Da ciência ao mercado: a trajetória de Victor Zaban à frente da Shaped

Nutricionista e mestre em Nutrição, empreendedor aposta em tecnologia própria para democratizar a avaliação da composição corporal

Tariq Marie Alves, de Brasília
12/Jun/2026
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Da ciência ao mercado: a trajetória de Victor Zaban à frente da Shaped

Aos 30 anos, o nutricionista e mestre em Nutrição Victor Zaban lidera um projeto que nasceu dentro da pesquisa científica e hoje busca ampliar o acesso à avaliação da composição corporal por meio da tecnologia. Ele é um dos fundadores da Shaped, empresa que desenvolveu uma ferramenta capaz de estimar percentual de gordura e perímetros corporais a partir de duas fotografias tiradas pelo celular.

A ideia começou a ser desenhada em 2016, quando Zaban e sua equipe trabalhavam em pesquisas voltadas para atletas e militares. Inicialmente, a proposta era desenvolver um método de avaliação corporal para esses públicos específicos, dentro de um contexto científico.

Com o passar dos anos e, principalmente, após a pandemia, o projeto ganhou uma nova dimensão. O crescimento da telemedicina abriu espaço para que a tecnologia pudesse ser aplicada a um público mais amplo.

“Vimos que poderia ser uma grande oportunidade de um produto sair desse nicho, muito centralizado em atletas e militares, para todo mundo”, afirma.

A partir de 2021, a equipe iniciou um processo de validação com pessoas entre 18 e 65 anos para transformar a pesquisa em um produto acessível. O lançamento ocorreu em 2022, mas a receptividade inicial foi marcada por dúvidas e questionamentos.

“Tinha muita objeção. Muita gente dizia: ‘não acredito, isso é impossível, isso não é válido’. E a gente foi provando isso com validação”, relembra.

Segundo o empreendedor, o avanço acelerado da inteligência artificial nos últimos anos ajudou a reduzir parte dessa resistência. À medida que novas tecnologias passaram a fazer parte do cotidiano das pessoas, a compreensão sobre soluções inovadoras também aumentou.

Tecnologia própria

Um dos diferenciais destacados por Zaban é o desenvolvimento de uma tecnologia própria. A Shaped não depende de ferramentas externas para realizar suas análises, o que permite maior controle sobre o funcionamento da plataforma e sobre a segurança dos dados processados.

De acordo com ele, a empresa foi construída já considerando as exigências relacionadas à proteção de informações pessoais.

“Hoje a gente tira duas fotos de uma pessoa, processa os dados e exclui. Essas fotos não ficam armazenadas conosco”, explica.

A empresa também segue protocolos alinhados à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e defende a importância da regulamentação da inteligência artificial, especialmente em temas relacionados à segurança da informação.

Persistência e aprendizado

Ao falar sobre empreendedorismo, Zaban destaca que o principal desafio não está apenas na tecnologia, mas na capacidade de identificar problemas reais e desenvolver soluções que façam sentido para as pessoas.

Para ele, muitos empreendedores se concentram em criar ferramentas sem validar adequadamente as necessidades do mercado.

“A dica é validar o problema dentro da sua bolha e fora da sua bolha”, afirma.

O fundador da Shaped também ressalta que construir uma startup exige persistência. Segundo ele, o desenvolvimento da empresa foi resultado de anos de trabalho, testes e aperfeiçoamentos.

“A gente persistiu muito. Foi um caminho árduo pra caramba”, diz.

Ciência brasileira

Zaban destaca que a equipe responsável pela Shaped reúne profissionais das áreas de saúde e tecnologia com mestrado e doutorado. Para ele, a experiência acumulada na pesquisa científica contribuiu para o desenvolvimento de uma solução validada e voltada para problemas reais.

"Nós somos doutores, mestres, da área da saúde e da tecnologia", afirma.

O empreendedor ressalta que transformar conhecimento em inovação é um desafio constante no Brasil, tanto para quem empreende quanto para quem atua na produção científica. Segundo ele, a construção da Shaped exigiu anos de pesquisa, validação e aperfeiçoamento até chegar ao mercado.

Hoje, a empresa conta com laboratório próprio e segue investindo no aperfeiçoamento da tecnologia. O projeto recebeu apoio de editais públicos e investimentos privados ao longo da trajetória.

O próximo passo, segundo o empreendedor, é ampliar o alcance da ferramenta e explorar aplicações que contribuam para a saúde pública. Entre os objetivos está a possibilidade de utilizar a tecnologia para facilitar o mapeamento da obesidade e apoiar a formulação de políticas públicas.

“Hoje a gente quebra todas essas barreiras porque consegue avaliar composição corporal utilizando uma ferramenta que todo mundo tem na mão, que é o celular”, afirma.

Para Zaban, a missão da empresa é tornar a avaliação da composição corporal mais acessível e ampliar o impacto de uma tecnologia desenvolvida a partir da ciência brasileira. “É um produto que veio de muita luta e que quer agora conquistar o Brasil.”

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