Haddad: metade dos produtos tarifados por Trump terá destino alternativo
O ministro da Fazenda atrela sua afirmação à condição de commodity desses produtos, que, por seguirem uma lógica internacional para formação de preços, tendem a encontrar novos compradores

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira, 5/08, durante a 5ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), mais conhecido como "Conselhão", que 4% dos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos serão afetados pelo tarifaço imposto pelo presidente americano, Donald Trump. Deste porcentual, mais de 2% terão um destino alternativo.
"Graças à política que o presidente Lula inaugurou ainda em 2003, de abrir os mercados para os produtos brasileiros, elas representam 12%. Desses 12%, 4% são afetados pelo tarifaço, e dos 4%, mais de 2% terá, naturalmente, outra destinação, porque são commodities com preço internacional que vão encontrar o seu destino no curto ou médio prazo", afirmou Haddad.
Ele disse ainda que, apesar do porcentual baixo, o governo não irá "baixar guarda" porque setores vulneráveis devem ser prejudicados pela tarifa de 50% para produtos brasileiros. O ministro da Fazenda também destacou a importância do Conselhão para a Fazenda que, segundo ele, possui uma visão voltada para o crédito desde 2023. Haddad disse que, atualmente, existem cinco projetos de lei que tratam sobre o tema e estão sendo discutidas pelo CDESS.
Haddad também fez um balanço positivo da situação econômica do país e disse que a expectativa do Executivo é que a inflação feche, neste ano, abaixo de 5%.
Declarou ainda que o país está evoluindo nas contas públicas depois de anos de "déficit primário crônico". "Nós estamos, sim, evoluindo nas contas públicas depois de muitos anos de déficit primário crônico, na casa de 2% do PIB. Mas lembrando algo que é caro para a primeira-dama Janja e ao presidente Lula, que nós não estamos fazendo ajuste fiscal no lombo dos mais pobres e no lombo do trabalhador."
Lula quer falar com Trump sobre COP30
Na abertura do "Conselhão", o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse que vai ligar para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para convidá-lo para a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30) que será realizada em novembro deste ano em Belém.
"Não vou ligar para o Trump para conversar, não, porque ele não quer falar. Mas eu vou ligar para o Trump para convidá-lo para vir para a COP. Porque eu quero saber o que ele pensa da questão climática. Vou ter a gentileza de ligar", disse.
Lula ainda brincou que, apesar de a Amazônia ser conhecida como o "pulmão do mundo", a dívida externa brasileira "é a nossa pneumonia". Mais cedo, também no início dos trabalhos do Conselhão, Lula já havia afirmado que o Brasil merece respeito e criticou a postura de Trump, de anunciar novas taxações contra o país. "O presidente norte-americano não tinha direito de anunciar taxações como anunciou ao Brasil", disse.
Segundo Lula, Trump poderia ter ligado a ele ou ao vice-presidente Geraldo Alckmin, já que haveria disposição para diálogo. Ele acrescentou ainda que a medida não se trata de uma questão política, mas sim eleitoral. O presidente reforçou que o Brasil merece respeito no cenário internacional e destacou seu papel como exemplo de país negociador. "Tem gente que acha que a gente é vira lata, tem gente que não gosta de se respeitar. E ninguém pode dizer que tem um governo que gosta mais de negociar do que nós. Eu nasci na vida política negociando ... nesse mundo, ninguém me dá lição de negociação", afirmou, ao reiterar que já lidou com vários magnatas.
Ele criticou a ausência de figuras nacionalistas no país e emendou que, hoje, os empresários são mais mercantilistas. O presidente voltou a afirmar que o Brasil não pode depender de um único país e reiterou que está cansado de ser tratado como pertencente ao Terceiro Mundo.
Lula disse que o dia 30 de julho de 2025, data em que os EUA oficializaram o tarifaço contra o Brasil e a aplicação de sanções ao ministro Alexandre de Moraes, "entrará para a história como marco lastimável na relação Brasil-EUA".
Para Lula, o "multilateralismo passa por momento crítico". "Vários setores da economia são afetados pela covardia dos que se associaram a interesses alheios a nossa nação", ressaltou Lula, destacando que a "interferência nos Poderes brasileiros contou com auxílio de verdadeiros traidores da Pátria". "Proteger nossa soberania é interesse que está acima de todos os partidos. O governo não transigirá e não vacilará em defender a soberania brasileiro", reforçou.
IMAGEM: Antonio Cruz/Agência Brasil

