Do sonho à revolta, empreendedor gaúcho luta para salvar pequenos negócios da falência

Trabalho de Tiago Schmitz, realizado em conjunto com 200 empresas de pequeno porte, recebe prêmio da Associação Comercial de Porto Alegre

João Mendes, de Brasília
01/Mai/2026
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Do sonho à revolta, empreendedor gaúcho luta para salvar pequenos negócios da falência

Tiago Schmitz iniciou-se no mundo do empreendedorismo em 2014. Há 12 anos, considerava-se um empresário sonhador que iria encontrar seu lugar com a abertura do próprio negócio. Depois, passou pela fase do idealista, herói, apoiando as causas sociais, performático, quando entendeu que precisa faturar, e desesperado, com as contas a pagar a partir da pandemia. Atualmente, classifica-se como empreendedor revoltado ao perceber o quanto o Estado retira do seu trabalho por sua ineficiência.

Essa história foi contada pelo próprio Tiago ao receber o Prêmio Paulo Vellinho, concedido pela Associação Comercial de Porto Alegre (ACPA), na categoria Empreendedorismo. Proprietário da Charlie Confeitaria, com duas lojas na capital gaúcha e uma em Florianópolis, ele começou há mais de um ano a compartilhar, pelas redes sociais, os desafios provocados pela burocracia do Estado, somada a altas taxas de impostos, para manter um negócio de pé no Brasil.

A partir da indignação, nasceu o grupo, com a participação de 200 donos de pequenos negócios em Porto Alegre e Florianópolis, que uniu forças para auxiliar outros empresários a entenderem o ambiente do empreendedorismo e lutar contra a falência.

“A ideia surgiu do meu próprio desconforto com a situação de quem empreende e após ter que reduzir minha estrutura com o fechamento de duas das cinco lojas que tinha”, explica ele, que também se comoveu com a história de um pequeno empresário paulista que se matou por não conseguir pagar dívidas. “É um caso que provoca pânico com o peso da responsabilidade sobre os nossos negócios”, descreve Tiago.

Ao buscar soluções para esses incômodos, começou a dar vazão ao sentimento e procurar outros empreendedores também inquietos com a situação e que se sentiam desassistidos pelo poder público, que cobra impostos e cria empecilhos para as empresas. “Daí, em fevereiro de 2025, iniciamos reuniões para que outros empreendedores possam trazer as suas preocupações. Assim, buscamos soluções em conjunto a partir de experiências já vividas por outros pequenos empresários”, conta Tiago, que iniciou o empreendedorismo como vendedor de doces em feira de Porto Alegre e pelas redes sociais.

'Quando se aprende errando, a conta a pagar é alta'

Dos encontros, surgiram propostas de workshop sobre finanças, marketing, vendas e questões trabalhistas. “Somos empreendedores com os mesmos problemas, pedindo socorro um para o outro para poder ter um ambiente melhor”, destaca. “Quando a gente se torna empresário, nos transformamos em um grande vilão no olhar do poder público e da sociedade, que ainda quer que assumamos muitas responsabilidades que são do Estado”, acrescenta.

Para ele, o empreendedorismo deve ser um assunto a ser abordado no Ensino Médio para que os jovens, ao chegarem na vida adulta, compreendam o funcionamento do ecossistema dos negócios e os seus aspectos fiscais, trabalhistas, tributários e financeiros. “Tudo isso eu fui aprendendo errando, e quanto mais a gente erra, maior é a conta que se paga”, ressalta.

Em relação à redução da escala de trabalho 6x1, Tiago avalia a discussão no momento como uma pauta com foco eleitoral. “Não sou contra as melhorias nas condições de trabalho, mas o tema precisa ter a participação do empresário, principalmente de quem tem um pequeno negócio”, salienta.

Para ele, se a ideia é implantar a escala 5x2, que haja desoneração da folha de pagamento e que o Estado arque com a oferta da melhoria das condições. “Da forma como está é uma política para ganhar votos”, observa ele, que recebeu o prêmio no dia 16 de abril no Palácio do Comércio, sede da ACPA.

O objetivo do prêmio, que está na sua sexta edição e tem dez categorias, é reconhecer empresas e personalidades que se destacaram em suas áreas de atuação e colocaram Porto Alegre como protagonista. Também homenageia um dos mais relevantes empreendedores do Brasil: o empresário gaúcho Paulo Vellinho, pai da ex-presidente da associação, Suzana Vellinho Englert.

 

IMAGEM: ACPA

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