Timbaúba lança bebidas com menos açúcar e prevê faturar R$ 500 milhões até 2030
Nova linha de refrescos Gushy faz parte da estratégia de expansão nacional da fabricante de sucos, que prevê investimentos de R$ 100 milhões em tecnologia, produtividade e ampliação das exportações

A Timbaúba, empresa de produção de sucos integrais, está diversificando seu portfólio ao apresentar uma nova linha de sucos à base de frutas com menor teor de açúcar. O lançamento faz parte da estratégia da empresa de expandir sua atuação em todo o território nacional.
A empresa tem como objetivo alcançar faturamento de R$ 210 milhões em 2026 e atingir R$ 500 milhões até 2030, sendo que a nova linha Gushy irá representar 30% do faturamento em cinco anos. A marca investiu R$ 10 milhões no novo negócio, que deve representar 5% do faturamento já em 2026. “Estamos crescendo em torno de 30% por ano, projetando crescimento de 22% em 2026 e cerca de 18% nos próximos quatro anos”, disse Sydney Pereira, presidente da Timbaúba S.A., ao Diário do Comércio durante a feira supermercadista Apas Show.
Por ser uma categoria de entrada no mercado e por possuir um preço competitivo, voltado às classes C, D e E, a empresa enxerga na bebida uma forma de expandir mais rapidamente no mercado interno. Com a nova linha, a companhia espera alcançar de 5% a 10% do segmento de refrescos no Brasil. Além disso, a empresa vê uma oportunidade de exportação para países da América do Sul e da África.
Além disso, a linha representa uma forma de a empresa investir em um segmento que vem crescendo no mercado, com menor teor de açúcar. Segundo Pereira, a nova linha possui de 25% a 30% menos açúcar em comparação com a média da categoria.
“É uma estratégia de ampliação geográfica e de aumento da presença em mais redes. Queremos ampliar nossa participação no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Outro ponto é expandir nosso portfólio. Nós queremos ser grandes e, para isso, é preciso estar em todas as categorias”, diz Pereira.
Para alcançar o faturamento de R$ 500 milhões, a empresa irá investir R$ 100 milhões em tecnologia, eficiência operacional e produtividade. Hoje, por exemplo, todo o processo de colheita é feito por máquinas, enquanto o monitoramento e a pulverização são realizados por drones conectados à inteligência artificial. “O drone de monitoramento sobrevoa a fazenda, detecta alguma área com alteração nas folhas e alerta o drone de pulverização, que vai até o local para impedir que a situação se espalhe pela plantação”, afirma.
A verticalização de toda a cadeia produtiva da empresa também é uma ferramenta fundamental para essa expansão. Atualmente, a empresa é responsável por etapas que vão desde a plantação das frutas até o produto final, conseguindo ser mais competitiva e menos dependente das variações do mercado e de terceiros. A indústria no Vale do São Francisco já fornece uva, coco e açaí, enquanto produtos como maçã e laranja são comprados de outros fornecedores.
“A ideia é que entre 40% e 50% da matéria-prima seja de produção própria e o restante adquirido de terceiros, garantindo maior controle sobre o custo de produção. Isso faz com que sejamos mais competitivos”, diz Pereira.
Atualmente, 70% do volume de produção é direcionado ao varejo médio e grande como supermercados e atacados. A empresa também busca expandir sua atuação no canal de distribuição, que hoje representa cerca de 15% a 20% do volume total e que, nos próximos cinco anos, deve representar 50% do volume.
Além de trabalhar com marca própria, a empresa também desenvolve sucos para outras varejistas, como o Sam’s Club. “Produzimos água de coco para o Zaffari, no Rio Grande do Sul. Isso também fortalece nossa parceria com as varejistas, pois temos a oportunidade de atuar tanto com a marca própria delas quanto com a nossa”, afirma.
Além dos refrescos, a empresa pretende expandir sua atuação para o mercado de chás, isotônicos desenvolvidos com produtos naturais e, futuramente, bebidas proteicas.
Mercado internacional
Parte desse crescimento do faturamento também está ligada à expansão das exportações. A empresa iniciou a exportação dos produtos há cerca de dois anos para países como Japão e China, além dos Estados Unidos, estando presente em 13 países. Atualmente, essas exportações representam 5% do faturamento. A expectativa é que, até o final do ano, elas representem 10% do faturamento e alcancem 26% até 2030.
Segundo Pereira, o acordo entre Mercosul e União Europeia pode auxiliar nesse aumento das exportações. De acordo com ele, as tarifas para uva já zeraram, e a tendência é que o mesmo ocorra com o suco de uva, permitindo que a empresa se torne mais competitiva no continente. Com isso, a expectativa é que 20% das exportações venham da Europa. Além do continente europeu, a empresa também pretende ampliar o volume de exportações para o Japão, considerado uma porta de entrada para outros países da Ásia.
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