São Paulo, 12 de dezembro de 2024 -A Bolsa fechou em queda forte em um pregão de muitoestresse com o desconforto dos investidores em relação à situação fiscal do País. Somado aisso, o remédio amargo do Comitê de Política Monetária (Copom) para segurar a inflaçãosinalizando mais dois aumentos da Selic de 1 ponto porcentual (pp) nas reuniões de janeiro e marçode 2025 azedou o humor do mercado.
O setor da economia doméstica são os que mais sofreram. Das 86 ações, apenas Hapvida (HAPV3)subiu.
No interdiário, o Ibovespa oscilou entre a mínima de 125.828,56 pontos e máxima de 129.587,08pontos.
A ação da Hapvida (HAPV3) subiu 1,12% “devido à expectativa de reajuste nos planos de saúde.A empresa se beneficia da estimativa de reajuste de 5,6% em planos individuais, reduzindo assim apressão financeira com menores aumentos, mesmo com custos elevados, o que traz o segundo dia dealta forte para a ação”, diz Idean Alves, planejador financeiro e especialista em mercado decapitais.
A ação do Pão de Açúcar (PCAR3) caiu 11,02%, Magazine Luiza (MGLU3) perdeu 9,01% eCarrefour Brasil (CRFB3) registrou queda 8,59%, as maiores queda do índice.
O principal índice caiu 2,74%, aos 126.042,21 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento emdezembro recuou 2,95%, aos 126.155 pontos. O giro financeiro foi de R$ 26,8 bilhões. Em Nova York,os índices fecharam em queda.
Na avaliação de Anderson Miranda, head de Distribuição da W1 Capital, embora o aumento daSelic já fosse esperado, “a contratação de novas altas na mesma magnitude adicionou maisincerteza para o futuro”.
Em relação ao estado de saúde do presidente Lula, que ontem fez um forte movimento de altapara a Bolsa, Miranda disse que hoje “segue no radar, mas por ora com menor influência frente aorisco fiscal expectativa de selic terminal acima dos 14,5% em 2025”.
Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, disse que a questão dopacote fiscal é o que traz esse mau humor.
“A Bolsa caminha para um dos piores fechamentos dos últimos tempos, com queda de quase 3%.Apesar da ação do BC ter sido mais firme, com incremento de 1,00 ponto porcentual (pp) [na taxa dejuros] e indicação de mais duas altas, mostra que ele [o BC] tentou conter um pouco a inflação.O mercado leu como positivo, mas o mau humor vem da tendência de não resolver o fiscal,posicionamento do Congresso com a política toma lá dá cá. Só a política monetária não vaiadiantar. Precisa ter uma ação do governo para aprovar esse pacote fiscal”.
A relação saúde do Lula e o impacto no mercado, Moliterno diz que “é positivo, e como eleconcentra tudo nele, enquanto ele continuar internado, o mercado lê que nada vai mudar”.
Virgílio Lage especialista da Valor investimentos, disse que o pessimismo do mercado éexplicado pela “perspectiva futura de mais aumento na taxa de juros em patamares de 14% e a crisefiscal mais agravada”.
Mais cedo, Nicolas Farto, sócio e head de renda variável da Vértiq Invest, disse que “oajuste na curva de juros está derrubando nosso Indice em decorrência das indicações de mais duasaltas na mesma magnitude da reunião de ontem em 1 ponto porcentual (pp). A decisão veio mais oumenos em linha, tinham opiniões em aumento de 0,75 pp e 1,00 pp, mas essa endurecida para aspróximas reuniões fez a equipe de macro da XP aumentar a projeção em 15% para a taxa Selic.Farto acredita que a alta nos DIs pode amenizar ao longo do dia porque tem minério de ferro em altae notícias de algum avanço das pautas do pacote fiscal. Ontem vimos o mercado reagir à saúde doLula. Se tiver algum indício que ele pode ficar fora do pleito de 2026, o mercado pode precificaralgo mais positivo”.
Soraia Budaibes – soraia.budaibes@cma.com.br (Safras News)
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