São Paulo, 11 de dezembro de 2024 – Em linha com o esperado por nós, o Copom elevou a taxa Selic
em 1,0%, de 11,25% para 12,25% de forma unânime, com o comitê se comprometendo a realizar outras
duas altas de 1,0%, devido ao cenário mais adverso de convergência da inflação, com o comitê
dizendo que a magnitude total do ciclo sendo ditará pelo firme compromisso com a convergência da
inflação à meta. Além disso, o Copom elevou as projeções de IPCA do cenário de referência de
4,6% para 4,9% (2024), de 3,9% para 4,5% (2025) e de 3,6% para 4,0% (1T26).
O texto afirma que a força da atividade econômica, principalmente o PIB do 3T24, sinalizam nova
abertura do hiato do produto, afirmando que a inflação cheia e as medidas subjacentes seguem acima
da meta de inflação e apresentando elevação nas divulgações recentes. O comitê afirma que a
evolução do cenário tornou o cenário menos incerto, mas mais adverso que na reunião anterior e
que o balanço de riscos continua assimétrico para cima. Além disso, o comitê reconheceu que o
anúncio do pacote fiscal afetou os preços dos ativos e as expectativas dos agentes, tornando a
dinâmica inflacionária ainda mais adversa.
Em termos de prescrição de política monetária, o comitê afirmou que a desancoragem adicional
das expectativas de inflação, a alta das projeções de IPCA e o dinamismo acima do esperado da
atividade, sinalizando uma maior abertura do hiato, exigem uma política monetária ainda mais
contracionista. Somado ao guidance de outras duas altas de 1% e a mensagem de que o orçamento do
ciclo será ditado pelo compromisso com a convergência à meta da inflação, acreditamos que o tom
da decisão foi bastante conservador.
Acreditamos que a decisão foi bem mais hawkish do que o esperado, especialmente por sinalizar 2
altas de 1,0% à frente. Nosso cenário contemplava duas altas de 1,0% e mais uma final de 0,25% e,
por ora, não vemos motivos para alterar nosso cenário. A decisão de hoje deve contribuir para uma
moderação no câmbio e, pelo menos, um estancamento do processo de desancoragem das expectativas
de inflação. Projetamos duas altas de 1,0% e uma final de 0,25%, com a Selic terminal atingindo
14,50%. Além disso, esperamos dois cortes de 0,25% no 2S25, com a Selic terminando 2025 em 14,0%.
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