Realismo e crise
"Temos mercado interno robusto, bons empresários, agronegócio de qualidade, cabeças pensantes e experientes na economia e no processo de desenvolvimento"
Não é só o Brasil que vive um momento de tensão, com crise política e problemas nas áreas social e econômica. O fenômeno atinge os povos latinos em geral, na mesma linha cultural do que a nossa.
Na Europa, com eleições este ano na Itália, em Portugal e Espanha, a incerteza vem de partidos novos, indefinidos, mas possivelmente orientados por pensamento radical ou de certa ingenuidade no trato de questões sérias como as relações no mercado internacional.
E isso cria um clima de preocupações e certa imobilidade nos agentes econômicos.
A Argentina, que era um país de referência no continente – com pobres mas não miseráveis, com bom padrão de vida e de educação –, mergulhou nesta crise, com desemprego, problemas no abastecimento e inflação, depois que deixou de pagar dívidas.
Apenas é uma país abençoado pela natureza, tem petróleo (embora já não exporte), uma agricultura e uma pecuária de qualidade e produtividade, bom clima. Assim vem sobrevivendo. Mas a tendência é piorar, em todos os sentidos, ao longo deste ano.
O caso brasileiro é um pouco diferente pelo porte do país em população e a própria economia, que, desde o presidente João Figueiredo, vem oscilando em torno da oitava posição, mas que agora, com a realidade cambial, deve estar entre as dez ou até doze economias.
O México, com governo conservador, estaria já na nossa frente, como é o caso da indústria automobilística em que pela primeira vez passa à nossa frente.
Temos mercado interno robusto, bons empresários, agronegócio de qualidade, cabeças pensantes e experientes na economia e no processo de desenvolvimento.
Precisamos é ter paciência para atravessar um ou dois anos de dieta nos chamados avanços sociais. Distribuir é bom, mas é necessário ter o que distribuir para não agravar a situação dos menos favorecidos.
Houve uma queda na qualidade de nossos empresários e governantes, em todos os níveis nas últimas três décadas. Não se pode negar uma realidade inquestionável para os que vivem nosso momento histórico desde a redemocratização.
O consumismo exacerbado, o fascínio pelo dinheiro, ganho de qualquer forma, domina parte dos grupos que comandam grandes verbas, sejam elas públicas ou privadas. Os aventureiros passaram a ter vez, sempre com grande ousadia.
Logo, é preciso de bom senso, desambição, consciência de que a austeridade é uma necessidade alheia à vontade das famílias e dos governos. Paciência e confiança no amanhã, para que as coisas não fiquem mais complicadas.
Na Argentina, como na Venezuela e no Equador, sabe-se que os mais ricos já estão fora dos seus países – a maioria em Miami, que virou uma espécie de capital da América Latina. Quem vive o sofrimento e as limitações do dia a dia são as classes médias e os trabalhadores.
Vamos parar um minuto que seja para vermos as consequências desses movimentos que exploram as dificuldades e não oferecem alternativas válidas!

