Varejo paulistano tem queda de 13,9% no bimestre

Números divulgados pela Associação Comercial de São Paulo (ASCP) mostram que a crise se aprofundou neste início de ano

Renato Carbonari Ibelli
01/Mar/2016
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Varejo paulistano tem queda de 13,9% no bimestre

Os dois primeiros meses de 2016 sinalizam que este tende a ser um ano difícil para o comerciante da cidade de São Paulo. No primeiro bimestre, as vendas do varejo acumularam queda de 13,9% quando comparadas a igual período do ano passado. Em 2015, ano que também começou ruim para o setor, o recuo havia sido bem menor, de 6,2%. 

Os dados fazem parte do Balanço de Vendas divulgado nesta terça-feira (1/03) pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

De acordo com o presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais de São Paulo (ACSP), Alencar Burti, os números indicam um aprofundamento da crise. "A recessão está muito forte. Uma possível recuperação depende diretamente da melhora do cenário político e econômico", afirma Burti.

Os números deste início de ano mostram um comportamento curioso por parte do consumidor. Embora o crédito esteja restrito e caro e o receio de endividamento coloque o comprador da defensiva, as vendas a prazo – que costumam ser de maior valor – estão caindo menos do que aquelas à vista.

No bimestre, enquanto as vendas a prazo recuaram 11,2%, as vendas à vista despencaram 16,6%, o que resultou na queda média de 13,9%. Essa dinâmica se mantém na comparação entre fevereiro deste ano contra fevereiro de 2015, com as vendas a prazo recuando 3,6% e aquelas à vista caindo 13,7%.  

Para Emílio Alfieri, economista da ACSP, os fatores clima e cotação do dólar estão por trás desse comportamento.

“Geralmente o que puxa as vendas à vista são vestuários e calçados. Como o ano começou chuvoso, o consumidor não está renovando o guarda-roupa para o verão. Além disso, são segmentos que importam muito, e o dólar tem deixado tudo mais caro”, disse o economista.

Em meio aos números negativos trazidos pelo balanço da ACSP é possível encontrar algo que tende para o lado positivo.

Comparando as vendas realizadas pelo varejo paulistano em fevereiro com aquelas de janeiro deste ano é possível notar um arrefecimento da queda. Nesta comparação, as vendas a prazo caíram 1,7%, enquanto as vendas à vista recuaram 9,3%. 

A queda na comparação entre esses meses costuma ser maior uma vez que o Carnaval tende a tirar o paulistano da cidade, o que afeta grande parte do varejo. Segundo Alfieri, o Carnaval antecipado deste ano, além do dia a mais em fevereiro, podem ter influenciado nesse resultado. 

“Além disso, as grandes redes varejistas investiram em promoções e liquidações, alongando prazos em até 24 meses para tentar vender”, disse Alfieri.

“É muito cedo, porém, para afirmar que esta é uma tendência de melhora nas vendas. O Carnaval antecipado afeta outras datas, como a Páscoa, que vem para março e pode afetar negativamente as vendas desse mês”, afirma o economista da ACSP.

Para ele, não há como visualizar perspectivas melhores para as vendas enquanto o impasse político continuar e a confiança do consumidor, afetada principalmente pelo receio de perda do emprego, estiver em baixa.  

FOTO: Thinkstock

 

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