Remessas internacionais batem recorde em 2025 e impulsionam arrecadação federal com a “taxa das blusinhas”
Volume de remessas internacionais cresce e impulsiona arrecadação com a chamada taxa das blusinhas
(Zoltan Balogh Hungary / EFE / Folhapress)
Segundo dados da Receita Federal,arrecadação em 2025 é de R$ 3,5 bilhões, com 97% das compras registradas legalmente
Pesquisa da Opionion Box aponta que brasileiros compram cada vez mais em sites internacionais, mas 70% são contra a taxação
Por Anna ScudellerCompartilhe:
[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS] Brasileiros têm comprado cada vez mais em sites e aplicativos internacionais, e a arrecadação com o Programa Remessa Conforme (PRC), a chamada “taxa das blusinhas”, também tem batido recordes. Levantamento feito pela AGÊNCIA DC NEWS em balanços da Receita Federal mostra que, em 2025, entraram no Brasil 165,5 milhões de remessas de fora. Do total, 97% delas (160,6 milhões) tinham Declaração de Importação de Remessa (DIR) registradas no âmbito do PRC. O montante gerou R$ 3,52 bilhões em arrecadação de impostos. Segundo as planilhas, novembro, quando ocorre a Black Friday, foi o mês de maior volume. Naquele período, foram 17,7 milhões de remessas recebidas no País, com R$ 397,1 milhões em arrecadação. Em comparação, o pior mês do ano foi fevereiro, com 10,5 milhões de remessas e R$ 213,8 milhões arrecadados em taxas.
Os dados foram obtidos em relatórios de avaliação de resultados do Programa Remessa Conforme, da Secretaria Especial da Receita Federal. Os documentos abrangem informações relativas às remessas postais internacionais, sob responsabilidade da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), e às remessas expressas internacionais feitas por 33 empresas de courier habilitadas para a operação.
Em vigor desde 2024, o Programa Remessa Conforme estabeleceu uma tributação diferenciada para empresas de comércio eletrônico. Até US$ 50 (cerca de R$ 260), são aplicados 20% de Imposto de Importação e 17% de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS). Acima desse valor, o Imposto de Importação é de 60%. O PRC surgiu como resposta ao crescimento das importações por meio de e-commerce, que ainda era desregulamentado. A situação gerava evasão fiscal e prejudicava a competitividade do comércio nacional frente à concorrência estrangeira. Relatório técnico sobre o PRC, realizado pela Gerência Executiva de Análise, Desenvolvimento Econômico e Estatístico (Geade) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), aponta que, em 2022, 98,1% das remessas internacionais entraram no Brasil sem declaração adequada.
PERFIL DOS CONSUMIDORES– Mas quem e como está comprando em sites internacionais a partir do Brasil? O estudo Consumo de Moda no Brasil, realizado pela Opinion Box, traz algumas respostas. De acordo com o levantamento, feito entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, 46% das pessoas já compraram e continuam comprando em plataformas estrangeiras. A importação também gera receios aos consumidores, preocupados principalmente com a possibilidade de taxação, atraso na entrega e dificuldade na troca dos produtos. Entre quem já comprou fora do Brasil, 45% dizem ter enfrentado algum problema. A insatisfação com os impostos é grande: 70% são contra as taxas embutidas em peças de vestuário para uso próprio. A pesquisa registra ainda que 20% dos entrevistados já importaram, mas não têm interesse em voltar a comprar produtos internacionais.
A sondagem da Opinion Box mostra que 25% dos consumidores compram no varejo de moda a cada dois ou três meses, seguidos de 24% que compram mensalmente. Já quando analisamos o gasto mensal com esses itens, quase metade dos consumidores (48%) investe entre R$ 101 e R$ 300 por mês, indicando um consumo recorrente que já faz parte do orçamento. Outro relatório, o Mercado de Moda, da Iemi, aponta que 21% dos produtos de vestuário no Brasil são importados. Segundo o levantamento da consultoria, o consumo interno de vestuário no País cresceu 42% em volume de 2000 a 2024, mas aumentou somente 7% em valor real, implicando na perda do valor médio dos produtos.
Daniela Dantas, CCO da Worth Global Style Network (WGSN), referência global em tendências de consumo e design, com oferta de insights sobre consumidor, moda, beleza, design de interiores, estilo de vida e alimentação e bebidas, faz uma análise sobre o atual momento do varejo de moda brasileiro. A especialista fala em “renascimento da curadoria”, ao destacar que o consumidor busca nas plataformas a entrega de “descobertas memoráveis”. A dica para se diferenciar e atrair clientes diante de um cenário internacional competitivo é que o varejista repense a jornada de venda, pois o excesso de opções gera fadiga. Para Daniela, a tecnologia é um habilitador básico desse processo. “A personalização por meio da tecnologia é a premissa do futuro.” A análise vai ao encontro dos dados do relatório da Opinion Box, em que 65% dos consumidores dizem se informar sobre tendências por meio das redes sociais.
A pesquisa também questionou o que leva o público brasileiro de moda a comprar. O preço (74%) lidera, seguido por qualidade (70%) e promoções (66%). Além disso, também foram listados os produtos mais comprados nos três meses anteriores à divulgação do levantamento, em janeiro. Confira os destaques
A Opinion Box consultou 1.114 consumidores a partir dos 16 anos de todo o Brasil, entre dezembro (25) e janeiro (26). A margem de erro é de 2,9 pontos percentuais.