Metade da população adulta está endividada, diz estudo

Levantamento da Serasa Experian em parceria com o Opinion Box aponta que 82,8 milhões estão inadimplentes e acumulam mais de R$ 557 bilhões em dívidas no país. Cartão de crédito responde por 73% do endividamento

Ubirajara Rodrigues, de Brasília
05/Mai/2026
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Metade da população adulta está endividada, diz estudo

Uma pesquisa inédita aponta que 82,8 milhões de brasileiros economicamente ativos são inadimplentes, 1,35% a mais na comparação com fevereiro deste ano. O número corresponde a 49% da população adulta do país.

Ao todo, esse contingente acumula 338,2 milhões de dívidas, que totalizam mais de meio trilhão de reais (R$ 557 bilhões). 

Divulgado nesta terça-feira (05/05), o levantamento, realizado pela Serasa em parceria com o instituto Opinion Box, mostra que a média de cada dívida é de R$ 1,6 mil. Já o valor médio por pessoa chega a R$ 6,7 mil - o que representa cerca de quatro dívidas por consumidor.

De acordo com os dados, quase metade das dívidas (47%) está concentrada no setor financeiro, sendo 27,3% com cartão de crédito de bancos e 20,2% com financeiras - portanto, os “carros-chefe” do endividamento.

Ainda sobre os segmentos que concentram dívidas, contas básicas como as de água, luz e gás perfazem 21% do total do endividamento, enquanto 11,5% são relacionadas a serviços.

A diretora da Serasa Experian, Aline Maciel, chama a atenção para o fato de que, em muitos casos, o consumidor acaba aderindo ao uso do crédito como incremento do salário mensal.

Neste ponto, é necessário haver educação financeira do brasileiro para lidar com o endividamento e a resolução de problemas financeiros. “O pagamento de dívida sem educação financeira não é mais suficiente porque o consumidor vai voltar a se endividar”, afirma.

Principais motivos

Segundo a pesquisa, o endividamento bancário é impulsionado principalmente por fatores externos. De acordo com os dados, o desemprego ou perda de renda é o que mais leva o brasileiro a se endividar (38%).

Entre os principais motivos também estão os gastos de emergência, como cuidados com a saúde e acidentes, que correspondem a 16%. O descontrole ou desorganização financeira respondem por 13%. O apoio a familiares e amigos e o atraso no pagamento de contas básicas representam 10% e 7%, respectivamente.

A principal modalidade de dívida bancária está relacionada ao cartão de crédito (73%). Do total dos inadimplentes neste segmento, 37% devem mais de R$ 10 mil, sendo que 36% convivem com a dívida há mais de 2 anos. As outras modalidades destacadas na pesquisa são o crédito pessoal ou empréstimo bancário (56%) e o uso do limite do cheque especial (33%). Cerca de 50% dos endividados com bancos concentram múltiplas dívidas com a mesma instituição.

O levantamento aponta que 71% dos endividados com bancos já tentaram negociar as contas pendentes, sendo que 45% se sentiriam mais confiantes se houvesse acordo com desconto (69%), redução de juros (64%), parcelamento acessível (58%) e aumento de renda (36%).

Efeito pandêmico

A diretora do Serasa observa que a participação do setor financeiro na inadimplência do consumidor na pré-pandemia era de 38%. Portanto, houve uma subida de 9 pontos percentuais no período.

As informações do levantamento apontam para o fato de que antes da pandemia havia uma distância entre dívidas com bancos e financeiras. Entretanto, com a digitalização dos serviços, especialmente a partir da época da crise sanitária provocada pela covid-19, houve aumento do acesso ao crédito, especialmente de baixa renda.

“O consumidor passa a ter mais acesso ao meio digital, isso facilita para as empresas e as instituições financeiras darem acesso a esse consumidor”, diz Aline, que destaca as classes D e E como as que passaram a ter mais acesso ao crédito de forma digital.

Estudo

A pesquisa foi realizada em abril deste ano, com 1.904 pessoas entrevistadas de todo o país, sendo 56% do sexo masculino e 44% do sexo feminino. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. Quanto ao perfil econômico das pessoas entrevistadas, 41% são de baixa renda, 40% de renda média e 19% de alta renda.

Na distribuição por regiões, 51% dos entrevistados são do Sudeste; 19% do Nordeste; 13% do Sul; 11% do Centro-Oeste; e 6% do Norte.

 

IMAGEM: Freepik

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