Obras do Triângulo Histórico entram na fase final; entrega é prevista para o 1º semestre

Marcos Monteiro, secretário de Infraestrutura Urbana e Obras, detalha o cronograma da revitalização do Centro de São Paulo

Mariana Missiaggia
05/Jan/2026
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Obras do Triângulo Histórico entram na fase final; entrega é prevista para o 1º semestre

As obras de revitalização do Triângulo Histórico, no Centro de São Paulo, entram em 2026 na fase de conclusão dos calçadões das ruas XV de Novembro, Direita e São Bento. Previstas para serem entregues ainda no primeiro trimestre, a intervenção inclui a instalação de valas técnicas, nova iluminação e mobiliário urbano.

O cronograma, segundo Marcos Monteiro, secretário municipal de Infraestrutura Urbana e Obras, foi ajustado para evitar transtornos aos comerciantes durante as festas de fim de ano, prevendo a entrega total da região e de ruas adjacentes, como a Boa Vista e Líbero Badaró, até o final do primeiro semestre.

Em entrevista ao Diário do Comércio, o secretário diz que o objetivo é consolidar o centro histórico como um hub de conexões acessível, seguro e atrativo tanto para novos moradores quanto para o turismo e para o comércio.

Monteiro aponta ainda que a Prefeitura coordena as intervenções viárias com os quase 50 projetos de retrofit de edifícios na região central. Além disso, projetos estratégicos de drenagem, como os reservatórios na Praça da Bandeira e a PPP do Parque Dom Pedro, buscam solucionar alagamentos históricos em áreas críticas como a 25 de Março.

O secretário destaca também que o uso de infraestrutura verde e soluções baseadas na natureza são pilares para tornar o Centro mais preparado para eventos climáticos extremos e que o planejamento para 2026 busca a integração da infraestrutura urbana com grandes projetos de mobilidade, como a chegada da Linha 6-Laranja do metrô e a futura implantação do VLT. Confira a entrevista:

 

Diário do Comércio - O cronograma dos calçadões foi ajustado para janeiro de 2026. Quais são os pontos críticos da entrega para os primeiros meses do ano?

Marcos Monteiro - Na verdade, o cronograma ajustado para o término das obras do calçadão do Triângulo Histórico é o primeiro semestre de 2026. A data de janeiro era para as ruas internas. Mas foi feito um ajuste estratégico, postergando um pouco a entrega das ruas internas para reduzir transtornos aos comerciantes e moradores durante o período das festas de final do ano.

Para o primeiro trimestre de 2026, nossos marcos críticos envolvem a conclusão total do piso, aí incluídas as valas técnicas das ruas XV de Novembro, Direita e São Bento, que são as mais movimentadas dessa região. Outros pontos fundamentais são a entrega da nova iluminação funcional e cênica, o novo mobiliário urbano e os tótens de informações turísticas, que ampliarão a segurança e a percepção da vitalidade noturna da região.

Dentro ainda do primeiro semestre, haverá a revitalização das ruas do entorno do Triângulo Histórico: rua Boa Vista, rua Líbero Badaró e rua Benjamin Constant. É importante salientar que o calçadão do Quadrilátero República é objeto de outra licitação e teve seu início no segundo semestre de 2025, com contrato até dezembro de 2026.

 

Como a SIURB está coordenando as obras de infraestrutura viária com os mais de 30 projetos de retrofit incentivados pela Prefeitura? Existe um plano para que a poeira e o barulho não desencorajem os novos moradores?

Monteiro - Já temos 48 edifícios em processo de requalificação via programas como o Requalifica Centro e a Subvenção Econômica, coordenados pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL). A SIURB mantém interlocução constante com a SMUL e com a ação #TodospeloCentro, coordenada pela Secretaria de Subprefeituras. Essas secretarias fazem reuniões rotineiras com comerciantes e entidades que atuam no Centro para passar atualizações sobre as obras, alinhar os próximos trechos de intervenção, esclarecer dúvidas, colher sugestões para redução de problemas e apresentar ações implementadas a partir de sugestões apresentadas nessas reuniões. O objetivo é que moradores e comerciantes vejam a obra não como um transtorno, mas como a valorização imediata do seu patrimônio e do seu negócio. Fazemos questão de mostrar que o transtorno é provisório, mas os benefícios são permanentes.

 

Há previsão de novas frentes de obras em ruas adjacentes aos prédios icônicos, como o Copan e o Martinelli, que estão em processo de subvenção econômica?

Monteiro - Estão previstos três contratos de intervenções: o do Triângulo Histórico, o do Quadrilátero República e agora estamos publicando a licitação da recuperação do Viaduto do Chá, Praça do Patriarca e entorno do Theatro Municipal. Essa última irá interligar os dois calçadões. O entorno do Martinelli está contemplado nas obras de requalificação do calçadão do Triângulo, integrando o prédio ao novo eixo turístico. Já o Copan está fora da abrangência das áreas contempladas por essas obras.

 

Considerando o orçamento de R$ 28,83 bilhões para ações climáticas em 2026, qual porcentagem desse valor será destinada especificamente para soluções de drenagem no centro histórico?

Monteiro - O Orçamento Climático de R$ 28,83 bilhões é um marco histórico. Foram analisados cada um dos projetos previstos para a cidade e incorporados itens que contribuem para melhorar a resiliência da cidade. Evidentemente, obras voltadas para melhoria da drenagem têm impacto direto na melhoria dessa resiliência. Ainda não temos esse levantamento apurado, mas estamos trabalhando em projetos que irão resolver problemas históricos da cidade. Um deles é a nova drenagem da avenida Nove de Julho, no trecho entre a Praça da Bandeira e o túnel, que contemplará soluções baseadas na natureza junto ao túnel, reforço no sistema de drenagem e reservatórios próximos à Praça da Bandeira, protegendo assim toda a baixada do Vale do Anhangabaú.

Outro projeto importante é a PPP do Parque Dom Pedro que, além de prever toda a revitalização da região, contempla espelhos d'água, que atuarão como reservatórios e acabarão com os alagamentos da região do Mercadão e da rua 25 de Março. É importante destacar ainda que a Secretaria de Subprefeituras também faz um importante trabalho de melhoria da microdrenagem do Centro, com a ampliação de galerias pluviais e a instalação de novos jardins de chuva e bacias de retenção. Essas intervenções são vitais para eliminar pontos críticos de alagamento que afetam a região há décadas, utilizando infraestrutura verde para absorver o impacto das chuvas extremas.

 

Muitos comerciantes reclamam da queda de faturamento durante as obras. Para 2026, haverá algum plano de faseamento mais agressivo para liberar as vias mais rapidamente?

Monteiro - Estamos atentos à preocupação dos comerciantes e, por isso, há reuniões rotineiras com os interessados. Várias melhorias na execução surgiram de reclamações ou sugestões expostas. Nessas reuniões, além do andamento da obra, são apresentados os novos trechos a serem executados e a estratégia de execução. Vários ajustes foram feitos no processo executivo a fim de permitir a entrega dos trechos de forma mais rápida. Além disso, foi reforçada a sinalização de obra e foram feitas passarelas de acesso às lojas para garantir que o fluxo de clientes não seja interrompido durante a troca do piso. Por se tratar de uma obra em que se está reorganizando todo o subsolo com valas técnicas e nova drenagem, e não apenas fazendo a troca do piso, muitas vezes são encontradas interferências com resoluções mais demoradas, como achados arqueológicos, como trilhos de bonde, que acabam por atrasar o cronograma.

 

Como as obras de infraestrutura do Centro vão dialogar com a chegada da Linha 6-Laranja?

Monteiro - A Linha 6-Laranja é o eixo que conectará o Centro às universidades e à Zona Norte. O programa #TodospeloCentro, da Prefeitura de São Paulo, reúne ações e coordena os trabalhos das várias secretarias envolvidas, além da interlocução com o Governo do Estado. A nova linha de metrô e o novo Centro Administrativo do Governo do Estado estão integrados às ações da Prefeitura. Inclusive, as duas novas linhas do VLT do Centro se integrarão às linhas de metrô e ônibus, melhorando de maneira significativa a mobilidade das pessoas que estejam na região a trabalho, lazer ou morando. O esforço da Prefeitura é garantir que o trajeto entre as várias opções de mobilidade no coração de São Paulo seja acessível, iluminado e visualmente convidativo, consolidando o Centro como o principal hub de conexões da cidade.

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IMAGEM: Cesar Bruneli/ACSP

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