Varejo começa bem em junho, mas pode perder força até o fim do mês
Frio e efeito calendário ajudaram a aumentar as vendas na primeira quinzena, mas o desemprego e a queda na renda continuam a prejudicar o comércio

As vendas no varejo da cidade de São Paulo esboçaram uma leve reação na primeira quinzena de junho. Pelos dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), na comparação com igual período do mês de maio, a alta foi 18,5%, considerando a média das vendas à vista e a prazo.
O resultado, entretanto, está longe de marcar uma reversão na crise do varejo paulistano. A alta foi impulsionada por fatores pontuais, como o frio, que de acordo com a ACSP estimulou as vendas de aquecedores, chuveiros elétricos, roupas e calçados, e também pelo efeito-calendário, já que a primeira quinzena de junho teve um dia útil a mais do que em maio.
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“Esse saldo positivo é pontual e não sinaliza melhora estrutural do varejo: a tendência ainda é de queda por fatores que têm se agravado, como o desemprego em alta e o retorno da massa salarial a patamares de três anos atrás”, comenta Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).
Ele lembra que a confiança do consumidor deu sinais de ligeira estabilidade, mas está longe de ser retomada. “Por enquanto, não há nenhum fator para vislumbrarmos melhoras efetivas daqui para a frente, pelo menos no curto prazo. É um período de extrema dificuldade: essa é a realidade. Mas confiamos que as próximas medidas econômicas abrirão caminho para a retomada a médio e longo prazos”, avalia Burti.
Fragmentando a alta de 18,5% na comparação entre meses observa-se que as vendas a prazo avançaram 19,6% e aquelas à vista cresceram 17,4%. O resultado positivo, segundo Emílio Alfieri, economista da ACSP, deve perder força até o final do mês.
Já na comparação entre a primeira quinzena de junho deste ano com igual período do ano passado, houve queda de 1,9%. O recuo foi puxado pela redução de 5,9% nas vendas à vista, que não pode ser compensada pela alta de 2,1% nas vendas a prazo.
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