Juros e avanço do digital levam fabricante de brinquedos Estrela a pedir recuperação judicial

Fabricante de clássicos como Banco Imobiliário, Autorama e Genius alega necessidade de reestruturação do passivo após enfrentar queda no consumo de brinquedos tradicionais, concorrência de importados e mudanças de comportamento infantil

Estadão Conteúdo
20/Mai/2026
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Juros e avanço do digital levam fabricante de brinquedos Estrela a pedir recuperação judicial

A tradicional fabricante de brinquedos Estrela entrou com pedido de recuperação judicial, nesta quarta-feira (20/05), alegando necessidade de reestruturação do passivo do grupo, em meio à combinação de juros elevados, crédito mais restrito e mudanças no consumo infantil, cada vez mais pressionado por plataformas digitais e jogos online.

Em fato relevante divulgado ao mercado, a empresa afirmou que manterá as operações industriais, comerciais e administrativas durante o processo. Fundada em 1937, a Estrela atravessou décadas como uma das marcas mais conhecidas da indústria nacional de brinquedos e ajudou a moldar o imaginário infantil de diferentes gerações de brasileiros.

A empresa começou como uma pequena fábrica de bonecas de pano e carrinhos de madeira e se transformou, ao longo do século 20, em um dos maiores símbolos do setor no país. Foi também uma das primeiras companhias brasileiras a abrir capital, em 1944.

Ao longo de sua trajetória, a Estrela lançou produtos que se tornaram praticamente sinônimos de categorias inteiras no mercado brasileiro, como o Banco Imobiliário, criado nos anos 1940, o Autorama, nos anos 1960, e o Genius, apresentado nos anos 1980 como o primeiro brinquedo eletrônico do país.

A companhia também marcou época com brinquedos como Falcon, Comandos em Ação, Susi, Topo Gigio, Aquaplay, Fofolete, Ferrorama, Super  Massa e bonecas como Gui Gui, Mãezinha e Moranguinho. Em diferentes momentos, a fabricante apostou em licenças de personagens de TV, cultura pop e até influenciadores digitais para tentar acompanhar mudanças de comportamento das crianças.

Nos anos 2000 e 2010, a buscou modernizar clássicos, incorporando tecnologia a jogos tradicionais e ampliando a atuação em brinquedos colecionáveis e licenciados. Ainda assim, a companhia enfrentou dificuldades para competir com produtos importados baratos e, mais recentemente, com o avanço dos jogos digitais, redes sociais e plataformas de entretenimento online.

Hoje, a Estrela mantém escritório central em São Paulo e fábricas no interior paulista, em Minas Gerais e Sergipe. 

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IMAGEM: Divulgação

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