Internet ultrapassa TV aberta em publicidade, impulsionada por redes sociais e live shopping
Publicidade na internet supera em 8,8% volume destinado à TV aberta
(Rawpixel/Freepik)
Plataformas digitais recebem mais de R$ 10,4 bilhões em investimento com fortalecimento da presença das marcas em redes sociais
Em apenas uma live de 90 minutos, WePink registra 175 mil carrinhos de compras ativos e faturamento de R$ 15 milhões
Por Letícia FrancoCompartilhe:
[AGÊNCIA DC NEWS]. A internet no Brasil agora recebe mais investimentos em publicidade do que a TV aberta. Em 2024 a internet recebeu R$ 10,462 bilhões em compra de mídia, 8,8% a mais que a televisão aberta, que registrou R$ 9,616 bilhões. Os dados são da pesquisa Cenp-Meios, do Cenp, Fórum de Autorregulamentação do Mercado Publicitário, divulgada na quarta-feira (25). Esse movimento já vinha se desenhando nos últimos anos, impulsionado pelo crescimento dos meios digitais e pela mudança no consumo de conteúdo. Cada vez mais as redes sociais ganham protagonismo como vitrines para marcas, e formatos interativos, como o live shopping, transformam a publicidade em uma experiência mais dinâmica e direta com o público.
Apontada pela National Retail Federation (NRF) como uma previsão para o varejo em 2025, o live shopping é uma estratégia para atrair o consumidor por meio de transmissões ao vivo pelas redes sociais. Segundo Rodrigo Dolabella, CEO da Plastic Panda, agência de marketing especializada em redes sociais, o live shopping acelera o processo de venda do produto para a empresa e cria maior conexão do público com o influenciador. “Os influenciadores são protagonistas no formato, porque promovem os produtos ao mesmo tempo em que aumentam a confiança e a conexão com o seguidor”, disse. Segundo levantamento da empresa, 65% do faturamento dos influenciadores já vem de live shopping. “Isso se potencializou com a pandemia. Os posts de collab, parceria entre os perfis da marca e do influenciador, ainda são os mais tradicionais”, afirmou Dolabella.
Bianca Andrade, durante live de lançamento de produtos da marca Boca Rosa Beauty (Divulgação)
Exemplo disso foi a influenciadora e empresária Bianca Andrade, conhecida como Boca Rosa, que realizou uma live de pré-lançamento de sua linha de cosméticos em 2024 e, em quatro horas, faturou R$ 5 milhões, segundo informações divulgadas pela Forbes em junho de 2024. Da mesma forma, o Magalu apostou no live shopping durante a Black Friday de 2024 e reuniu influenciadores para impulsionar suas vendas. A empresa faturou mais de R$ 1,2 bilhão na data.
Quem também tem aproveitado o modelo live shopping é a influenciadora Virgínia Fonseca, dona da marca de cosmésticos WePink. No ano passado, a empresária realizou quatro lives com o intuito de escalar vendas, e os resultados, segundo a empresa, surpreenderam. Em apenas uma live realizada diretamente de Dubai, que durou aproximadamente uma hora e meia, a empresa registrou 175 mil carrinhos de compras ativos e faturamento de R$ 15 milhões. Desde então ela tem adotado eventos ao vivo de menor duração – entre 15 minutos e meia hora, que são chamadas de live relâmpago. Neste modelo, ela já chegou a vender R$ 4,6 milhões em um único evento.
Virgínia Fonseca, dona da WePink: lives relâmpagos para vender e lançar produtos (Divulgação)
MERCADO – Segundo a pesquisa Cenp-Meios, o mercado brasileiro de mídia atingiu R$ 26,3 bilhões em investimentos publicitários no último ano. Esse montante é 12,17% superior ao valor registrado em 2023, quando a pesquisa apontou um total de R$ 23,4 bilhões. Para Luiz Lara, presidente do Cenp, o setor se reinventou no ritmo das transformações do mercado. “Trata-se de um setor que impulsiona uma cadeia de diversos outros segmentos, gera empregos e estimula o consumo, o que reforça a confiança das empresas em investir para se conectar com os consumidores”, disse.
A pesquisa, elaborada pelo Cenp, refere-se aos espaços publicitários efetivamente comprados por 339 agências do Brasil ao longo de 2024. Embora os investimentos publicitários na internet superem a TV aberta, quem analisar a pesquisa pode não ver diretamente o digital com share maior porque a partir do recente relatório o Cenp passou a considerar TV aberta e TV paga na mesma categoria, de Televisão, com R$ 11,140 bilhões de investimentos, sendo a TV aberta responsável por 86,3% do valor, com R$ 9,616 bilhões e a TV paga R$ 1,524 bilhão (13,7%).
Dentro do segmento de internet, o destaque foi para Internet Display e Outros — publicidade em sites e aplicativos —, que representaram 60,9% do investimento online, com R$ 6,366 bilhões, seguido pela compra de mídia em Redes Sociais, com R$ 2,504 bilhões (23,9%), Vídeo, com R$ 823 milhões (7,9%), Internet Busca com R$ 738 milhões (7,1%) e Áudio, com investimentos de R$ 30 milhões (0,3%).