Taxa de desemprego atinge 11,8% no trimestre até outubro

É uma taxa recorde, segundo o IBGE. A renda média real do trabalhador foi de R$ 2.025, queda de 1,3% em relação ao mesmo período do ano anterior

Estadão Conteúdo
29/Nov/2016
  • btn-whatsapp
Taxa de desemprego atinge 11,8% no trimestre até outubro

A taxa de desocupação no Brasil ficou em 11,8% no trimestre encerrado em outubro de 2016, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados na manhã desta terça-feira (29/11), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em igual período do ano passado, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua estava em 8,9%. No trimestre encerrado em setembro deste ano, o resultado ficou em 11,8%.

A população desocupada ficou em 12 milhões de pessoas no trimestre encerrado em outubro deste ano, praticamente o mesmo número do trimestre que acabou em julho de 2016.

O contingente de desocupados é, no entanto, 32,7% maior do que em outubro do ano passado, o que significa que há mais 3 milhões de pessoas procurando emprego sem sucesso.

O contingente de pessoas ocupadas chegou a 89,9 milhões de brasileiros, 0,7% a menos (604 mil pessoas) do que em julho do ano passado e 2,6% a menos (1,3 milhão de pessoas) do que em outubro do ano passado.

O número de empregados com carteira assinada no setor privado, estimado em 34 milhões de pessoas, apresentou quedas de 0,9% em relação a julho deste ano (menos 303 mil pessoas) e de 3,7% (menos 1,3 milhão de pessoas).

RENDA

A renda média real do trabalhador foi de R$ 2.025 no trimestre até outubro de 2016. O resultado representa queda de 1,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A massa de renda real habitual paga aos ocupados somou R$ 177,7 bilhões no trimestre até outubro, queda de 3,2% ante igual período do ano anterior.

LEIA MAIS: Um país com 22,9 milhões de desempregados

Desde janeiro de 2014, o IBGE passou a divulgar a taxa de desocupação em bases trimestrais para todo o território nacional.

A nova pesquisa substitui a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que abrangia apenas as seis principais regiões metropolitanas, e também a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) anual, que produz informações referentes somente ao mês de setembro de cada ano.

DESCONFIGURAÇÃO 

A crise alterou a sazonalidade que marcava o mercado de trabalho, então é possível que a taxa de desemprego não recue no último trimestre conforme o esperado. 

A avaliação é de Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

"Em função da desconfiguração da sazonalidade, apostar em redução na taxa de desocupação no último trimestre fica mais complicado", reconheceu Azeredo.
 
A perda de quase 600 mil postos de trabalho quase no final do ano é o quadro mais alarmante da Pnad Contínua, segundo Azeredo. “O desenho sazonal apontava para outra direção", diz.

Ao mesmo tempo, a população de inativos cresceu em 668 mil pessoas, enquanto a fila do desemprego ficou estatisticamente estável, com 195 mil indivíduos a mais em busca de uma vaga.

"Por que as pessoas estariam sendo demitidas agora? E por que as pessoas que deveriam estar procurando trabalho não foram (atrás de uma vaga)? Isso é uma descontinuidade da sazonalidade do período", lembra o coordenador. 

A desocupação estável dá uma primeira leitura favorável, mas a ocupação cai e a população fora da força de trabalho aumenta.

“As pessoas perderam emprego e não estão procurando trabalho. São pessoas que podem estar desestimuladas a procurar", completa

Azeredo diz que os trabalhadores demitidos podem ainda não ter tido tempo de buscar outra vaga, mas confirma que a estabilidade no total de desempregados tem indícios de desalento. 

Segundo ele, o desalento - quando uma pessoa não busca uma vaga porque acredita que não conseguiria encontrar emprego - é um fenômeno característico de períodos de crise.

A população inativa alcançou patamar recorde de 64,727 milhões de pessoas no trimestre encerrado em outubro. Em relação ao mesmo trimestre de 2015, a inatividade cresceu 2,3%, 1,462 milhão de pessoas a mais fora da força de trabalho. 

Já a população ocupada caiu 2,6%, a maior queda já registrada pela série histórica iniciada em 2012 na Pnad Contínua, com 2,402 milhões de vagas eliminadas.

"O mercado de trabalho em pleno trimestre terminado em outubro, às vésperas de fechar o ano, tem uma situação desfavorável", avaliou Azeredo.

*Com informações da Agência Brasil

 

IMAGEM: Thinkstock  /  *Atualizado às 17h     

O Diário do Comércio permite a cópia e republicação deste conteúdo acompanhado do link original desta página.
Para mais detalhes, nosso contato é redacao@dcomercio.com.br .

 

Store in Store

Carga Pesada