Ex-correspondente da Folha de S.Paulo em Paris, é autor "Jornalismo Internacional" (Contexto)
11/Jan/2016
“A nação é hoje refém de uma situação que ela não criou. Precisamos estar num estado de permanente mobilização. Se o governo Temer for confirmado e se for um fracasso, as eleições de 2018 serão uma incógnita. Temos um presidente que é refém dessas conveniências”, disse Brant.
“Nós não temos o direito de ser inocentes. Só temos uma oportunidade, é o governo Temer exercer suas atribuições e seus deveres. Há muitas ameaças no ar, e corremos sérios perigos. Processo de impeachment embute armadilhas não republicanas. Até lá não podemos exigir dele o que ele não pode e não deve fazer”, acrescentou.
O presidente da ACSP e da Facesp, Alencar Burti, disse “sabermos que as dificuldades não serão superadas com a rapidez que desejamos. Mas é preciso apoiar Michel Temer para restaurar a confiança no governo. Não podemos perder a esperança e a fé no país”.
O coordenador do COPS, ex-senador Jorge Bornhausen, abordou a reforma política e, depois de minucioso histórico da questão, desde 1994, afirmou que “regredimos nas negociações de dois pontos importantes, o voto distrital misto e a cláusula de desempenho”, que obriga os partidos a uma determinada porcentagem de votos em cada Estado para serem representados no Congresso.
“Não há previsão de reforma política”, afirmou.
Temer é favorável ao “distritão” – pelo qual todo um Estado funciona como um único distrito, em que seriam eleitos, pela ordem, os que forem nominalmente mais votados –sem levar em conta os votos da legenda.
Existem hoje 35 partidos, dos quais 25 estão representados na Câmara, e 17 no Senado. Essa fragmentação permitiu a emergência do “centrão”, com mais de 200 deputados e o controle de parte das decisões.
Borhausen disse de início que restava agora esperar por 2018, para que o próximo presidente da República relançasse a discussão sobre a reforma.
Mas acabou por concordar que é possível partir para a reforma política a partir de uma iniciativa legislativa popular (projeto que chega ao Congresso com assinaturas de uma parcela dos eleitores).
O terceiro palestrante do seminário foi Fernando Rezende, especialista em tributação e professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas).
Afirmou que “vivemos num manicômio tributário, com um conflito permanente entre os administradores do manicômio e os pacientes”.
Se em 1965 começou a funcionar um sistema federalista, que levou mais recursos aos Estados, o sistema “começou a ser rasgado com a Constituição de 1988”, que criou uma curiosa particularidade. Passaram a coexistir dois sistemas tributários, aquele dos que pagam impostos, e um outro da Previdência Social.
Ao universalizar os direitos que eram anteriormente garantidos apenas para os trabalhadores com registro em carteira, o país criou mais gastos e adubou a raíz de todos os atuais problemas fiscais.
“Engessaram o orçamento, desequilibraram a federação criaram a raiz do presidencialismo de coalizão”.
Com o governo Temer, diz ele, surgiu a falsa discussão de que o ajuste provocará a diminuição de direitos. “Mas o ajuste não é para prejudicar os direitos sociais. É para reequilibrar as prioridades.”
Fernando Rezende também citou uma personagem clássica da dramaturgia (“A Visita da Velha Senhora”, de Friedrich Durrenmatt), que traz maldades para se vingar da cidade que a expulsou.
"A velha senhora será a CPMF, e a vingança dela vai ser adiar a reforma de que precisamos para resolver os problemas nacionais", afirmou.
Ao longo dos debates surgiu com frequência a necessidade de se levar aos municípios discussões sobre a reforma política e reforma tributária.
George Pinheiro, presidente da CACB (Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil), anunciou que os tópicos levantados pelo seminário desta segunda-feira seriam reunidos em documento no qual as entidades presentes se posicionariam publicamente.
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A delação premiada de Marcelo Odebrecht tem para a operação Lava Jato um peso provavelmente idêntico ao da soma de todas as delações registradas.
Pois ela já está em fase de conclusão, segundo o jornal Valor Econômico desta sexta (27/05), com anexos temáticos que deixam preocupadíssimos e de cabelo em pé não apenas o PMDB e o PT, mas sobretudo o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, pelo potencial de estragos políticos e penais.
Ou, como disse o ex-senador José Sarney, em gravação entregue à Lava Jato pelo ex-presidente da Braspetro, Sérgio Machado, Marcelo Odebrecht é “uma metralhadora ponto 100”.
O empresário, conhecido em Curitiba por suas iniciais MO, está preso desde o ano passado e já foi condenado a 19 anos de prisão, com outros processos em curso e novas potenciais condenações.
Informações já em poder do juiz Sergio Moro ligam a Odebrecht a atividades suspeitas de Lula, como a intervenção em contratos no exterior com financiamento do BNDES, em troca da remuneração por palestras fictícias e doações ao instituto que leva o nome do ex-presidente.
Foi também com base no propinoduto montado pela Odebrecht na Petrobras que o Ministério Público paulista pediu a prisão de Lula, sob a alegação de que se tratava de suborno para a compra do sítio de Atibaia, com a intermediação de “laranjas”. O processo seguiu para Curitiba e está hoje com o STF.
Vazamentos esparsos também dão conta de que o grosso das informações contra Lula, em termos financeiros, estariam em contratos fechados por ele com a Odebrecht em Angola, país de alto potencial corruptor, por ser uma ditadura originariamente de esquerda e que é também grande produtor de petróleo.
Num outro plano, estão as informações obtidas nas gravações de Sérgio Machado de que a presidente Dilma Rousseff pediu pessoalmente, em 2014, que Marcelo Odebrecht remunerasse, com contas no exterior, o trabalho de seu marqueteiro João Santana, preso em Curitiba desde o início deste ano e hoje também fazendo delação.
Vejam que essa enxurrada de informações políticas e penais superam os factóides sobre os quais a mídia se movimentou durante esta semana, como o fato de Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, pretender limitar as delações para com isso prejudicar a Lava Jato.
É uma intenção sem a mínima dimensão prática, tanto quanto os sete projetos semelhantes que tramitam no Congresso, alguns deles por iniciativa do Partido dos Trabalhadores.
O fato é que as complicações que se acumulam no horizonte de Lula explicam um outro roteiro desencadeado pelo ex-presidente e revelado quinta-feira (26/05) por O Estado de S. Paulo.
O roteiro consistiria numa última tentativa de reverter o resultado desfavorável a Dilma, na votação definitiva do impeachment pelo Senado, nos primeiros dias de agosto.
A ideia seria convencer senadores hesitantes –o PT precisaria impedir que o afastamento tivesse 54 votos, um a menos que em 11 de maio, quando bastavam 41 para tirá-la do palácio do Planalto.
A sugestão de Lula estaria em derrubar o impeachment com o compromisso de que Dilma, em seguida, renunciaria para forçar a convocação de novas eleições presidenciais.
Por trás da proposta está não somente um verdadeiro golpe contra o presidente em exercício, Michel Temer, mas também a admissão aberta de que a presidente afastada não teria mais as mínimas condições de governar.
Por esse roteiro, será que Lula disputaria a Presidência e consideraria ter chances de vencer?
É uma hipótese remota, mas ela é, mesmo assim, uma alternativa para que, com a imunidade de um chefe de Executivo, ele voltasse a ter foro privilegiado e afastasse o fantasma de uma boa temporada nas prisões de Curitiba.
Outra dificuldade para esse roteiro estaria em encontrar senadores ainda em dúvida quanto ao fato de Dilma ter cometido crime de responsabilidade.
Um dos nomes em foco seria Cristóvão Buarque (PPS-DF), que, no entanto, já declarou que concordaria com essa hipótese caso Dilma abandonasse de vez a tese de que foi vítima de um “golpe” e que confessasse sua responsabilidade pessoal na imensa recessão pela qual o país atravessa.
Não é preciso dizer que são duas condições incompatíveis com o DNA da presidente afastada e de seu partido.
Tudo isso vale, no entanto, para que a militância petista mantenha um fio de esperança. Ela tem como vantagem atual o fato de ser praticamente a dona das ruas –Temer não mobiliza simpatizantes em manifestações públicas –e de dispensar qualquer lógica política em suas iniciativas, como a de manter a ocupação do antigo Ministério da Cultura, no Rio, mesmo depois da satisfação que receberam do presidente em exercício, ao promover de secretaria a Pasta ministerial o setor da burocracia do Estado que trata do assunto.
FOTO: Antonio Melo/Estadão Conteúdo
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Ambos procuraram barrar o caminho da Lava Jato. E não conseguiram. Isso porque a operação ganhou independência e dinâmica própria, depois de desencadeada em março de 2014, em Curitiba, pelo juiz Sérgio Moro.
A tentativa de Jucá tem muito mais de uma bravata, sem a mínima viabilidade prática. Ela surgiu em conversa gravada, em março, com o ex-senador e ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado.
Na conversa que levou a sua queda, Jucá relata a necessidade de fazer do impeachment a ocasião de um grande acordo que freasse as investigações. Com Michel Temer já a caminho do Planalto, participariam da negociação o Congresso, o Supremo Tribunal Federal e até as Forças Armadas.
Ou, como diria sarcasticamente um colunista, só faltou também chamar, para esse roteiro fantasioso, os alfaiates e o episcopado.
Com o episódio, no entanto, o Partido dos Trabalhadores encontrou um roteiro que justificaria a tese de que o afastamento de Dilma teria sido o produto de um “golpe”.
O raciocínio se fundamenta numa ficção. Supõe que o “pacto” de Jucá foi desencadeado e levado a bom termo.
Essa teoria conspiratória apenas não explica de que maneira tal história teria sido mantida em sigilo, com uma quantidade tão imensa de protagonistas, como os 367 deputados e os 55 senadores que votaram pelo afastamento da presidente da República.
Em resumo, os historiadores tomarão a confissão indireta de Romero Jucá como um fato anedótico e não como uma linha de sustentação dessa estonteante sequência de fatos que o país vem atravessando.
Mesmo assim, a própria Dilma se apegou à tese de que o “pacto” e o “golpe” fazem parte da mesma narrativa. Nesta segunda-feira, em ato público sobre a agricultura familiar, ela afirmou que “o objetivo fundamental” do plano atribuído a Jucá era o de “interromper as investigações” de Curitiba.
A verdade, no entanto, é que a própria Dilma exerceu o papel que agora terceirizou, por comodidade e conveniência.
E não é opinião de pessoas que antipatizam com ela e com seu partido. É o objeto de duas investigações que correm no STF, por recomendação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
Em outras palavras, é um roteiro concreto de obstrução de Justiça, com começo e meio e que sinaliza a condenação judicial como fim.
Vejamos o primeiro fato comprometedor.
Em sua delação premiada, em 11 de fevereiro, o ex-líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral, disse que em 18 de julho de 2015 conversou com Dilma justamente sobre uma forma de bloquear a Lava Jato.
A conversa, em tarde ensolarada nos jardins de trás do palácio da Alvorada, teve como tema a necessidade de impedir que importantes empresários presos em Curitiba caíssem na tentação da delação.
Para tanto, era preciso nomear para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) um ministro que se comprometesse, desde o início, a assinar os habeas corpus de soltura.
O nome do candidato a ministro do tribunal era Marcelo Navarro. Segundo Delcídio, Dilma não apenas deu “sinal verde” à operação, como também enviou ao Senado projeto de nomeação daquele senhor.
O fato é que Navarro participou dias depois de um encontro no qual se discutiu explicitamente essa “operação abafa”. Além de Delcídio, desta vez também estava presente o então ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.
Navarro foi nomeado e deixou sua impressão digital na historinha indigna da qual participou: votou em favor dos habeas corpus, mas o roteiro capotou porque ele foi voto vencido no STJ.
Pode-se perguntar qual o interesse de Dilma e do Partido dos Trabalhadores em libertar os grandes empresários presos em Curitiba.
A resposta é simples: em regime de delação premiada eles contariam em detalhes o funcionamento do propinoduto da Petrobras e arrebentariam com a tese de que no PT todos são angelicalmente bonzinhos e de que as doações de campanha nada tiveram de irregular.
LULA NA CASA CIVIL
O segundo episódio de obstrução de Justiça envolve, além de Dilma, o ex-presidente Lula, o Ministério Público paulista e a máquina investigativa da Lava Jato.
Foi a nomeação e a posse do ex-presidente, em 17 de março último, como ministro da Casa Civil. Era uma maneira de dar a ele foro especial para que não fosse preso.
Mais uma vez, não é uma interpretação subjetiva dos fatos e nem um argumento malicioso de inimigos do PT.
A nomeação de Lula foi anulada pela 4ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal e depois suspensa por liminar no STF, assinada pelo ministro Gilmar Mendes.
Lula já havia sido objeto de condução coercitiva –foi levado a depor em Congonhas numa viatura da Polícia Federal – e investigações sobre ele foram em seguida autorizadas, no STF, pelo ministro Teori Zavascki.
Teori é o responsável pela Lava Jato no tribunal.
Em verdade, e independentemente da presidente afastada, a Lava Jato nunca foi prestigiada pelo PT, com centenas de declarações no Congresso que acusavam a operação de ser “seletiva” por voltar sua artilharia apenas contra os partidos do então governo.
É óbvio que isso acontecia, mas pela simples razão de que o DEM, o PSDB e o PPS, siglas da oposição a Lula e a Dilma e que são judicialmente vulneráveis em outras esferas, não indicaram diretores ou gerentes para a Petrobras e não alimentavam seus orçamentos por meio da corrupção da estatal.
No varejo parlamentar, a iniciativa mais notória da ofensiva contra a Lava Jato está no projeto do deputado Wadih Damous (PT-RJ), que imporia sérias limitações à delação premiada.
Damous não é um parlamentar qualquer. É amigo de Lula, foi presidente da seccional fluminense da OAB e agiu por estímulo do governo.
No atacado, os argumentos disponíveis no repertório petista sempre consideraram que a Lava Jato era peça de uma conspiração destinada a prender Lula e inviabilizar o projeto de inclusão social do PT.
Dois porta-vozes dessa corrente são os sociólogos Paulo Sérgio Pinheiro, alto funcionário da ONU em missões humanitárias, e André Singer, ex-porta-voz de Lula no Planalto e hoje professor da USP.
FOTO: Márcio Fernandes/ Estadão Conteúdo
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