Copa do Mundo impulsiona vendas no varejo e amplia busca por produtos para torcer em casa
Artigos de decoração, bandeirinhas, petiscos e bebidas estão entre os itens mais procurados

A poucos dias da estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026, marcada para 13 de junho, o comércio já sente os efeitos da mobilização dos torcedores. De camisas e bandeirinhas a petiscos, bebidas e itens de decoração, os brasileiros se preparam para transformar salas de estar em verdadeiras arquibancadas domésticas.
O potencial de consumo é expressivo. Segundo pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, realizada em parceria com a Offerwise Pesquisas, 60% dos consumidores pretendem comprar produtos ou contratar serviços relacionados ao mundial. A estimativa é que 99,2 milhões de brasileiros movimentem o comércio durante o período. O ticket médio previsto para os gastos extras é de R$ 619.
Camisa da seleção segue líder, mas experiência ganha espaço
A camisa da seleção brasileira continua sendo o principal símbolo de consumo da Copa do Mundo, segundo Rogério Tobias, professor de marketing do Centro Universitário Arnaldo.
“Elas continuam sendo o grande símbolo de consumo da Copa do Mundo porque carregam identidade, pertencimento e emoção coletiva. Sempre que há convocação oficial ou um jogo importante, a procura cresce imediatamente”, afirma.
Mas o especialista observa uma mudança importante no comportamento do consumidor. Mais do que vestir as cores do Brasil, os torcedores estão investindo na experiência de assistir às partidas.
“Existe um movimento interessante além do vestuário. O consumidor está investindo muito em itens ligados à experiência de assistir aos jogos: coolers, caixas de som, decoração, iluminação temática e produtos para confraternização em casa. A sala de estar virou praticamente uma arquibancada doméstica”, destaca.
Decoração ganha protagonismo nas lojas
Nas lojas especializadas em festas e decoração, os produtos temáticos já aparecem entre os destaques de vendas. Segundo André Rizzo, dono da Rizzo Festas, as tradicionais bandeirinhas assumiram o protagonismo nesta edição da Copa.
“As bandeirinhas e os varais de bandeirinha são os produtos que mais estão vendendo. Inclusive, estão vendendo mais do que as cornetas, que normalmente são o carro-chefe”, afirma.
A aposta da empresa foi reforçar a chamada decoração aérea, com itens voltados para ambientação dos espaços onde os torcedores vão acompanhar os jogos.
A preparação começou ainda no início de maio. De acordo com Rizzo, as vendas ganharam força após a convocação da seleção brasileira. Para estimular as compras, uma das cinco lojas da rede foi totalmente dedicada à Copa do Mundo, enquanto outra recebeu um corredor temático com produtos ligados ao Brasil e ao futebol.
A estratégia também inclui ampliar o foco para artigos relacionados à modalidade esportiva de forma geral, permitindo que parte do estoque continue atraente mesmo após o fim do torneio.
Copa também movimenta mercado de alimentos e bebidas
Além dos produtos ligados à torcida, a Copa do Mundo impulsiona segmentos voltados à alimentação e à confraternização. A pesquisa da CNDL mostra que as categorias mais procuradas pelos consumidores são:
- Bebidas não alcoólicas (68%);
- Petiscos (62%);
- Vestuário (61%);
- Itens para churrasco (60%); e
- Cervejas (59%).
De olho nesse movimento, a Bio Mundo aposta em snacks saudáveis para quem pretende reunir amigos e familiares durante os jogos.
Os produtos a granel são o principal destaque desta edição da Copa do Mundo, segundo Edmar Mothé, fundador da rede.
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“O carro-chefe deste ano são os snacks saudáveis a granel, especialmente por unirem três atributos muito valorizados pelo consumidor nesse período: praticidade, variedade e sabor”, afirma.
Entre as opções oferecidas estão: milho torrado com mostarda e mel; ervilha com wasabi; chips de mandioca e de vegetais; mix de castanhas; frutas secas; e drageados com chocolate saudável.
A rede também reforçou o portfólio de bebidas, incluindo energéticos sem açúcar, sucos naturais, mate com limão e refrigerantes orgânicos. Outra aposta é a parceria com a Stanley, com uma linha de copos e itens de hidratação que podem ser personalizados com acessórios temáticos.
A expectativa da empresa é registrar crescimento de aproximadamente 10% nas vendas desses produtos nos dias de jogos.
Compras de última hora desafiam o varejo
Uma das principais diferenças em relação às Copas do Mundo anteriores está na forma como o consumidor planeja suas compras, de acordo com Tobias.
“Hoje ele é mais imediatista, mais conectado e decide a compra muito perto do momento do consumo. Antigamente as pessoas planejavam a Copa com antecedência. Agora, boa parte deixa para comprar na semana do jogo ou muitas vezes no próprio dia”, explica.
Esse comportamento levou o comércio a adaptar suas estratégias. As lojas físicas passaram a funcionar também como espaços de experiência e retirada rápida, enquanto ferramentas como WhatsApp ganharam papel central na divulgação de produtos e promoções.
A expectativa para esta edição, segundo o especialista, é positiva. Diferentemente da Copa do Mundo realizada no Catar, que disputou atenção com Black Friday e Natal, o torneio deste ano encontra um cenário mais favorável ao consumo temático.
Vitrines e campanhas temáticas chegaram mais perto dos jogos
O varejo ficou mais cauteloso com investimentos antecipados, na avaliação de Tobias. Segundo ele, hoje o lojista tenta equilibrar várias datas comemorativas ao mesmo tempo e evita transformar a loja cedo demais.
“Por isso, a ativação visual mais forte começou nas últimas semanas, especialmente após a convocação oficial da seleção. As vitrines ficaram mais híbridas, misturando elementos de Copa do Mundo, festas juninas e até campanhas românticas do Dia dos Namorados”, diz ele.
O varejo está mais estratégico e menos impulsivo do que em outras edições.
Consumidor está cauteloso, mas não deixa de comprar
A instabilidade no cenário econômico também vem refletindo na decisão de compra do consumidor. “Eles continuam cautelosos, mas não desistiram de participar emocionalmente da Copa do Mundo. O que mudou foi a forma de consumir”, pontua Tobias.
Hoje, segundo o especialista, há muito mais pesquisa de preço e comparação, e o brasileiro tenta equilibrar lazer e responsabilidade com suas finanças.
Por isso, o comércio popular ganha força. “Muitas pessoas procuram alternativas mais acessíveis para entrar no clima da Copa do Mundo sem comprometer o orçamento. O consumo ficou mais racional, mas o desejo de celebração continua muito presente”, afirma o especialista.
Apelo emocional da Copa do Mundo estimula vendas
Para Tobias, porém, a Copa do Mundo tem um componente emocional muito poderoso no Brasil. “Ela movimenta não apenas compras, mas encontros, celebrações e experiências coletivas”, afirma.
Entre bandeirinhas, camisas, petiscos e itens de decoração, a expectativa do comércio é que o apelo emocional da Copa do Mundo volte a impulsionar as vendas. Mais do que comprar produtos, o consumidor busca criar experiências para reunir amigos e familiares durante os jogos da seleção brasileira.
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IMAGEM: Rubens Cavallari/Folhapress

