Indústria afirma que reduzir jornada, mantendo salários, vai elevar em 6% preços na ponta

Sylvia Lorena, superintendente de relações do trabalho da CNI, disse em audiência na CCJ da Câmara que o governo quer tratar ‘realidades distintas por meio de uma regra única’

Mariana Missiaggia
07/Abr/2026
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Indústria afirma que reduzir jornada, mantendo salários, vai elevar em 6% preços na ponta

Para Sylvia Lorena, superintendente de relações do trabalho da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a redução da jornada por imposição legal ignora a realidade econômica brasileira e pode resultar em inflação, informalidade e perda do poder de compra. Em uma análise técnica, a CNI alerta que a proposta de redução de jornada sem redução salarial pode parecer atraente na teoria, mas os dados mostram que a jornada de trabalho não deve ser vista apenas como uma contagem de horas e escalas, e sim como um pilar que sustenta o emprego, o preço dos produtos e o crescimento econômico do país.

"Empregadores e trabalhadores já constroem sistemas que funcionam e observam a realidade do país. O Ministério do Trabalho indica que 30% dos instrumentos coletivos já tratam de jornada. E a PEC supõe alterar realidades muito distintas por meio de uma regra única", afirmou Sylvia em audiência pública nesta terça-feira, 7/4, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.

A análise da CNI aponta que a transição de 44h para 40h semanais, com manutenção de salários, elevaria, em média, em 6% os preços na ponta, reduzindo o poder de compra da população em uma perda para a economia estimada em R$ 76 bilhões, além de um aumento de até R$ 178 bilhões nos custos com trabalho formal em toda a economia.

Para Sylvia, a ideia de que a redução da jornada geraria mais empregos automaticamente não encontra respaldo em evidências, pois o emprego é resultado de crescimento econômico e expansão do setor produtivo. Quando o custo sobe sem eficiência, o efeito é oposto: maior informalidade e menos investimento, apontou.

A CNI destaca que países como Irlanda, Noruega e EUA operam com jornadas menores porque possuem níveis de produtividade de 3 a 7 vezes maiores que o Brasil, e estão baseados em uma economia com investimento intensivo em inovação e tecnologia, enquanto o Brasil segue estagnado, crescendo apenas 0,5% ao ano em produtividade.

"Esses países não reduziram a jornada para depois crescer; a redução foi uma consequência do desenvolvimento. No Brasil, tentar reduzir agora é inverter a lógica", explicou Sylvia.

Para a CNI, a pergunta correta não é se a jornada deve ser reduzida, mas como chegar a esse patamar de forma sustentável. O caminho sugerido pela representante da CNI envolve fortalecer a negociação coletiva para soluções adaptadas a cada setor; investir em educação e inovação para elevar a produtividade real; e segurança jurídica e ambiente favorável ao investimento.

"O Brasil não precisa de medidas que apenas pareçam boas, precisa de soluções que funcionem. É preciso avançar de forma segura", conclui a diretora.

 

IMAGEM: Fiern/divulgação

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