Crise se alastra para o comércio do interior paulista
Resistindo ao clima de recessão até o fim de 2015, varejo do Estado abriu o ano com queda em todos os setores, de acordo com levantamento da ACSP

O primeiro mês do ano confirmou um movimento de queda também no varejo do interior de São Paulo, de acordo com a pesquisa ACVarejo, realizada pela ACSP (Associação Comercial de São Paulo). As baixas que já vinham se repetindo mês a mês na capital, e sendo sentidas em algumas regiões do Estado, se espalhou por todas as regiões.
Em janeiro, o faturamento nominal do varejo restrito (sem automóveis e material de construção) do Estado de São Paulo caiu 6,0%, em relação a igual mês de 2015. Enquanto, no caso do varejo ampliado (incluindo concessionárias de veículos e lojas de material de construção), a retração foi de 8,3%.
Durante esse mesmo período, o volume de vendas total do varejo registrado no Estado teve forte contração de 18,1%.
“A pesquisa indica que deverá haver um aprofundamento nas quedas das vendas pelo menos até o primeiro semestre. A crise político-econômica faz com que a confiança do consumidor fique cada vez menor e, portanto, sua disposição para comprar fica bastante comprometida”, afirma Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).
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Na comparação com o mesmo mês do ano passado, os segmentos mais afetados, de acordo com o estudo, foram as concessionárias de veículos (-26,4%), lojas de eletrodomésticos e eletrônicos e lojas de departamentos (-26,2%), e lojas de material de construção (-23,7%).
A dependência da disponibilidade de produtos nas lojas e de melhores condições de crédito ao consumidor impacta nas vendas dos artigos de maior preço.
O resultado do varejo paulista nesse início de ano continua a sinalizar o aprofundamento da queda do volume de vendas pelo menos até o primeiro semestre, de acordo com Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da ACSP.
"Nosso modelo de projeção, com base no índice de confiança, consegue antecipar a tendência do varejo em até cinco meses, ou seja, se a confiança cair em março, podemos dizer que até agosto teremos um efeito de redução no consumo."
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O economista explica que a progressiva piora das condições financeiras e a sensação de insegurança no emprego continuam a provocar quedas recordes na confiança do consumidor, e, portanto, em sua disposição para comprar durante os próximos meses.
REGIÕES
No contexto regional, a queda atingiu a todas as Regiões Administrativas (RAs) - uma divisão feita pelo Estado para facilitar a administração, alcançando, inclusive, a RA-03 (Região Metropolitana Alto do Tietê), onde a cidade de Guarulhos vinha apresentando bons números de crescimento.
O economista afirma que a queda já era esperada devido ao mau momento enfrentado pelo varejo. "A baixa do Alto Tietê segue o padrão porque não estamos somente com uma crise na indústria. O comércio também está em crise."
São Paulo sentiu os efeitos da recessão primeiro porque as demissões da indústria refletiram em outros setores. No entanto, mesmo com a grande influência da agroindústria, o aumento do coeficiente de industrialização no interior traz a mesma tendência da capital para essas regiões.
CAPITAL
Na capital, a receita nominal do varejo restrito diminuiu em 3,3%, frente a janeiro de 2015. Na análise geral do varejo ampliado, a queda foi de 6,7%, na mesma base de comparação.
Já o volume de vendas (faturamento corrigido pela inflação) do comércio restrito e ampliado registrados na capital mostraram reduções de 15,4% e 16,5%, respectivamente.
Na mesma direção do interior, os principais setores que registraram quedas mais acentuadas foram as concessionárias de veículos (-25,6%), lojas de departamento, eletrodomésticos e eletroeletrônicos (-25,7%), lojas de material de construção (-24,5%) e lojas de móveis e decorações (-20,6%).
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