Entre hotéis clássicos e motéis verticais: empresário dá vida a prédios esquecidos de SP

Paulo Rapetti (foto) aposta na integração entre hotelaria, gastronomia e design para elevar o padrão da região do Ipiranga e atrair um novo público

Mariana Missiaggia
21/Abr/2026
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Entre hotéis clássicos e motéis verticais: empresário dá vida a prédios esquecidos de SP

Há dois meses, Paulo Rapetti, empresário que comanda o Complexo Itamarati, no entorno da Avenida Ipiranga, experimentou um jeito novo de apresentar seus negócios ao público. Contratou um videomaker e passou a postar no Instagram o que tem feito em meio à paisagem do centro histórico de São Paulo.

Ao mostrar como uniu hotelaria, gastronomia e, em breve, um modelo de motelaria vertical, Rapetti tem viralizado seus vídeos e interagido com um movimento de requalificação que oscila entre o entusiasmo e a cautela. Após investir cerca de R$ 3 milhões no Centro, o empresário aposta no resgate da nobreza da região para elevar o patamar de seus negócios.

Filho de um engenheiro civil português, Rapetti e o pai decidiram empreender para criar um patrimônio para a família e, em 1994, compraram um hotel em São Caetano do Sul. De lá para cá, a dupla consolidou expertise no mercado de motéis e hotéis com outros três estabelecimentos, e passou a entender melhor as dinâmicas de ocupação urbana, diz Rapetti. 

Em 2017, Rapetti adquiriu o fundo do tradicional Hotel Itamarati, aberto em 1962, e seu projeto não era apenas uma troca de gestão, mas um retrofit profundo no imóvel. Durante um ano e meio, a fachada foi recuperada, quartos foram modernizados e a recepção ganhou novos ares – e ele segue com planos para o espaço. "O Itamarati tem uma história nobre e queremos subir essa régua", afirma o empresário.

O objetivo atual é elevar a diária média dos atuais R$ 220 para R$ 300, atraindo o público corporativo, turistas e moradores locais em busca de lazer durante grandes eventos na capital. Para alavancar o hotel, Rapetti apostou em dois negócios anexos ao prédio do Itamarati: o Buteco da Carne (inaugurado em 2022) e a pizzaria Piazza (aberta há um ano), que, no total, empregam 32 colaboradores (21 no hotel, 7 no boteco e 4 na pizzaria).

A ideia do empresário é aproveitar boas oportunidades no entorno do hotel e criar um ecossistema complementar que se retroalimenta. Embora os braços gastronômicos operem próximos ao ponto de equilíbrio financeiro, Rapetti aponta que eles funcionam como âncoras estratégicas do hotel. "São alavancas de desenvolvimento para o hotel", explica.

O próximo passo estético do Boteco da Carne inclui a instalação de parklets, reforçando a integração com a rua, e a preservação da memória dos imóveis. Com a ajuda de um arquiteto, Rapetti diz ter como foco a curadoria histórica ao pesquisar elementos da época de fundação do estabelecimento para transformá-lo em um hotel-boutique, em que quadros e objetos de época narram a memória de quem frequentou os salões nobres do Centro de São Paulo em suas décadas de ouro.

Nessa movimentação do grupo, a aposta mais recente foi a locação do antigo Hotel Caravelas, de 1966, localizado logo atrás do Itamarati, e com 53 apartamentos. Segundo Rapetti, o prédio está passando por uma reforma básica e será transformado em um motel vertical — um modelo que Rapetti e seu pai praticam desde o início, e ao qual o empresário tem se dedicado a estudar melhor desde 2023, após expedições por centros urbanos densos como Taiwan, Japão e México.

O plano, segundo ele, é que o edifício opere sob a bandeira de hotel até que o volume de períodos (frações de hora) supere o valor da diária, momento em que ocorrerá a virada de bandeira. "A tendência mundial é a verticalização por falta de espaço. O motel vertical me dá mais perspectivas de rentabilidade do que a tarifa flutuante da hotelaria convencional", revela Rapetti.

Os desafios do Centro

Apesar do otimismo - Rapetti afirma que 95% do público atual são entusiastas da revitalização -, o empresário não ignora a fragilidade da região em que está instalado. Ele observa que a percepção de segurança muda drasticamente após as 17h, apesar da presença de policiais. Para ele, a falta de zeladoria e a imagem de inúmeros prédios com fachadas vandalizadas e sujas colaboram para essa sensação. Para ele, a revitalização do Centro não pode ser apenas uma iniciativa estatal.

"Não adianta vir o Estado se o empresário não investir. O Centro ainda está sujo e carrega rótulos, mas o fator do belo traz um afastamento natural da degradação. Nosso foco é oferecer uma experiência de design em um formato popular, porém qualificado. O belo afasta o que é degradado."

Por outro lado, o empresário aponta que o movimento de revitalização tem aquecido o mercado imobiliário e tem sido desafiador lidar com a especulação imobiliária e a renovação de contratos de aluguel.

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IMAGENS: divulgação

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