Jorge Bischoff muda o passo e transforma grife de calçados em plataforma de lifestyle

Marca gaúcha projeta novos negócios em hotelaria e no mercado imobiliário para fortalecer presença no varejo premium e estar em todos os momentos da vida da cliente

Karina Lignelli
11/Abr/2026
  • btn-whatsapp
Jorge Bischoff muda o passo e transforma grife de calçados em plataforma de lifestyle

Com mais de 20 anos de história, sendo pelo menos dez deles no mercado de franquias, a marca gaúcha Jorge Bischoff passa por um momento de amadurecimento significativo em seu modelo de negócio, que cresceu 21% em faturamento em 2025. 

O negócio, que começou a partir da fabricação de sapatos e bolsas em Igrejinha, no interior do Rio Grande do Sul, evoluiu para um ecossistema de lifestyle que vende cerca de 2 milhões de produtos por ano, "acompanhando a consumidora em diversos momentos da sua vida", diz o empresário Jorge Bischoff. 

Ou 'sapateiro', como gosta de se autodenominar, criador da marca de luxo que leva seu nome, está presente em 600 pontos de venda no Brasil, sendo 147 lojas franqueadas, e em 60 países.  

"Desde um sapato para casamento de luxo legítimo, de píton, ou um sapato para o dia a dia, um tênis bacana ou uma sandália flat para usar na piscina ou na praia, o mix cresceu muito, assim como o de bolsas e acessórios", conta. "Nesse caminho, entramos também com a nossa linha de malas de bordo, e depois com a linha de aromas." Tudo isso "by Jorge Bischoff".

Mas a transição para uma marca de lifestyle ganhou força nos últimos seis anos impulsionada pela diversificação estratégica do mix de produtos. Segundo Jorge, que também é CEO do grupo, essa mudança foi natural. "O sapateiro não deixou de ser sapateiro. A paixão que as pessoas têm pela marca veio em função disso, se expandiu e alcançou horizontes muito maiores."

Outro dos pilares da transição e diversificação do mix foi a linha de vinhos e espumantes, a Bischoff Wines, iniciada em 2017 no Vale de Uco, em Mendoza (Argentina), reconhecido por vinhos de altitude. A seleção, que inclui Authentic Malbec, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir e o branco Blend de Blancs, também tem espumantes elaborados em Pinto Bandeira, na Serra Gaúcha.

A marca de vinhos, que no princípio eram servidos apenas para as clientes nas lojas como cortesia, hoje comercializa 30 mil garrafas por ano e tornou-se um ativo estratégico de imagem. O produto foi ganhando popularidade e levou a marca até a montar um charmoso bar no segundo andar de sua loja-conceito, em Gramado, também na Serra Gaúcha. E, recentemente, por demanda da própria clientela, a equipar lojas franqueadas com mini-adegas para conservar e comercializar a bebida. 

A estratégia contribuiu diretamente para gerar valor extra para a grife de moda, destaca Jorge. "O vinho trouxe uma exposição da marca muito grande por se tratar de produto muito bacana, bem produzido e que gera sempre comentários positivos", afirma. Para 2026, a projeção para essa frente de negócios do Bischoff Group é de crescimento superior a 50%.

Mas a diversificação não para por aí. Recentemente, a grife lançou uma linha de óculos de sol que rapidamente se tornou um fenômeno de vendas e esgotou a primeira edição, conforme conta (a segunda estará nas lojas em breve), com planos de expandir para uma linha de óculos de grau ainda este ano. E tudo com a "cara da Jorge", segundo o empresário, desenvolvido "exatamente no padrão visual das grandes marcas europeias."

O portfólio agora conta até com uma coleção de vestuário em couro, composta por casacos, blazers e capas de alto padrão, apresentada na última convenção de franqueados da marca, em janeiro. "É um posicionamento novo, elas chegarão nas unidades até o final de março. Algumas lojas estratégicas já devem estar até recebendo (as novas peças)." 

Focado principalmente na gestão da marca, o Bischoff Group, que inclui a grife Loucos & Santos - que, segundo Jorge, passa por um momento de transição e acaba de ser pausada temporariamente -, terceiriza a produção física para manter agilidade no desenvolvimento criativo e de novos conceitos. A estratégia é criar um domínio completo do estilo de vida da cliente, permitindo que possa viajar com a mala da marca, usar casaco, óculos, chapéu, sapato e ainda consumir o vinho da grife.

“Cada extensão da Jorge Bischoff é pensada como parte de um ecossistema de lifestyle”, reforça. 

Detalhe do bar que serve os vinhos da marca na loja-conceito em Gramado: valor extra para a grife de moda 


Expansão acelerada e (mais) novos negócios

Com mais franquias capilarizadas pelo Brasil e presença no exterior, a marca procura manter um ritmo forte de expansão. No mercado internacional, a Jorge Bischoff optou por um modelo de lojas licenciadas em locais como Equador e África do Sul, replicando fielmente a experiência brasileira, mas "sem as amarras tributárias do franchising tradicional." 

Com cerca de oito lojas próprias além das franquias, e presente em mais de 450 pontos de venda multimarcas, a expectativa da Jorge Bischoff é abrir pelo menos mais 20 novas lojas este ano. E sempre pelo sistema de franchising, que responde por mais de 60% da distribuição dos produtos da marca. "A ideia não é ter mais lojas próprias. Eu acho extremamente importante (ser via franchising) porque o grande segredo do franqueado é o relacionamento dele com a sociedade, com a comunidade, com o público local. Isso acrescenta e contribui muito para o desenvolvimento e o sucesso da operação", acredita o empresário.

Nos últimos dois anos, a rede de franquias tem intensificado sua expansão para cidades de menor porte, com destaque para as ligadas ao agronegócio, como Luís Eduardo Magalhães (BA), Boa Vista (RR), Porto Velho (RO), Campo Grande (MS) e São José do Rio Preto (SP), refletindo "a descentralização do consumo e o crescimento econômico do interior do país", diz.

Já o planejamento estratégico para os próximos cinco anos foca em novos negócios que reforcem o posicionamento de lifestyle do Bischoff Group: estão no radar parcerias com grupos hoteleiros para lançar hotéis com a assinatura da grife, além de projetos já avançados para "assinar" prédios de alto padrão em Gramado e na Praia Brava, em Santa Catarina. 

Sem revelar números, Jorge explica que, devido ao modelo de faturamento direto da indústria ao franqueado, a métrica mais fiel para o grupo é o percentual de crescimento, e que para 2026 a projeção é de alta de 15% no faturamento.  

Mantendo a gestão estritamente familiar e sem investidores externos, segundo o CEO, a empresa se autofinancia e reinveste os lucros enquanto amplia seus horizontes. E complementa que, para os próximos cinco anos, a maior fatia virá da diversificação.

"Dentro desse planejamento, o maior crescimento será em cima de novos negócios, novas oportunidades. De uma exposição da marca em áreas diferentes e diferenciadas e construindo o posicionamento de marca de lifestyle."

Mas o principal para Jorge, originalmente um modelista de sapatos que começou cedo a trabalhar nas fábricas do polo calçadista de Novo Hamburgo, é ter consolidado uma marca de luxo acessível que oferece experiências e conexão emocional. E que já levou até muitas de suas clientes a pedirem seu autógrafo no sapato em eventos da grife. "Porque o objetivo da Jorge é um só: participar da vida da consumidora no momento que for necessário", conclui o empresário.  

Loja do Iguatemi: mix oferece produtos para que marca participe da vida consumidora  


LEIA MAIS: 

Designer investe para calçar os pés da mulher norte-americana 

Uma receita para seguir: inovação dribla a crise no mercado de calçados

IMAGEM: STF Studio

O Diário do Comércio permite a cópia e republicação deste conteúdo acompanhado do link original desta página.
Para mais detalhes, nosso contato é redacao@dcomercio.com.br .

 

Store in Store

Carga Pesada