Consumo saudável entra no carrinho e 59% dos brasileiros já aceitam pagar mais por isso

Mudança no comportamento beneficia categorias como frutas, proteínas e produtos zero açúcar, enquanto medicamentos para emagrecimento aceleram a transformação do mercado alimentar, segundo levantamento NielsenIQ/ABAD

Rebeca Ribeiro
08/Jun/2026
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Consumo saudável entra no carrinho e 59% dos brasileiros já aceitam pagar mais por isso

Os consumidores brasileiros estão cada vez mais interessados em produtos saudáveis, e essa mudança já vem sendo percebida pelo varejo. De acordo com dados da NielsenIQ divulgados nesta segunda-feira (08/06) pela Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados (ABAD), 86% dos brasileiros já adotam ao menos um hábito mais saudável em sua rotina.

Atualmente, o mercado global de saúde e bem-estar movimenta US$ 6,3 trilhões e deve crescer a uma taxa anual de 7,3% entre 2023 e 2028, acima da expansão projetada para o PIB mundial, de 4,8%. A expectativa é que o setor alcance US$ 9 trilhões até 2028.

O novo cenário de consumo está atrelado a três fatores fundamentais: nutrição, bem-estar e perda de peso. Os consumidores estão mais conscientes sobre o valor nutricional dos alimentos e seus impactos na saúde. Cerca de 45% reduziram o consumo de produtos industrializados, 41% praticam exercícios regularmente, 51% buscam produtos com adição de fibras e vitaminas e 59% gastam mais com itens que contribuem para a saúde.

Enquanto 84% dos brasileiros estão dispostos a adotar hábitos para melhorar a saúde e o bem-estar, globalmente esse índice é de 70%, o que demonstra uma maior disposição dos consumidores brasileiros para mudar seus hábitos de consumo.

Quando se trata de itens básicos, como produtos de limpeza, arroz e feijão, os consumidores estão frequentando os mercados com mais frequência, porém comprando menos. Nesse cenário, os carrinhos estão, em média, 8% menores. Já na categoria de produtos saudáveis, o número de itens nos carrinhos aumenta cerca de 11%. Segundo Domenico Filho, diretor de Atendimento ao Varejo da NielsenIQ Brasil, os consumidores que buscam alimentos saudáveis, além de comprarem mais itens, também estão dispostos a pagar mais por eles.

As categorias de FLV (frutas, legumes e verduras), lácteos, proteínas e bebidas não alcoólicas foram as que mais cresceram dentro do varejo alimentar. As frutas registraram alta de 9,3%; queijo fatiado, 15,7%; sobremesas geladas, 12,4%; ovos, 14,4%; peixaria, 11,1%; e energéticos, 9,2%. De acordo com Filho, o crescimento dessas categorias pode beneficiar o faturamento dos varejistas, uma vez que são produtos de maior valor agregado.

Também ganharam destaque as versões mais saudáveis de produtos tradicionais, como as opções zero, diet e light. O refrigerante zero registrou crescimento de 33%, enquanto a versão tradicional apresentou queda de 3,2%. Já os energéticos com menos açúcar cresceram 62,5%, enquanto as versões tradicionais recuaram 1,9%.

Efeito das canetas emagrecedoras

Apesar das canetas emagrecedoras disputarem espaço no orçamento dos consumidores, os medicamentos também representam uma oportunidade para impulsionar as vendas de produtos saudáveis. Segundo a pesquisa, os medicamentos da classe GLP-1 possuem penetração de 5% nos lares brasileiros e devem alcançar 30% nos próximos anos.

Cerca de 45% dos consumidores brasileiros têm uma percepção positiva sobre esses medicamentos, e 58% estão dispostos a gastar até R$ 500 por mês com eles. Entre as principais barreiras para a adoção estão o alto preço (citado por 10% dos entrevistados) e o receio de efeitos colaterais (62%).

"São barreiras fáceis de resolver, especialmente com a quebra da patente, que deve incentivar a comercialização desses medicamentos por preços mais acessíveis e ampliar o acesso à informação, reduzindo o receio das pessoas", afirma Filho.

Além disso, Filho destaca que, com a redução dos preços desses medicamentos, a tendência é que os consumidores diminuam os gastos com tratamentos voltados para pressão arterial e diabetes, direcionando parte desses recursos para produtos saudáveis.

Os medicamentos para emagrecimento também fazem com que muitos consumidores reduzam os gastos com bebidas alcoólicas, indulgências e bebidas açucaradas. Produtos como chocolates e doces registraram queda de 76,9%; snacks, 73,4%; bebidas alcoólicas, 67,6%; bebidas açucaradas, 64,7%; e pães e bolos, 58,4%.

Por outro lado, categorias como proteínas animais (carnes e ovos) apresentaram alta de 84%; vegetais, 67%; e suplementos, 46% entre os consumidores que utilizam medicamentos para emagrecimento.

Com essa mudança de comportamento, Filho afirma que os varejistas precisam dialogar com esse novo consumidor, ampliando o espaço destinado a produtos saudáveis nas prateleiras. Além disso, ele destaca que as empresas podem estabelecer parcerias com clubes de corrida e academias, segmentos que também vêm crescendo no Brasil.

Crescimento do canal indireto

O canal indireto foi o setor que mais cresceu entre janeiro e abril de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. No acumulado do ano, o segmento registrou crescimento de 4,8% no faturamento e de 1,1% no volume de vendas. O preço médio avançou 3,6%, enquanto o número de pontos de venda (PDVs) cresceu aproximadamente 1,1%. Como reflexo desse cenário, o ticket médio também registrou alta de 3,7%.

Os dados fazem parte do Termômetro ABAD Inteligência de Mercado, desenvolvido em parceria entre a NielsenIQ e a ABAD.

Na comparação entre abril de 2026 e abril de 2025, o faturamento cresceu 0,5%, mesmo com retração de 2,5% no volume de vendas. No entanto, o preço médio avançou 3,1%, enquanto o ticket médio permaneceu estável em relação ao mesmo período do ano anterior. O total de PDVs registrou crescimento mais modesto, de 0,5%. De acordo com Filho, apesar da queda no volume de vendas, o aumento dos preços evitou que o faturamento fosse afetado de forma mais significativa.

No varejo alimentar, o acumulado do ano aponta crescimento de 5,8% no faturamento e de 0,4% no volume de vendas. O preço médio registrou alta de 5,4%, enquanto o número de PDVs cresceu 0,3% e o ticket médio avançou 5,5%.

Na comparação mensal com 2025, o desempenho do setor foi sustentado principalmente pelo aumento do preço médio e do ticket médio, compensando a retração observada no volume de vendas e consolidando a recuperação iniciada em março.

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IMAGEM: Freepik

 

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