AEB projeta que superávit comercial do Brasil em 2025 deve crescer 23,7% e atingir US$ 93,048 bilhões

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Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

Porto Alegre, 17 de dezembro de 2024 – Projeções divulgadas hoje pela Associação deComércio Exterior do Brasil (AEB) para a balança comercial do Brasil indicam um superávit em 2025de US$ 93,048 bilhões, com um aumento de 23,7% em relação aos US$ 75,214 bilhões previstos para2024.

As exportações são projetadas em US$ 358,828 bilhões, aumento de 5,7% em relação ao montantede US$ 339,385 bilhões estimados para 2024. A agropecuária deve registrar exportações de US$81,081 bilhões, com um avanço de 9,8% frente aos US$ 73,805 bilhões previstos para este ano. Aindústria extrativa deve embarcar US$ 80,701 bilhões no próximo ano, queda de 2,5% frente aos US$82,758 bilhões estimados para 2024. A indústria de transformação deve responder porexportações de US$ 195,246 bilhões em 2025, avançando 7,8% frente aos US$ 181,042 bilhõesestimados para este ano. Já outros produtos devem registrar embarques de US$ 1,8 bilhão nopróximo ano, 1,1% acima dos US$ 1,78 bilhão esperados para 2024.

A AEB indica que as importações previstas para o próximo ano devem ficar em US$ 265,780bilhões, aumento de 28,3% em relação aos US$ 264,171 bilhões estimados para fechar esse ano. Aagropecuária deve registrar importações de US$ 5,5 bilhões, com um recuo de 2,6% frente aos US$5,65 bilhões previstos para este ano. A indústria extrativa deve importar US$ 14,805 bilhões nopróximo ano, queda de 7,9% frente aos US$ 16,084 bilhões estimados para 2024. A indústria detransformação deve responder por importações de US$ 243,525 bilhões em 2025, recuando 9,1%frente aos US$ 240,617 bilhões estimados para este ano. Já outros produtos devem registraraquisições de US$ 1,95 bilhão no próximo ano, 7,1% acima dos US$ 1,82 bilhão esperados para2024.

CENÁRIOS, DADOS, PARTICULARIDADES, REFLEXOS E PROJEÇÕES PARA O COMÉRCIO EXTERIOR BRASILEIRO EM2025

CONSIDERAÇÕES GERAIS

Após dois anos de aparente estabilidade no cenário mundial, ou pelo menos sem ocorrência deoscilações bruscas, seja em termos de preços ou volumes, elaborar a Projeção da BalançaComercial para 2025 está sendo quase um exercício de futurologia.

Isto porque existem variáveis que podem impactar tanto para o lado positivo quanto para onegativo, afetando os cenários e seus resultados, mas que não podem ser facilmente identificadase/ou quantificadas por terem duplo impacto.

Tome-se como exemplo a soja em 2024, que teve quebra de safra e demanda internacional levementeaquecida, mas ainda assim ocorreu expressiva redução de preços de 20%, contrariando todas asexpectativas econômicas. Outro exemplo pode ser o petróleo, que teve pequeno aumento de preço etambém de volume, mesmo considerando os reflexos negativos decorrentes das guerras de Rússia eUcrânia e Israel e Hamas.

Neste momento, os dados da Projeção da Balança Comercial para 2025 sinalizam pequenasoscilações de preços e volumes, indicando oscilações suaves, mantendo o ritmo observado nodecorrer dos anos 2023 e 2024.

Todavia, esse cenário não garante estabilidade, podendo ocorrer imprevistas e repentinasalterações bruscas, com esta aparente calmaria sendo atingida, direta e/ou indiretamente, por umfato isolado com impacto sobre suas cotações.

Dentre os possíveis fatores que podem causar reflexos no comércio mundial e/ou brasileiropodem ser listados os seguintes, entre diversos outros:

* Fenômenos climáticos em países ou regiões produtoras de um produto de exportação e/ouimportação

* Conflitos entre Israel x Hamas, Rússia x Ucrânia e a queda do regime de Assad na Síria

* Eleição de Donald Trump e as novas medidas econômicas que poderão ser anunciadas

* Movimentos geopolíticos mundiais que podem se transformar em jogos de poder

* Aprovação da Reforma Tributária e seus reflexos na economia brasileira

* Agressividade comercial da China e seus eventuais impactos na economia mundial, com redução dedemanda, queda artificial de preços, menor crescimento econômico global, menor demanda porcommodities, impacto nos preços das commodities, entre outros

* Apesar do acordo negociado entre o Mercosul e a União Europeia, por enquanto, ainda existempossibilidades de barreiras a produtos brasileiros

* Reflexos, teoricamente positivos, decorrentes do acordo Mercosul – União Europeia

* Patamar de juros, nível das inflações mundial e brasileira, taxas de câmbio e seus impactos naeconomia global

* Sempre presente ameaça da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) de corte naprodução de petróleo.

Esta listagem aleatória, ilustrativa e desprovida de qualquer informação privilegiada, casose confirme, provocará reflexos na economia mundial e, certamente, afetará o Brasil, direta ouindiretamente. Neste momento, no entanto, não há condições de sinalizar os possíveis impactose, muito menos, de quantificar e dimensionar seus reflexos econômicos e/ou financeiros.

CENÁRIOS CONSIDERADOS DE COMÉRCIO EXTERIOR

Não obstante as considerações anteriores, as projeções para o comércio exterior em 2025sinalizam sustentabilidade aparente com leve aumento de preços e incremento de volumes, cujasprevisões atuais indicam maior produção de soja, milho, petróleo, carne bovina, carne de frango,entre outros, porém, com possibilidades de ajustes nos preços para patamares inferiores aosatuais.

As cotações das commodities têm se mostrado instáveis, exigindo esforço comercial dosexportadores brasileiros e criatividade financeira para manutenção da competitividade dasoperações, fruto de descasamento entre aquisição de insumos e venda do produto final, onde nãoexiste garantia de manutenção dos preços praticados.

O Brasil continua dependente das exportações de commodities, com os produtos manufaturadossofrendo o impacto negativo da falta de competitividades decorrente do elevado custo Brasil, o qualesperamos que seja reduzido ou eliminado com a aprovação da Reforma Tributária e, quem sabe, pelaentrada em vigor do acordo Mercosul – União Europeia.

Após anos de estabilidade, a taxa cambial voltou a ter sua importância nas operações decomércio exterior, principalmente por estar sofrendo frequentes e fortes oscilações, projetandopairar entre o piso de R$ 5,60 e o teto de R$ 6,40, influenciada pelo quadro político interno,cenário econômico brasileiro e mundial, níveis de taxas de juros internacionais e domésticas,índices de inflação, dívida pública federal, contas governamentais, entre outros fatores.Independentemente do nível da taxa cambial vigente, as exportações de produtos manufaturados doBrasil têm na América do Sul seu principal mercado de destino, embora neste momento estejamosassistindo a uma agressiva política comercial da China nesta região, retirando a liderançabrasileira nas exportações para seus vizinhos.

Não obstante as quedas de preços e/ou de volumes observadas nos dois últimos anos, porrazões diversas, as exportações de commodities permanecem como motor de sustentação dasexportações brasileiras.

A previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 2025 deverá oscilarao redor de 2%, patamar insuficiente para suprir as demandas no quesito consumo das famílias,reduzir o elevado nível de desemprego, fazer face à crescente concessão de benefícios sociais e,ainda, suprir parcialmente as robustas demandas por investimentos em infraestrutura.

PARTICULARIDADES

* Pela primeira vez no comércio exterior do Brasil, as exportações de petróleo projetam em 2024alcançar US$.44,360 bilhões, novo recorde histórico para um único produto, superando os US$43,078 bilhões previstos para a soja em 2024. Portanto, o petróleo assumirá a liderança nasexportações

* Conforme a AEB previu no último mês de julho, na elaboração da Revisão da Projeção daBalança Comercial de 2024, as exportações de soja devem atingir o recorde histórico de 100milhões de toneladas embarcadas

* Também conforme previsto na Revisão da Projeção da Balança Comercial de 2024, em julho, pelaprimeira vez, um único produto brasileiro, a soja em grão, vai gerar US$ 44,360 bilhões emreceitas de exportações, representando novo recorde

* Mesmo com esse desempenho em volume de exportações, em 2024 a soja perderá o posto de produtolíder de exportação do Brasil, sendo superada pela primeira vez pelo petróleo

* Todavia, salvo problemas de queda de safra, em 2025 a soja deve recuperar o posto de principalproduto de exportação do Brasil, com projeção de US$ 49,500 bilhões exportados, ficando opetróleo em segundo lugar com exportações de US$ 44,100 bilhões

* Mantendo o ritmo de anos anteriores, exceção feita a automóveis, todos os demais 14 produtosexportados pelo Brasil em 2024 são commodities

* A corrente de comércio está estimada em US$ 603,556 bilhões em 2024 e projeta elevação paraUS$ 624,608 bilhões em 2025, recorde histórico e crescimento de 3,5%

* Mais uma vez, soja, petróleo e minério deverão ser responsáveis por 34,04% das exportaçõestotais projetadas pelo Brasil para 2025, indicando pequena redução frente aos 37,09% apurados em2024.

REFORMAS E O FUTURO DO COMÉRCIO EXTERIOR

A possibilidade de aprovação de reformas estruturantes pelo Brasil – sendo a principal atributária, mesmo considerando um período de transição para sua implementação -, abreperspectivas para a criação de melhores condições para se alcançar impactos positivos naredução do custo Brasil e gerar maior competitividade nas exportações, especialmente de produtosmanufaturados.

A falta de aprovação destas reformas é diretamente responsável pela queda das exportaçõesde produtos manufaturados, que após responderem por 59% da pauta de exportações no ano 2000,foram responsáveis por apenas 28% das exportações esse ano, o que significa que milhares deempregos deixaram de ser gerados.,

Analisando sob o enfoque da balança comercial exclusivamente de manufaturados – após alcançaro último superávit comercial de US$ 7 bilhões em 2005 e déficit de US$ 109 bilhões em 2023 -,no presente ano de 2024 está previsto mais um déficit comercial recorde de US$ 135 bilhões.

Considerando que para cada US$ 1 bilhão de exportações ou importações são gerados oueliminados cerca de 30 mil empregos diretos, indiretos e induzidos no Brasil, estes dados sinalizama perda de aproximadamente 4 milhões de empregos qualificados, fundamentais no atual cenário dedesemprego elevado.

O mundo econômico está passando por transformações que vão provocar distintos rearranjos emdiferentes segmentos, sejam políticos, econômicos, sociais, industriais, etc, fazendo com que ospaíses mais preparados ou que estão se preparando possam tirar proveito deste momento emmovimento, no qual esperamos que o Brasil esteja inserido.

DESTAQUES NA EXPORTAÇÃO

Segundo a AEB, entre os produtos da agropecuária, a soja em grãos deve obter exportação deUS$ 49,5 bilhões em 2025, superando em 14,9% o total esperado para este ano, de US$ 43,078bilhões. O café não torrado deve ter exportação de US$ 13,63 bilhões no próximo ano,superando em 17,5% o valor previsto para este ano, de US$ 11,603 bilhões. O milho deve registrarexportação de US$ 8,2 bilhões no próximo ano, caindo 1% frente aos US$ 8,287 bilhões previstospara 2024. O algodão bruto deve registrar exportação de US$ 3,325 bilhões em 2025, recuando 3,3%frente aos US$ 4,935 bilhões esperados para este ano.

Dentro da indústria de transformação, açúcares e melaços devem registrar exportações deUS$ 17,76 bilhões no ano que vem, recuando 5,3% frente aos US$ 18,749 bilhões esperados para esteano. A carne bovina deve exportar 14,107 bilhões em 2025, avançando 21% perante os US$ 11,655bilhões previstos para 2024. A carne de aves e miudezas deve registrar exportações de US$ 10,26bilhões, subindo 11,4% frente aos US$ 9,211 bilhões esperados para este ano. O farelo de soja deveexportar US$ 10,79 bilhões, avançando 2,6% frente aos US$ 10,512 bilhões previstos para 2024. Jáa carne suína deve exportar US$ 3,442 bilhões no ano que vem, aumento de 20% frente aos US$ 2,866bilhões esperados para 2024.

As informações partem da AEB.

Revisão: Arno Baasch – arno@safras.com.br (Safras News)

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