Evasão fiscal atrasa avanços sociais no Brasil e países latinos
Entre as empresas privadas, a perda de arrecadação corresponde a um terço do que deveria ser pago, alerta a ONU. Regularização fiscal poderia elevar em 4% o PIB da América Latina

A evasão fiscal de empresas brasileiras chega a 27% do total que o setor privado deveria pagar em impostos no país. O alerta faz parte do informe anual da ONU. Na América Latina como um todo, o documento estima que a perda de arrecadação chegue a US$ 350 bilhões.
Na avaliação da entidade, para que os ganhos sociais possam ocorrer até 2030, os governos latino-americanos terão de investir mais.
E, para isso, precisarão elevar sua capacidade de arrecadação. Em alguns países da região, porém, a receita com impostos ainda representa menos de 20% do PIB.
Ainda que a evasão fiscal não seja uma exclusividade latino-americana, a ONU destaca que o fenômeno na região impede que governos tenham acesso a recursos que poderiam ser usados para financiar serviços públicos.
"Países da América Latina em média coletam apenas 50% da receita que seus sistemas tributários deveriam teoricamente gerar", alertou.
"No imposto de renda pessoal, a evasão varia de 33% no Peru a 70% na Guatemala", explicou a ONU. "A evasão dos impostos sobre empresas também varia entre 27% no Brasil para mais de 50% na Costa Rica ou Equador", indicou.
Apenas com essas duas taxas, a América Latina poderia garantir uma receita de US$ 220 bilhões, 4% do PIB regional.
Imagem: ThinkStock

