Queda da renda média deixa consumo ainda mais pessimista
Segundo Seade, renda média real de ocupados recua 1,5% em junho, e dos assalariados 0,4% no mesmo período, caindo para R$ 1.953,00

O rendimento médio real dos ocupados na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) caiu 1,5% em junho ante maio, para R$ 1.928. E a renda média real dos assalariados, por sua vez, recuou 0,4% no período, para R$ 1.953,00. Os dados fazem parte da PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego da Fundação Seade e do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
Para Emilio Alfieri, economista da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), os números têm relação com o IMC (Índice de Movimento do Comércio a Prazo) da primeira quinzena de agosto, que teve queda de 7,4%.
“A perspectiva é que esses 7,4% de agosto não tenha melhora significativa no resulto do mês fechado. Além disso, o adiamento da primeira parcela do 13% pode deixar muita gente inadimplente. Pois, o consumidor pode ter gasto contando com um valor que não terá”.
Alfieri explica que o movimento cíclico da economia mostra que ainda não atingimos o ponto mínimo. Para ele, a impressão é que os números de agosto serão os piores desde a crise de 2009.
“Temos que aguardar setembro para saber se daí pra frente, mesmo abaixo da linha do zero, estaremos com menor queda, mesmo estando negativo. Pois, se você cai menos você já sinaliza para recuperação”, diz. “O fato é que aparentemente a crise ainda não chegou ao fundo do poço.”
Alfiere também esclarece que é impossível afirmar que a crise depende somente de fatores internos, ou externos. Para ele, tudo leva a crer que os dois componentes estão presentes, e são importantes para a recuperação do Brasil.
“Mas já tivemos taxas muito piores, por exemplo na crise de 2009, com queda de 17% no IMC. No entanto, daquela vez a situação fiscal era mais favorável, e o governo tinha recursos com a situação macroeconômica do Brasil muito mais sólida. Hoje, usamos todas as reservas e acabou o dinheiro.”
No entanto, Alfieri afirma que estamos mais experientes, que o varejo está muito bem preparado. “Na crise de 1999, por exemplo, a Mesbla e o Mappin quebraram e teve que chamar o FMI. Hoje, as principais cadeias estão internacionalizadas”, diz. “O consumidor também está mais cauteloso porque caiu bem a confiança dele.”
COMPARAÇÃO
De acordo com a Fundação Seade, a retração da renda média real se deu em decorrência de quedas nos rendimentos médios e no nível de ocupação. Na passagem de maio para junho, a massa de rendimentos dos ocupados recuou 1,8%, enquanto a dos assalariados caiu 1,1%.
Na comparação com junho de 2014, houve quedas dos rendimentos médios reais dos ocupados e dos assalariados, de 6,0% e 5,0%, respectivamente. Com isso, as massas de rendimentos de ambos também recuaram: 6,3% e 4,3%, nesta ordem.
De acordo com o relatório, no caso dos ocupados, a queda na massa de rendimento é reflexo, principalmente, da redução do rendimento médio real e, entre os assalariados, exclusivamente devido ao recuo do salário médio real, já que o nível de emprego variou positivamente, observa a instituição.
MAIS PESSIMISMO
De acordo com a FGV (Fundação Getulio Vargas), em agosto, o grau de otimismo dos consumidores na economia para os próximos meses caiu 4,2% ante o mês anterior. O quesito foi a principal influência negativa no Índice de Confiança do Consumidor (ICC), que recuou 1,7% no período, ao menor nível da série histórica, iniciada em setembro de 2005.
O otimismo em relação ao futuro da economia é o menor desde março deste ano e, aos 74,7 pontos, indica que a perspectiva é negativa. Ao todo, 42,7% das famílias preveem piora do cenário (de 41,2% em julho), enquanto 17,4% têm esperanças de melhora (antes, eram 19,2%).
A percepção sobre as finanças da casa tampouco é favorável. O indicador que mede o grau de satisfação dos consumidores com a situação financeira familiar atual manteve-se em queda pelo quarto mês consecutivo. Em agosto, o recuo foi de 0,9%. A proporção de consumidores que avaliam a situação do momento como boa aumentou de 14,0% para 14,6%, mas a fatia dos que a consideram ruim subiu com mais força, de 20,0% para 21,4%, o maior nível da série.
Inflação e mercado de trabalho estão no topo das preocupações dos brasileiros. Em agosto, os consumidores declararam esperar inflação de 10,0% nos próximos 12 meses, a maior taxa já registrada na pesquisa. Além disso, 45,0% das famílias preveem maior dificuldade para conseguir emprego nos seis meses seguintes, o segundo maior nível da série, atrás apenas de março deste ano (46,1%).
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