Serra: economia está pior que na época da superinflação

"A herança que Dilma recebeu do governo Lula foi muito ruim, com desorganização de investimentos, câmbio desvalorizado, entre outros", disse o economista e ministro das Relações Exteriores

Estadão Conteúdo
20/Mai/2016
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Serra: economia está pior que na época da superinflação

O ministro das Relações Exteriores, economista José Serra (PSDB-SP), disse na noite desta quinta-feira (19/05), em palestra proferida no VIII Fórum Nacional de Procuradores do Ministério Público de Contas, no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, que em economia "não adianta discutir o que é vigoroso ou não, pois há muita expectativa sobre os indicadores".

Mas ele afirmou que a situação atual de crise da economia é pior do que na época da superinflação, já que aquele cenário comportava várias ações e no de hoje isso não cabe. "Hoje a situação é mais parecida com camisa de força do que torcida nas gerais do Pacaembu: está bem apertada", comparou.

Ele comentou que a boa política fiscal tem que ser feita quando a economia vai bem. Disse, ainda, que antes de ser ministro pegava no pé sobre o efeito cambial na dívida pública. "Agora só falo de política externa", brincou.

O economista também afirmou que de 90% do déficit nominal são juros, o que evidencia como a política monetária tem implicação fiscal. "Essa é a principal assunto no fiscal: questão da dívida pública", disse.

Serra fez críticas aos governos petistas. "O problema é pisar no acelerador quando a economia vai vem, que foi o caso do governo Lula. A herança que Dilma recebeu do governo Lula foi muito ruim, com desorganização de investimentos, câmbio desvalorizado, entre outros. Claro que depois ela inseriu os seus problemas também", afirmou.

Serra é relator da proposta 84/2007 que define um limite global para a dívida da União. Ele a defendeu, dizendo que a proposta chama a atenção para os fatores de crescimento da dívida e que colocar um mecanismo de estabelecimento de teto para a dívida reforça os diagnósticos imediatos.

"Minha proposta ia ser votada, mas aí, com impeachment, tudo parou. Mas deve ser retomada agora e espero que seja aprovada sem emendas 'criativas'", comentou.

O ministro fez críticas a não penalização de ex-governadores ou ex-prefeitos que não cumpriram a lei de responsabilidade fiscal. "E os Tribunais de Contas dos Estados deveriam se voltar para a questão que é crítica: o que um governo deixa para o outro?", perguntou.

Serra disse ainda que a dívida atual dos Estados e municípios é dramática e que o governo poderia ter implantado a mudança de indexador da dívida e não o fez. "Mas espero que situação dos Estados e municípios possa ser equacionada da melhor maneira possível", declarou.

FOTO: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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