Rita Campagnoli: ‘Ameaça de novo tarifaço esfria negociações com parceiros americanos’

Sobretaxa pode entrar em vigor em 15 de julho e tem como base relatório que aponta práticas brasileiras consideradas desleais, entre elas o uso do Pix

Mariana Missiaggia
02/Jun/2026
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Rita Campagnoli: ‘Ameaça de novo tarifaço esfria negociações com parceiros americanos’

O governo Trump pretende impor um novo tarifaço às importações brasileiras, com sobretaxa que pode chegar a 25%, aplicada a partir de 15 de julho. O anúncio foi feito pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que alega que a medida seria necessária para punir “práticas desleais do Brasil”, como o desmatamento ilegal e o uso do Pix.

O Pix, mais uma vez, é tratado pelo governo norte-americano como uma tecnologia que prejudica as empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como a MasterCard, Visa e WhatsApp Pay.

Segundo Rita Campagnoli, vice-presidente do Conselho Deliberativo do Ceciex e coordenadora do Conselho de Comércio Exterior da SP Chamber, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), embora o cenário envolva um forte debate político, a ameaça de um novo tarifaço cria uma instabilidade profunda nas relações comerciais e um clima de insegurança jurídica, fiscal, tributária e comercial. 

Ela aponta que empresas brasileiras que já estavam com negociações avançadas com parceiros americanos agora enfrentam um cenário de risco, que afeta mais seriamente os pequenos e médios exportadores. Além disso, Rita diz que o posicionamento do governo norte-americano gera temores macroeconômicos, como o receio de impactos inflacionários e o reflexo na projeção de juros futuros, trazendo transtornos generalizados para a economia. 

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Diante da reincidência desse cenário de incertezas, a vice-presidente do Ceciex reforça que o empresariado brasileiro tem sido forçado a adotar medidas de autodefesa. Ela diz que muitas empresas estão revisando seus contratos de exportação de longo prazo, incluindo cláusulas de força maior para evitar arcarem sozinhas com os prejuízos de uma eventual sobretaxa.

“A reversão da escalada protecionista interessa, inclusive, ao próprio mercado americano. Muitas empresas dos Estados Unidos já têm manifestado insatisfação com as medidas, uma vez que a revisão de contratos por parte dos exportadores brasileiros já começou a afetar negativamente o planejamento e o fornecimento de produtos para as companhias americanas.”

Rita também diz que essa dificuldade repetitiva tem impulsionado uma diversificação estratégica positiva, como a busca por novos mercados, com empresas deixando de ser dependentes dos Estados Unidos.

Pix - Outro ponto crítico e gerador de atritos mencionado pela especialista em comércio exterior é o fato de o relatório do governo dos Estados Unidos apontar o Pix como uma ferramenta "discriminatória". Ela rebate a visão de forma enfática, classificando o posicionamento como “fora de sintonia com a realidade global”. 

“O Pix é amplamente reconhecido como uma inovação tecnológica eficiente, que desonera o cidadão e as empresas ao eliminar tarifas bancárias abusivas na realização de pagamentos. Trazer essa pauta como um problema cria um desconforto desnecessário no atual panorama bancário e internacional”, afirma Rita.

 

IMAGEM: Cesar Bruneli/ACSP

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