Entre a Copa e o arraial, 25 de Março busca equilíbrio para garantir vendas

Controle do estoque e rapidez na reposição são estratégias para não perder dinheiro caso a Seleção não avance; é mais xadrez do que futebol

Melina Dias
22/Jun/2026
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Entre a Copa e o arraial, 25 de Março busca equilíbrio para garantir vendas

O lojista da 25 de Março trabalha com dois eventos fortes nestes meses de junho e julho que se complementam e, se bem sincronizados, podem diluir seu risco. A Copa do Mundo traz uma demanda alta, mas imprevisível, porque depende do desempenho da Seleção Brasileira; portanto, o ideal é entrar nesse produto com estoque menor e repor rápido só se o Brasil ganhar, focando em itens de giro rápido e baixo valor, como bandeiras pequenas, apitos, perucas e copos.

Já as Festas Juninas historicamente funcionam como o lastro seguro porque têm três datas garantidas no mês: Santo Antônio em 13 de junho, São João em 24 e São Pedro em 29. Essa dinâmica puxa vendas em todos os bairros com escolas, igrejas e festas de rua, e produtos como bandeirinhas, balões, chapéus de palha, toalhas xadrezes e comidas típicas embaladas têm saída previsível mesmo que a Seleção caia cedo.

Para a clientela da 25 de Março e adjacências, que é formada essencialmente por microempreendedores e revendas na periferia, a estratégia é montar kits fechados de festa junina para quermesses de bairro, e kits de torcida para churrasco de rua, trabalhando com preço competitivo e  margem menor para garantir giro alto.

Na prática, a Festa Junina segura o caixa, e a Copa é a oportunidade de lucro extra, ou seja: se o Brasil avançar o lojista fatura mais, mas se cair ele não fica no prejuízo porque o calendário junino sustenta a venda até a primeira quinzena de julho pelo menos.

Minuto a minuto 

A pedido do Diário do Comércio, a Univinco (União dos Lojistas da Rua 25 de Março), por meio de lojistas integrantes da diretoria e conselho deliberativo, passaram suas análises nesse jogo que a cada minuto pode mudar.

No caso da Copa, a procura por artigos tem sido intensa desde o início de maio, com muitos produtos já praticamente esgotados nas lojas devido à forte demanda antecipada, segundo a diretora executiva Cláudia Urias, que diz que a expectativa é de que as vendas ganhem ainda mais força conforme a Seleção Brasileira avance na competição, impulsionando a busca por camisetas, bandeiras, acessórios e itens de decoração. 

"Já as Festas Juninas tradicionalmente possuem um impacto ainda mais abrangente, pois não se limitam à Capital paulista. As celebrações acontecem em todo o território nacional, movimentando consumidores finais, revendedores, escolas, igrejas, clubes, empresas e organizadores de quadrilhas e eventos temáticos", explica.

Conversando com lojistas nas última semana, Jorge Dib, também dirigente na Univinco e à frente do Depósito de Meias São Jorge, disse que houve cautela ao investir no estoque por grande parte de seus pares. "Mas para nossa surpresa nesses último dez dias 'bombou' no nicho voltado à Seleção. O que a gente tinha comprado vendeu. Estão planejando reposições, mas diferentemente das outras copas com menos volume de mercadorias. A ideia é focar em itens que puxem a venda de outros produtos o que também é interessante para nós", comenta.

Ambos concordam que ainda é cedo para falar em números, mas a combinação entre Copa do Mundo e Festas Juninas deve contribuir significativamente para o aumento do fluxo de consumidores e para o fortalecimento das vendas neste período.  


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IMAGEM: Ato Press/Folhapress

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