Vendas para as festas de final de ano devem bater US$ 1 trilhão nos EUA em 2025

Previsão da NRF acontece em meio a cenário de queda no sentimento do consumidor, incertezas econômicas, inflação e tarifaço. Para especialistas, apelo da data e promoções dos varejistas serão motores do crescimento

Estela Cangerana, dos Estados Unidos
07/Nov/2025
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Vendas para as festas de final de ano devem bater US$ 1 trilhão nos EUA em 2025

As vendas para a temporada de final de ano nos Estados Unidos devem ultrapassar pela primeira vez na história a marca de US$ 1 trilhão, podendo chegar a US$ 1,02 trilhão, segundo previsão divulgada na quinta-feira, 06, pela Federação Nacional do Varejo (NRF). O número representa um crescimento entre 3,7% e 4,2% em relação ao mesmo período do ano passado, e compreende o intervalo entre os dias 1o de novembro e 31 de dezembro, englobando o Thanksgiving (o Dia de Ação de Graças), a Black Friday, Natal e Ano Novo.

O número surpreende, levando em conta o contexto econômico dos Estados Unidos. Ao longo de todo 2025, as incertezas com o comportamento da inflação e as novas políticas tarifárias e imigratórias geraram insegurança em muitos norte-americanos, derrubando os índices de sentimento do consumidor. Soma-se a isso o shutdown (a falta de acordo entre republicanos e democratas para aprovar o orçamento no Congresso), que completou 38 dias nesta sexta-feira, 07/11, e é o mais longo já registrado pelo país, com impacto estimado em pelo menos US$ 7 bilhões.

Em outubro, o Índice de Confiança do Consumidor medido pela Universidade de Michigan ficou em 53,6 pontos, o menor nível em cinco meses, com queda de 2,7% em relação a setembro, e retração de 24% sobre o mesmo mês de 2024. Entre setembro e outubro, houve redução tanto nas condições atuais (de 60,4 para 58,6 pontos) quanto nas expectativas (de 51,7 para 50,3 pontos).

Já a inflação medida pelo Bureau de Estatísticas de Trabalho atingiu 3% em setembro na taxa anualizada, acima dos 2,9% de agosto, mas abaixo das estimativas dos economistas, de 3,1%, que temiam a pressão das tarifas nos preços. Uma inflação nesse patamar é considerada alta para os padrões norte-americanos, mas não está fora de controle, segundo os analistas de mercado.

Esforço e apelo

Mas o que explica gastos recordes de US$ 1 trilhão em um cenário nebuloso? Segundo a NRF, isso se deve a dois fatores, que são a base de uma economia verdadeiramente baseada no consumo: o grande esforço dos varejistas e o apelo das datas para os consumidores. “O varejo tem trabalhado de forma muito agressiva para evitar repassar elevações de preços, absorvendo custos mais altos e encontrando maneiras de aumentar a eficiência para proteger compradores com menor poder de renda”, afirma Matthew Shay, presidente e CEO da NRF.

“Estamos vendo consumidores mais sensíveis a preços, procurando opções mais acessíveis. Mas também observamos que, no curso deste ano, em todas as celebrações relacionadas à família e amigos, os gastos foram recordes, o norte-americano não deixou de ir às compras”, explica. “Os consumidores podem estar cautelosos, mas permanecem fundamentalmente fortes e continuam impulsionando a atividade econômica dos EUA.”

O gasto médio por pessoa deve ser de US$ 890,49, em presentes, comida, decoração e outros artigos sazonais, de acordo com pesquisa anual da NRF conduzida pela consultoria Prosper Insights & Analytics. O valor é 1,3% menor que os US$ 901,99 de 2024, mas ainda assim é o segundo maior captado pelos 23 anos da pesquisa. Em compensação, a sondagem aponta também que quase a totalidade da população (91%) vai celebrar datas como o Natal, o Hanukkah (o Festival das Luzes judaico) e o Kwanzaa (celebração afro-estadunidense).

“Repetidamente, os americanos priorizam os gastos com seus entes queridos durante as festas de fim de ano, apesar da incerteza econômica”, destaca Katherine Cullen, vice-presidente de Indústria e Insights do Consumidor da NRF. “Com mais pessoas planejando aproveitar as promoções este ano, os varejistas devem estar preparados para oferecer descontos e preços competitivos, garantindo que os consumidores tenham tudo o que precisam para tornar as festas especiais.”

Promoções e menos empregos temporários

O momento econômico atual é bastante peculiar. Para os especialistas, não há indícios claros de deterioração da atividade econômica como um todo, mas existem sinais de lentidão em algumas áreas. “A economia continuou demonstrando uma resiliência surpreendente em um ano marcado pela incerteza comercial e inflação persistente. Como as tarifas provocaram um aumento de custos, os varejistas tentaram conter os preços, dada a incerteza em relação às políticas comerciais”, reforça Mark Mathews, economista-chefe e diretor executivo de pesquisa da NRF.

A tentativa de redução de custos aparece no número de trabalhadores temporários contratados. A expectativa é que sejam entre 265 mil e 365 mil, em linha com um mercado de trabalho mais lento e bem abaixo dos 442 mil do ano passado. Na análise de Mathews, é possível que o varejo esteja monitorando padrões de gastos e aguardando para aumentar o quadro de funcionários se a demanda exigir ao longo da temporada.

A previsão de fim de ano da NRF baseia-se em modelagem econômica utilizando indicadores econômicos como gastos do consumidor, renda pessoal disponível, emprego, salários, inflação e dados mensais anteriores de vendas no varejo. O cálculo exclui concessionárias de automóveis, postos de gasolina e restaurantes, para se concentrar no varejo tradicional.

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IMAGEM: Mario Tama/Getty Images

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