O mês de Julho: Brasil, São Paulo e a ACSP

Entre a revolta militar de 24 e o clamor popular de 32, a Associação Comercial escreveu capítulos decisivos da história brasileira, deixando um legado que perdura até hoje

Marcel Solimeo
05/Jul/2026
Economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo
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O mês de Julho: Brasil, São Paulo e a ACSP

Julho é um mês muito especial para a ACSP pelo protagonismo que teve em dois eventos de grande repercussão na história do Brasil. O primeiro, que teve seu início em São Paulo no dia 5 de Julho, mas que era desdobramento de um movimento militar que eclodiu no Rio de Janeiro, a Revolução Tenentista de 1922, também conhecida como os Dezoito do Forte, quando um grupo de oficiais de baixa patente se rebelou, dando origem a um Movimento que pretendia derrubar o Presidente Artur Bernardes.

Derrotados nessa tentativa, se reorganizaram em São Paulo, onde contaram com o apoio de oficiais da então Força Pública e ocuparam o Palácio do Governo, obrigando o Governador Carlos de Campos a fugir para a região de Penha, o que deixou a cidade acéfala e sujeita a saques e incêndios.

O presidente da ACSP, José Carlos Macedo Soares, em conjunto com o prefeito Firmiano Pinto criaram um Corpo de Bombeiro e uma polícia municipal para proteger o comércio e restaurar a ordem, para o que precisaram pedir autorização aos revoltosos, que eram o poder de fato na cidade. São Paulo foi então bombardeada por terra e pelo ar, com a destruição de muitos prédios, e a morte de cerca de 500 civis.

Após a saída dos revoltosos em direção ao interior, Macedo Soares foi preso e exilado, acusado de ter colaborado com os rebeldes, quando, na verdade apenas procurou convence-los a se retirar para poupar a população civil dos bombardeios, para o que manteve contatos com os líderes do movimento. No exílio, Macedo Soares escreveu um livro relatando sua atuação durante o período da ocupação, de 5 a 28 de 1924, desmentindo qualquer apoio aos revoltosos.

Nesse livro, Justiça, ele apresenta ainda um parecer de um especialista que afirma que as convenções da época condenavam o bombardeamento de populações civis, e outro de um perito militar, que mostrava a ineficiência dos ataques aéreos aleatórios. Macedo Soares, depois de sua volta do exílio exerceu funções pública e participou ativamente da política.

Em Julho de 32, no dia 9, um exército improvisado e mal equipado partia de São Paulo rumo ao Rio de Janeiro para exigir de Getúlio Vargas o cumprimento de sua promessa de restabelecer o regime constitucional e 2 respeitar a autonomia dos estados no que ficou conhecida como Revolução Constitucionalista, hoje mais conhecida como Revolução de 32.

A ACSP teve participação intensa na preparação do movimento, coordenando a atuação da classe empresarial, cuidando da logística e na arrecadação de fundos. Organizou a campanha "Ouro para o bem de São Paulo" que teve grande participação da população, sem distinção de classe social. Sem contar com o apoio de outros estados, e com uma inferioridade muito grande soldados e equipamentos São Paulo foi derrotado no campo militar, mas teve sua vitória política com a aprovação da Constituição de 1934.

O presidente da ACSP, Carlos de Souza Nazareth, assumiu a responsabilidade pela participação dos empresários no movimento, sendo preso no Rio de Janeiro e, depois exilado. No Rio de Janeiro, Nazareth recebeu grande apoio da ACRJ e, antes de partir para o exílio, escreveu dizendo tranquilo e estimulando seus companheiros de diretoria a se manterem firmes na defesa dos ideais termina conclamando a ”não esmorecer para não desmerecer”.

Os recursos arrecadados pela Campanha “Ouro para o bem de São Paulo”, que não foram utilizados devido ao fim do conflito, foram doados para a Santa Casa, que construiu um novo pavilhão e o edifício “Ouro para o Bem de São Paulo” com 13 andares que lembram as 13 listras da bandeira paulista.

A diferença entre os dois Movimentos é que o primeiro, o de 1924, foi de origem militar e visava uma mudança profunda com o fim da “República Velha” e não teve a adesão popular, embora alguns civis o tenha apoiado e, no início, os anarquistas também fossem favoráveis, enquanto a Revolução de 32 teve origem no povo, que a apoiou.

A ACSP reverencia seus ex-presidentes, diretores e conselheiros que nas duas oportunidades souberam manter as tradições de sua história centenária, e defender não apenas os empresários, como a população paulista.

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