CLASSE
A confiança das classes A, B e C se manteve estável. Na primeira, o índice marcou 60 pontos em agosto (62 em julho); na B, o INC foi de 65 pontos (64 em julho). Por outro lado, no grupo de classes D e E, a confiança cresceu três pontos - 84 em agosto contra 81 em julho, provavelmente em razão do reajuste do Bolsa Família.
A margem de erro das pesquisas é de três pontos. O levantamento foi realizado pelo Instituto Ipsos entre 30 de julho e 9 de agosto em todo o Brasil.


