‘Hugo, adie’: Campanha pede ao presidente da Câmara que 6x1 seja analisada depois das eleições

Iniciativa do Sistema Associativista alerta para os efeitos da redução da jornada de trabalho na economia real

Redação DC
16/Abr/2026
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 ‘Hugo, adie’: Campanha pede ao presidente da Câmara que 6x1 seja analisada depois das eleições

O sistema associativista das associações comerciais iniciou uma campanha cobrando de Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, o adiamento da votação de propostas que buscam acabar com a escala de trabalho 6x1.

Peças publicitárias começam a circular com as chamadas “Hugo, não atravesse” e “Hugo, adie”. Esses materiais trazem que mudanças na jornada e escala de trabalho devem ser tratadas com cautela, fora de ano eleitoral, quando pode haver contaminação política.

 

Para Alfredo Cotait Neto, líder do associativismo, “trabalho não é um tema político, é uma virtude e faz parte da dignidade do ser humano”. O presidente da ACSP, Facesp e CACB diz que há necessidade de adiar a votação para ampliar o prazo de discussão do tema com todo o setor produtivo. “Há setores, como o Comércio, que não podem abrir mão da escala 6x1. Há vendedores no comércio que precisam de uma jornada maior para conseguir vender. É incoerente tentar mudar isso. Mas há setores que podem seguir uma jornada diferente.”

Cotait está em contato com Motta para tentar segurar a tramitação das propostas que acabam com a 6x1 para depois das eleições. O dirigente lembra que a proposta estava parada, até que o governo decidiu, em um ano eleitoral, apressar a sua aprovação. “Não houve tempo de se discutir isso com o setor produtivo”, lamenta. “Caso a PEC seja aprovada sem essa discussão, vamos lamentar, porque os impactos não estão corretamente dimensionados.”

Cotait lembra ainda que a jornada de trabalho já foi definida na reforma trabalhista. “O negociado prevalece sobre o legislado. Não há nenhum problema na negociação entre o empresário e seus funcionários.”

As propostas

A Câmara analisa duas Propostas de Emenda à Constituição (PEC) que tratam deste tema. Elas estão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), com votações marcadas para a próxima quarta-feira (22). As propostas seriam votadas na quarta passada (15), mas pedidos de vistas adiaram a sessão.

Paralelamente, o governo federal enviou, na terça-feira passada (14), um projeto de lei com urgência constitucional sobre o mesmo assunto. Enquanto as PECs têm uma tramitação mais detalhada, com necessidade de análise em diferentes comissões, o PL com urgência precisa ser votado em 45 dias, do contrário, ele tranca a pauta do Legislativo.    

A proposta do governo, por meio do PL 1838/26, muda a jornada de trabalho máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial. O texto mantém oito horas diárias de trabalho, com repouso definido em negociação coletiva.

A PEC 1221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), prevê incluir na Constituição dispositivo que limita a carga de trabalho diária a 8 horas e a semanal a 36 horas.

A PEC 8/25, da deputada Erika Hilton, também estabelece teto de 8 horas diárias e 36 semanais, mas distribuindo essa jornada em escala de quatro dias de trabalho por três de descanso.

 

IMAGEM: Ton Molina/Folhapress

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