No caminho para a desaceleração, inflação ainda está elevada
O recuo dependerá crucialmente da redução da pressão do gasto público sobre as despesas totais, segundo economistas da Associação Comercial de São Paulo

Os índices de preços em maio indicam que a inflação caminha para a desaceleração, com os principais deles em um dígito no acumulado de 12 meses - como é o caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) e do IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor da Fipe). Apesar de um horizonte melhor, os índices ainda se encontram em patamar muito elevado.
Para os próximos meses, o mercado continua apostando na desaceleração da inflação, devido principalmente aos efeitos da recessão e da menor taxa de câmbio, que passará a flutuar mais livremente.
Na avaliação dos economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a rapidez dessa desaceleração dependerá crucialmente da redução da pressão do gasto público sobre as despesas totais, sendo esta a única forma de viabilizar a redução da taxa de juros ao longo dos próximos meses, principalmente após a mudança de comando no Banco Central, que deverá reforçar o compromisso de levar a inflação à meta anual de 4,5%.
Em maio, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, voltou a acelerar em maio, mostrando elevação de 0,78%, frente a 0,61% registrado em abril.
Do mesmo modo, nos últimos doze meses terminados em maio, o índice também mostrou aceleração, ao apresentar alta de 9,32%, levemente superior à taxa observada para o mês de abril, na mesma base de comparação (9,28%), porém mantendo a inflação em termos “anualizados” muito acima do limite máximo de tolerância da meta anual de inflação (6,5%).
No resultado mensal, pesou o fim do incentivo à redução do consumo de água em São Paulo, que significou um aumento de tarifa de 41,9%, enquanto houve descompressão por parte do preço dos alimentos, cujo aumento passou de 1,09% em abril para 0,78%.
Outro índice teve aceleração em maio foi o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), cuja variação entre abril e maio saltou de 0,36% para 1,13%, contribuindo para aumentar o resultado em 12 meses de 10,46% para 11,26%, respectivamente.
Neste caso, o grande responsável pelo maior IGP-DI foi o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), seu principal componente, que captou a alta dos preços no atacado da soja e do milho e a elevação do câmbio durante o mês passado, que afeta diretamente o custo dos fertilizantes importados.
Desse modo, a alta dos preços das matérias primas agrícolas (IPA AGRO), somente em maio alcançou a 3,31% e em 12 meses a impressionante taxa de 24,56%, o maior valor desde abril de 2011 (25,51%).
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