25 de Março completa 161 anos pleiteando revitalização

Uma das demandas dos comerciantes locais é a recuperação da Praça Ragueb Chohfi, hoje bastante degradada. A Prefeitura informa que o espaço está incluído na PPP que prevê melhorias para o Parque Dom Pedro II

Mariana Missiaggia
25/Mar/2026
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25 de Março completa 161 anos pleiteando revitalização

Reconhecida como a maior região comercial da América Latina, a Rua 25 de Março, em São Paulo, chega aos 161 anos em um momento em que a economia e o cenário urbano de seu polo se distanciam da efervescência vivida em outras comemorações.

Composta por 17 ruas e um ecossistema que abriga 900 lojas em apenas um quilômetro de extensão, a 25 de Março tenta equilibrar sua relevância histórica com os desafios impostos ao seu endereço, como a queda nas vendas e no fluxo de visitantes, o fechamento de algumas lojas e a degradação do equipamento público.

Cláudia Urias, diretora-executiva da Univinco (União dos Lojistas da Rua 25 de Março e Adjacências), diz que a região vive um cenário de "abandono seletivo" e aponta que, entre os pleitos mais aguardados pelos lojistas locais, está a revitalização da Praça Ragueb Chohfi.

Segundo Cláudia, embora a 25 de Março seja um dos maiores polos de atração do turista e de arrecadação de impostos de São Paulo, o poder público parece focar suas atenções e investimentos apenas no chamado Triângulo Histórico, deixando a região comercial fora da zona de atenção.

O reflexo mais nítido dessa crise, de acordo com a diretora da Univinco, está na Praça Ragueb Chohfi. O local, que, segundo ela, deveria ser o coração das celebrações dos 161 anos e de outras datas importantes, tornou-se um ponto vulnerável.

Ela conta que, além de pleitear uma revitalização na praça, o projeto original da Univinco previa para a data de hoje o fechamento desde a Ladeira Porto Geral até a Rua Constituição para a montagem de um palco com danças típicas e exposição sobre a história da imigração sírio-libanesa - em homenagem à primeira loja aberta na via.

A realidade atual do espaço - que durante o dia reúne fogueiras, acúmulo de detritos e o aumento da população em situação de rua que migrou da Praça da Sé para a região - tornou inviável a ocupação festiva, segundo a representante da Univinco.

"Abortamos o projeto do aniversário. A celebração, que deveria ser um marco para o turismo de compras, acabou limitada a uma missa na colônia ortodoxa", lamenta Cláudia.

Ao intensificar o pleito pela revitalização da Praça Ragueb Chohfi, a dirigente diz que o projeto defendido pela entidade visa não apenas a recuperação estética, mas a melhoria da segurança e da mobilidade para os milhares de frequentadores diários da região. Entretanto, paira uma incerteza institucional sobre a integração desta área no escopo da Parceria Público-Privada (PPP) do Parque Dom Pedro.

Claudia explica que, sem uma sinalização oficial se a praça será contemplada pelas intervenções urbanísticas previstas na concessão vizinha, o setor produtivo local vai se desgastando (dezenas de lojas foram fechadas ao redor da praça). O fato é que a região enfrenta um vácuo de planejamento que compromete a urgência das melhorias esperadas.

A Secretaria Executiva de Desestatização e Parcerias (SEDP) da Prefeitura de São Paulo informa que a Praça Ragueb Chohfi está dentro da área que envolve a concessão do Parque Dom Pedro II.

"A requalificação dela [Praça Ragueb Chohfi] e da Praça Fernando Costa são obras de caráter obrigatório previstas no projeto. A área verde remanescente do antigo parque também será requalificada e ampliada, com a criação de mais de 100 mil m² de novas áreas verdes com soluções de drenagem para tornar o Centro mais resiliente aos eventos climáticos. Além disso, o acesso ao Parque Dom Pedro permanecerá gratuito", informou a secretaria.

O movimento econômico é outro ponto de preocupação. Claudia pontua que o fluxo de compradores nunca retomou os níveis anteriores a 2020. O atacado, motor da região, sofreu uma queda drástica impulsionada por dois fatores: a migração de clientes para o e-commerce e o medo constante da violência. Mesmo com iniciativas como o projeto "25 Segura", lançado em 2025, a percepção de insegurança ainda afasta o público e o comércio agora sobrevive de "respiros sazonais", sinaliza Claudia.

"Temos picos no Natal e na Páscoa, mas é uma semana apenas. O que nos mantinha era o atacado, e isso caiu drasticamente", explica.

Até mesmo para os projetos de melhoria falta comunicação e novos problemas acabam surgindo. Elevada à categoria de "rua temática", a 25 de Março deve passar por reformas nas calçadas, mas a falta de diálogo entre a Prefeitura e concessionárias como a Enel gera um retrabalho custoso e ineficiente.

"Não adianta embelezar por cima se embaixo está ruim", pontua Cláudia, citando que calçadas recém-reformadas são frequentemente quebradas pelas empresas de serviços públicos. 

Apesar das dificuldades, Claudia destaca que a Univinco mantém frentes como o "Projeto Recicla", que sinaliza algum avanço na área. Cerca de 80 toneladas de resíduos, que antes eram descartados de qualquer jeito a cada mês, há dois anos estão ganhando a destinação correta.

Localizado sob o viaduto Diário Popular, o transbordo gerencia todo o volume de papelão proveniente do comércio da região. Contudo, a área ainda é considerada insalubre e de difícil acesso e a Univinco busca investimentos para tornar a operação mais eficiente. Também busca soluções para dar uma finalidade melhor ao lixo orgânico proveniente das feiras livres que acontecem ali perto e que deixam a região constantemente com resíduos espalhados pelo chão. 

Nas palavras de Claudia, a expectativa dos lojistas agora se volta para o Dia das Mães, na esperança de que o diálogo com o poder público avance para além das promessas e que a 25 de Março receba o olhar atento que sua relevância econômica exige.

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IMAGEM: Felipe Denuzzo/DC

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