São Paulo, 17 de dezembro de 2024 – A ata do Copom mostrou-se bem alinhada com o tom do comunicado.Foi possível depreender do texto toda a preocupação da autoridade com o forte desempenho daatividade econômica e o avanço das expectativas de inflação. A avaliação é de Étore Sanchez,da Ativa Investimentos.
“A desancoragem também foi tema recorrente, assim como a depreciação cambial, todos usados comojustificativa para uma condução mais agressiva, com o compromisso de novas elevações de 100 bpsnas próximas duas reuniões”, aponta o economista.
Segundo Sanchez, é interessante notar que, no 22º parágrafo, o BC fundamentou a elevação de 100bps muito acima dos 50 bps adicionados anteriormente da seguinte forma: Em primeiro lugar, amagnitude da deterioração de curto e médio prazo do cenário de inflação exigia uma posturamais tempestiva para manter o firme compromisso de convergência da inflação à meta.
O compromisso de outros 200 bps veio na esteira da materialização de diversos fatores de risco quetornaram o cenário mais adverso, porém mais previsível, facilitando a projeção sobre arestrição de juros necessária.
Outro trecho relevante, na avaliação do economista, é o comentário sobre o juro neutro, que seelevou, em termos reais, de 4,75% para 5,00%. Ainda que marginal, essa elevação indica que o BCpassou a observar uma restrição monetária menor do que a antevista anteriormente, o que ajuda aentender trechos nos quais a autoridade menciona o sobreaquecimento da atividade e um pass-throughmais célere.
“De todo modo, seguimos projetando que a Selic será elevada a 15,00%, com as duas altas de 100 bpsjá indicadas pelo BC, seguidas de mais uma de 50 bps e outra de 25 bps”, completou.
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