Varejo da capital paulista retomou o fôlego em junho

As vendas melhoraram impulsionadas pelo efeito calendário e pelo frio, que ajudou o comércio a desovar os estoques de roupas. Mas a queda no acumulado do ano ainda foi de 11,1%

Renato Carbonari Ibelli
01/Jul/2016
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Varejo da capital paulista retomou o fôlego em junho

As vendas do varejo da capital paulista recuaram 1,5% em junho, na comparação com igual mês do ano passado. O resultado, embora negativo, mostra uma forte redução na desaceleração das vendas. Em maio, também na comparação interanual, a queda havia sido de 13,8%. Os números são da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)

O frio ajudou o comércio a desovar seus estoques em junho, estimulando as vendas de roupas, calçados e também de itens de maior valor agregado, como aquecedores elétricos e chuveiros mais potentes. Mas a ACSP é cautelosa em projetar essa recuperação para os meses seguintes. O ano deve fechar com queda considerável.

“A melhora no mês de junho é alentadora, já que isso pode sinalizar para uma recuperação no segundo semestre. Embora não tenhamos um ano positivo, é bem provável que as quedas diminuam até o fim do ano”, diz Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

Segundo ele, maio foi um mês forte para o varejo, em especial por causa do Dia das Mães, a segunda principal data do varejo. "Contudo, neste ano, o feriado de Corpus Christi caiu justamente em maio, o que prejudicou um pouco o desempenho do mês. Somando-se a isso o fato de que junho também teve um dia útil a mais do que maio e fortes quedas nas temperaturas, chegamos a esse resultado positivo de junho”, diz Burti.

O resultado acumulado no primeiro semestre mostra um recuo de 11,1% nas vendas do varejo paulistano, na comparação com os seis primeiros meses de 2015. Trata-se de uma queda maior do que a registrada em igual período de 2009, no auge da crise financeira internacional. À época, os dados da ACSP mostravam um recuo de 7,7%.

Em 2009 o varejo conseguiu recuperar um pouco do terreno perdido no segundo semestre, fechando aquele ano com queda de 4,1% nas vendas. A expectativa de Emílio Alfieri, economista da ACSP, para 2016 são mais conservadoras, embora ele ainda não arrisque um resultado.

Segundo o economista, são dois momentos completamente distintos. “Em 2009, a massa salarial e o emprego cresciam. Já a realidade atual é outra, de desemprego crescente e recuo na renda da população”, diz Alfieri. 

A queda de 11,1% no primeiro semestre foi puxada pelo redução nas vendas à vista, que costumam ser de itens de menor valor. Essa modalidade de venda caiu 15,2% no período, enquanto o recuo das vendas a prazo foi menor, de 7%. 

Para o economista da ACSP, a retração mais forte das vendas à vista mostra que “realmente falta dinheiro na mão do consumidor.” 

Na comparação interanual o comportamento é parecido, com as vendas a prazo avançando 1,6% em junho – a primeira alta em 14 meses - enquanto as vendas à vista recuaram 4,6%.

 

IMAGEM: Thinkstock

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