Nos corredores de Brasília | Saída pela direita (na Colômbia). Esquerda sem saída (no Brasil)
A vitória de Abelardo de la Espriella na eleição da Colômbia redesenhou o mapa político da América do Sul, que agora pende para a direita. Por aqui, o governo estuda o que fazer com Jaques Wagner, sua liderança no Senado, que foi ligado ao caso Master

Wagner na berlinda
A operação da Polícia Federal que atingiu o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, deixou o Planalto diante de uma escolha incômoda: bancar publicamente um dos aliados mais próximos de Lula ou antecipar uma troca para conter o desgaste. O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), saiu em defesa de Wagner e invocou a presunção de inocência. O gesto ajudou o petista no Senado, mas aumentou a pressão sobre o governo para definir se ele seguirá ou não na liderança.
Nome na fila
A senadora Teresa Leitão (PT-PE) passou a ser citada como alternativa para substituir Jaques Wagner (PT-BA) na liderança do governo no Senado. Embora não faça parte do grupo histórico de fundadores do PT ao lado de Lula, Teresa construiu relação de confiança com o presidente pela atuação sindical em Pernambuco, participou da equipe de transição e é vista como uma das vozes mais fiéis ao Planalto na Casa. A leitura no governo é que seu nome reduziria ruído político e preservaria a articulação com a bancada petista.
Troca delicada
Uma eventual saída de Jaques Wagner (PT-BA) não é apenas troca de líder. É sinal de que a Operação Compliance Zero entrou no coração da articulação política do governo. Wagner nega irregularidades, mas o desgaste ocorre em um momento de pauta pesada no Congresso, com vetos, frete, 6x1 e disputas fiscais. O problema para Lula é que manter Wagner pode parecer blindagem, e trocar rápido pode parecer admissão de dano.
Mapa vira à direita
A vitória preliminar de Abelardo de la Espriella na eleição presidencial da Colômbia redesenha o mapa político da América do Sul. O advogado de direita aparece à frente na apuração preliminar, com cerca de 49,66% dos votos, contra aproximadamente 48,7% do senador de esquerda Iván Cepeda. O resultado ainda depende do escrutínio final, mas já representa uma virada simbólica: depois do ciclo de Gustavo Petro, a esquerda deixa o comando de mais um país sul-americano.
Efeito regional
A Colômbia era uma das principais vitrines da esquerda latino-americana no poder. Com De la Espriella, o continente passa a exibir uma correlação mais favorável a governos de direita ou centro-direita em países estratégicos como Argentina, Paraguai, Equador e, agora, Colômbia. Para Brasília, o dado importa: Lula perde um aliado ideológico relevante na vizinhança e passa a conviver com um entorno regional mais fragmentado, competitivo e menos alinhado.
Moraes abre exceção
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizou que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) faça uma reunião preparatória com o ex-presidente antes do depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal. A oitiva trata da arma registrada em nome de Bolsonaro e apreendida com um militar ligado à sua segurança. Os advogados poderão se reunir com ele uma hora antes do depoimento, marcado para ocorrer presencialmente na residência onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar.
China dá troco
A China anunciou restrições contra empresas dos Estados Unidos em resposta à ampliação, por Washington, da lista de companhias chinesas associadas ao setor militar. O Ministério do Comércio chinês incluiu dez empresas americanas em sua lista de controle de exportação de itens de uso dual, proibindo a venda de produtos chineses que possam ter aplicação civil e militar. Entre os nomes estão MP Materials e USA Rare Earth, duas empresas ligadas à cadeia de terras raras.
Recado mineral
O movimento chinês vai além da retaliação diplomática. Ao atingir empresas ligadas à defesa, drones, aeroespacial e terras raras, Pequim lembra ao mercado que controla parte sensível das cadeias globais de tecnologia, energia limpa, semicondutores e defesa. Para o setor produtivo brasileiro, o alerta é direto: a disputa EUA-China deixou de ser apenas tarifária e passou a operar sobre insumos estratégicos. Quem depende de tecnologia, máquinas, fertilizantes, energia e minerais críticos precisa olhar para a geopolítica como custo de produção.
Haddad sem lista
Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, entrou em saia justa ao ser provocado sobre a sucessão de Lula no PT. Em entrevista recente, evitou montar uma lista ampla de herdeiros políticos, mas citou o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), como um quadro que pode “despontar” nacionalmente. A resposta expôs um desconforto recorrente no partido: todo mundo sabe que a era Lula tem prazo biológico e político, mas poucos querem abrir a disputa antes da hora.
Agro em Brasília
A bancada do agro prepara uma reunião em Brasília com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Rep-PB), para afinar a estratégia e tentar destravar, amanhã (23), a votação do PL 5.122/2023, que renegocia dívidas rurais. Parlamentares devem vir à capital apenas para ajustar as negociações em torno do texto, aprovado no Senado e devolvido à Câmara dos Deputados com emendas. A proposta é de autoria do deputado federal Domingos Neto (PSD-CE) e, no Senado, foi relatada por Renan Calheiros (MDB-AL).
Xadrez da comida
A conta política é sensível: o projeto pode reorganizar a vida financeira de mais de 1 milhão de produtores endividados ou manter o campo sem crédito às vésperas de um novo ciclo de produção. No agro, a avaliação é que a falta de incentivo já aparece na porteira: menos investimento, menos compra de insumos, menos capacidade de plantar. Na cidade, o reflexo chega no bolso, com a alta do preço das refeições diárias. Em ano eleitoral, o governo terá de escolher qual risco quer administrar: o fiscal, levantado com dados inflados pela Fazenda, ou o da inflação de alimentos, sentido diretamente no bolso do consumidor.
IMAGENS: Agência Efe/Folhapress e Carlos Moura/Agência Senado

